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24/11/2010 - 20h37

Manifestantes contra texto do Mackenzie sobre homofobia chegam à Paulista; um é detido

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JAMES CIMINO
DE SÃO PAULO

O grupo de cerca de 500 pessoas que iniciou uma manifestação na rua Itambé, região central de São Paulo, chegou à avenida Paulista por volta das 20h15 desta quarta-feira. Cerca de 500 pessoas, segundo a Polícia Militar, protestam contra o "Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia", texto assinado pelo chanceler Augustus Nicodemus Gomes Lopes, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Veja imagens de protesto contra a homofobia na frente do Mackenzie
Moradores jogam ovos em manifestantes contra texto do chanceler do Mackenzie
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Um homem tentou rasgar a bandeira do movimento LGBT e agredir um manifestante e foi detido por policiais militares.

Os manifestantes vão seguir até a estação Brigadeiro do metrô, onde quatro jovens foram agredidos no último dia 14. Segundo a polícia, a agressão teve motivação homofóbica. Alguns rapazes carregam lâmpadas fluorescentes manchadas de vermelho; um dos jovens foi agredido no rosto com uma lâmpada.

Membros de organizações LGBT e alunos do Mackenzie --contrários ao posicionamento do chanceler-- também estão no protesto. Os manifestantes estão com cartazes que dizem "Educação laica, chega de inquisição", "Amar é um direito de todos" e "Criminalização da homofobia já". Um dos gritos de ordem do protesto diz "Contra homofobia, a luta é todo dia".

Policiais militares e agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) acompanham os manifestantes desde o início do protesto.

POLÊMICA

O texto do chanceler, que é contra a aprovação do PL 122 que criminaliza a homofobia no Brasil, foi publicado no site da universidade na semana passada e replicado em blogs, mas já foi retirado do ar. O protesto foi marcado via Facebook (rede social).

Nele, o chanceler, cargo máximo da universidade, recomenda à comunidade acadêmica a se orientar pelo que pensa a Igreja Presbiteriana do Brasil, associada vitalícia da instituição de ensino.

"Os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas", afirma Lopes, antes de dar parênteses ao que diz a igreja.

Na ocasião, a assessoria do Mackenzie afirmou que a universidade "se posiciona contra qualquer tipo de violência e descriminação" e "contra qualquer tentativa de se tolher a liberdade de consciência e de expressão garantidas pela Constituição".

No manifesto da igreja, endossado pelo chanceler, a instituição diz que é contra à aprovação da lei "por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia".

Em nota divulgada hoje, a assessoria disse que o Mackenzie respeita o direito de expressão de todos os cidadãos e reconhece o direito de manifestação pacífica.

"Hoje consolidada como uma das instituições de ensino mais conceituadas do país, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que possui cerca de 40 mil alunos e 3 mil funcionários, sempre prezou pelo respeito à diversidade e pelo direito de liberdade de consciência e de expressão religiosa", diz a nota.

Edson Silva/Folhapress
Protesto contra texto do chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie que se disse contra a criminalização da homofobia
Protesto contra texto do chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie que se disse contra a criminalização da homofobia
 

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