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PMs acusados de integrar Os Highlanders são condenados a 18 anos de prisão
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ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
Atualizado às 02h34.
Os quatro policiais militares acusados de integrar o grupo de extermínio Os Highlanders foram condenados, cada um deles, a 18 anos e 8 meses de prisão pela morte do deficiente mental Antonio Carlos Silva Alves, 31.
Na sentença, lida pelo juíz após a decisão dos sete jurados, os PMs foram condenados por homicídio duplamente qualificado, ação típica de grupo de extermínio, que caracteriza motivo torpe, e impossibilidade de defesa da vítima.
De acordo com a sentença, o 3º sargento Moisés Alves Santos, o cabo Joaquim Aleixo Neto e os soldados Anderson dos Santos Sales e Rodolfo da Silva Vieira terão de cumprir inicialmente 7 anos e meio em regime fechado, para então pedir a progressão da pena. Cabe recurso da decisão.
O júri popular no fórum de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo) começou às 10h de quinta-feira (29) e foi acompanhado por diversas pessoas. Por volta da 1h30 desta sexta, os jurados (cinco homens e duas mulheres) se reuniram para analisar cinco quesitos e decidiram que os PMs eram culpados.
Durante o julgamento, o soldado Rodolfo da Silva Vieira precisou ser retirado da sala pois estava chorando muito.
Além de Vieira, o 3º sargento Moisés Alves Santos, o cabo Joaquim Aleixo Neto e o soldado Anderson dos Santos Sales foram condenados.
JULGAMENTO
Após a primeira parte do debate, em que defesa e da acusação fizeram sua sustentação oral, cada parte teve mais uma hora e 30 minutos para réplica e tréplica.
No interrogatório, o quatro acusados negaram ter decapitado o deficiente mental Antonio Carlos Silva Alves, 31. Eles também negaram a acusação de que teriam adulterado documentos referentes à abordagem policial feita no dia da morte de Alves.
Em sua fala, o advogado de defesa, Celso Vendramini, afirmou que os policiais são vítimas de revanchismo da Polícia Civil --ele citou o confronto entre policiais civis e militares que ocorreu na época do inquérito, motivado por uma greve.
Vendramini disse também que seus clientes foram alvo de uma armação feita por traficantes do Jardim Capela, que teriam informado os dados do veículo em que os PMs estavam no dia da morte de Alves para incriminá-los.
Durante a exposição do promotor Vitor Petri, os PMs ficaram de cabeça baixa o tempo todo. No julgamento, o 3º sargento Santos chorou em diversas ocasiões, assim como o soldado Sales. Parentes dos policiais que acompanham o julgamento também se emocionaram.
Desde o início do julgamento, às 10h, foram ouvidas também nove testemunhas --cinco da defesa e quatro da acusação. Duas testemunhas arroladas pela defesa não compareceram; uma teve seu depoimento dispensado. Dentre as testemunhas de acusação estavam irmãos da vítima.
CRIME
Conhecido como Carlinhos, Alves foi sequestrado em 8 de outubro de 2008, no Jardim Capela, um dos bairros que formam o Jardim Ângela (zona sul de São Paulo). Seu corpo, sem a cabeça e mãos, foi achado em uma área conhecida como local de desova de cadáveres de Itapecerica da Serra.
De acordo com a investigação dos policiais civis da Delegacia Seccional de Taboão da Serra (Grande São Paulo), Alves foi sequestrado e levado no carro da PM de número 37104, onde estavam os quatro PMs acusados pelo crime.
Os PMs estão presos desde janeiro de 2009 no Presídio Militar Romão Gomes, no Jardim Tremembé (zona norte de São Paulo). Ao todo, nove PMs (incluindo os quatro réus acusados da morte de Alves) estão presos acusados de integrar o grupo 'Os Highlanders'.
Doze mortes são atribuídas pela Polícia Civil aos PMs 'highlanders'. Em cinco delas, as vítimas tiveram as cabeças arrancadas.
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