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Após 12 horas, júri de PMs acusados de integrar "Os Highlanders" chega à fase final
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ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
Após mais de 12 horas, o julgamento dos quatro policiais militares acusados de integrar o grupo de extermínio "Os Highlanders" chegou na fase final na noite desta quinta-feira. O júri popular no fórum de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo) é acompanhado por diversas pessoas --cerca de 300 passaram pelo local.
Após a primeira parte do debate, em que defesa e da acusação fizeram sua sustentação oral, cada parte terá mais uma hora e 30 minutos para réplica e tréplica. A previsão do juiz
Antonio Augusto Galvão de França Hristov é que a sentença seja lida, após a decisão dos jurados, depois das 2h.
No interrogatório, o 3º sargento Moisés Alves Santos, o cabo Joaquim Aleixo Neto e os soldados Anderson dos Santos Sales e Rodolfo da Silva Vieira negaram ter decapitado o deficiente mental Antonio Carlos Silva Alves, 31. Eles também negaram a acusação de que teriam adulterado documentos referentes à abordagem policial feita no dia da morte de Alves.
Em sua fala, o advogado de defesa Celso Vendramini afirmou que os policiais são vítimas de revanchismo da Polícia Civil --ele citou o confronto entre policiais civis e militares que ocorreu na época do inquérito, motivado por uma greve.
Vendramini disse também que seus clientes foram alvo de uma armação feita por traficantes do Jardim Capela, que teriam informado os dados do veículo em que os PMs estavam no dia da morte de Alves para incriminá-los.
Durante a exposição do promotor Vitor Petri, os PMs ficaram de cabeça baixa o tempo todo. No julgamento, o 3º sargento Santos chorou em diversas ocasiões, assim como o soldado Sales. Parentes dos policiais que acompanham o julgamento também se emocionaram.
Desde o início do julgamento, às 10h, foram ouvidas também nove testemunhas --cinco da defesa e quatro da acusação. Duas testemunhas arroladas pela defesa não compareceram; uma teve seu depoimento dispensado. Dentre as testemunhas de acusação estavam irmãos da vítima.
CRIME
Conhecido como Carlinhos, Alves foi sequestrado em 8 de outubro de 2008, no Jardim Capela, um dos bairros que formam o Jardim Ângela (zona sul de São Paulo). Seu corpo, sem a cabeça e mãos, foi achado em uma área conhecida como local de desova de cadáveres de Itapecerica da Serra.
De acordo com a investigação dos policiais civis da Delegacia Seccional de Taboão da Serra (Grande São Paulo), Alves foi sequestrado e levado no carro da PM de número 37104, onde estavam os quatro PMs acusados pelo crime.
Os PMs estão presos desde janeiro de 2009 no Presídio Militar Romão Gomes, no Jardim Tremembé (zona norte de São Paulo). Ao todo, nove PMs (incluindo os quatro réus acusados da morte de Alves) estão presos acusados de integrar o grupo "Os Highlanders".
Doze mortes são atribuídas pela Polícia Civil aos PMs "highlanders". Em cinco delas, as vítimas tiveram as cabeças arrancadas.
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