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16/07/2010 - 12h53

Polícia aponta desvio de mais de R$ 580 mil em notas frias na Câmara de Guarulhos (SP)

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CAROLINA LEAL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Uma operação realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público cumpriu na manhã desta sexta-feira mandados de busca e apreensão na Câmara dos Vereadores da cidade de Guarulhos (Grande São Paulo). Doze vereadores e cinco ex-vereadores são suspeitos de desviar mais de R$ 580 mil em notas frias. Suas casas também foram vistoriadas.

Diego Calvo/Diário de Guarulhos
Policial do Garra de Guarulhos (Grande São Paulo) carrega computadores de vereadores apreendidos nesta sexta-feira
Policial do Garra de Guarulhos (Grande São Paulo) carrega computadores de vereadores apreendidos nesta sexta-feira

Durante as buscas foram apreendidos computadores, documentos e notas de compra. As investigações apuram desvios entre os anos de 2005 e 2006, forjando a compra de material de escritório e selos. Entre os investigados estão o presidente da Câmara, Alan Neto, e dois membros da mesa diretora, Paulo Roberto Cecchinato e Wagne de Freitas.

De acordo com o MP, os investigados podem responder por formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e falsificação de documento.

A polícia afirmou ainda que já identificou três papelarias que participavam do esquema. Um dos proprietários, identificado como Henri Diskin, teria comprado a papelaria exclusivamente para participar do desvio, segundo a Promotoria.

Diskin também é apontado como responsável por fraudar notas dos Correios. Segundo o MP, ele confessou em depoimento ter clonado o sistema do banco de dados utilizado por uma agência franqueada dos Correios em Cidade Tiradentes, em São Paulo, que ele usava para emitir recibos de compra de selos.

Os vereadores usavam as notas para justificar o uso da verba de R$ 5.000 por mês disponível para funcionamento e manutenção dos gabinetes -- a verba foi aprovada por uma resolução em 2001 e suspensa em 2007.

A Promotoria aponta que entre 2005 e 2006 os vereadores apresentaram notas frias de compra de selos no valor total de R$ 389 mil. Já as notas frias fornecidas pela papelaria de Diskin chegam a R$ 195 mil. O fornecedor da nota ficava com 10% do valor.

Além da papelaria de Diskin --"Henri Diskin Papelaria ME"-- também foram identificadas notas falsas dos comércios "HD Papelaria & Produtos de Informática" e "Naan Mercantil Importadora e Exportadora" -- segundo o MP, esta última vende autopeças e não trabalha no ramo de papelaria.

As investigações tiveram início em outubro de 2006, depois que a Promotoria da Cidadania de Guarulhos encaminhou ao Ministério Público Federal centenas de cópias de notas fiscais emitidas pelas três papelarias.

 

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