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30/07/2010 - 12h31

PM afasta policiais suspeitos de matar jovens ao obrigá-los a ingerir cocaína no Rio

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DIANA BRITO
DO RIO

Atualizado às 18h36.

O comando da Polícia Militar afastou dos trabalhos de rua os três policiais militares suspeitos de matar dois homens ao obrigá-los a ingerir cocaína na noite de ontem (29). De acordo com a corporação, os PMs farão apenas serviços administrativos até que o inquérito seja concluído.

PMs suspeitos de obrirgar consumo de droga negam crime
PMs são suspeitos de obrigar jovens a ingerir cocaína

Os PMs prestaram depoimento nesta sexta-feira e negaram o crime. Segundo o comandante do Batalhão de Jacarepaguá, coronel Djalma Beltrami, eles foram "categóricos" e não entraram em contradição. Entretanto, ele afirmou não descartar a possibilidade de envolvimento dos policiais no caso e aguarda o resultado do exame toxicológico.

"Estou fazendo uma investigação pra ver se realmente os nossos policiais teriam feito isso. Até agora não encontramos nada. Eles não caíram em nenhum momento em contradições e demonstraram tranquilidade", afirmou o comandante à Folha.

De acordo com uma testemunha que estava com Jorge Alex da Silva Cardoso, 35, e Atenildo Oliveira de Souza, 28, em um ônibus da linha 760 (Curicica-Madureira), os dois foram obrigados a beber a solução com a droga depois de serem retirados do transporte por policiais e levados a uma cabine na Taquara, a cerca de 300 metros da delegacia. Segundo o coronel, a testemunha estava drogada.

Já a PM informou que os três homens teriam comprado a droga no morro do Cajueiro, em Madureira (zona norte), e em seguida pegaram o ônibus em direção à Curicica. No trajeto, eles teriam consumido a cocaína e acabaram detidos depois que um passageiro acionou os policiais. Mas, segundo o coronel Beltrami, os homens foram liberados, após revista dos policiais, pois não foi encontrado droga em poder deles.

"A cabine é aberta e dá para ver tudo lá dentro. Essa história está estranha. Os homens morreram juntos mais de duas horas depois de serem abordados pelos soldados. Se os policiais tivessem diluído alguma quantidade de cocaína na água, eles teriam comportamentos diferentes e não no mesmo momento, na mesma hora", disse o comandante do Batalha de Jacarepaguá.

Os soldados disseram durante depoimento que Cardoso e Souza saíram da cabine e foram beber em um bar a cerca de 200 metros da cabine policial, onde passaram mal e morreram. Exames toxicólogicos serão realizados para saber se as vítimas ingeriram cocaína ou outra substância. A previsão é que os resultados sejam divulgados pelo IML (Instituto Médico Legal) em até 30 dias.

 

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