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29/11/2010 - 08h24

Moradores do Complexo do Alemão falam de excessos dos policiais

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FABIA PRATES
DO RIO

Após a tomada do Complexo do Alemão, no domingo (28), moradores voltaram às ruas para observar a intensa movimentação de policiais e carros blindados, e manifestaram apoio ao fato de a ocupação ocorrer sem confrontos, diferentemente do que se esperava.

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Mas muitos reclamavam da forma utilizada pelos policiais na abordagem. No final da noite, circulavam no Twitter boatos de que moradores teriam sido espancados.

Na rua de acesso à favela, era grande o número de curiosos. Crianças chegaram a cantar a música tema do filme Tropa de Elite e um carro de som passou pela avenida Itararé, onde estava o QG policial, tocando o Hino Nacional, após a ocupação.

Sérgio Moraes/Reuters
Polícia coloca bandeira brasileira no topo do Alemão, após ocupação do complexo; veja mais fotos
Polícia coloca bandeira brasileira no topo do Alemão, após ocupação do complexo; veja mais fotos

Dentro da comunidade, muitas pessoas se recusaram a falar, com medo de represálias. Entre os que aceitam conversar, a avaliação era de que a ação foi 'boa'. Mas muitos moradores reclamaram da abordagem. Policiais civis inspecionavam as casas em busca de suspeitos escondidos, drogas e armas.

Por volta das 13h, um homem de aproximadamente 50 anos chorava nas imediações do ponto de apoio da polícia, em um dos acessos à favela. Ele se disse indignado por ter chegado em casa e encontrado o espaço revirado.

'Parabéns a eles por esse trabalho, mas não deve ser desse jeito', disse. O filho dele foi retido como suspeito.

Bianca, 24, estava na cama com o marido Luiz, 26, quando os policiais chegaram. Ela diz que o marido foi pressionado para assumir que tinha drogas. 'Quem eles devem pegar, eles não pegam. Meu marido é trabalhador'.

O delegado Ronaldo Oliveira disse que a polícia faz varredura em casas abandonadas ou que sejam suspeitas, segundo indicação de moradores. 'Os moradores estão colaborando com a polícia', afirmou.

Waldemir Carlos da Rocha, 44, contou que circulava pela rua quando um policial lhe disse que ele estava passando muitas vezes por ali. 'Não é hora de ficar andando pra lá e pra cá', teria dito o policial. 'Eu estou no meu direito de ir e vir', disse Rocha.

Suspeitando de Rocha teria vínculo com o tráfico, os policiais foram à casa dele, olharam e foi embora. A mulher contou que os policias mandaram o marido calar a boca. 'Se fosse bandido, você ia ficar quietinho, não é? Bandido chega aqui e come até a sua mulher', teria dito o policial na frente das filhas do casal.

OPERAÇÃO

A polícia ocupou o Complexo do Alemão praticamente sem resistência dos traficantes na manhã de domingo (28), após uma série de atentados ocorridos na cidade desde o dia 21, com 106 veículos queimados. Na quinta-feira, policiais já tinham entrado na Vila Cruzeiro, favela vizinha ao complexo.

A secretaria divulgou uma estimativa de que 20 pessoas foram presas no domingo, com a utilização de 2.700 homens das polícias Militar e Civil, além das Forças Armadas.

O balanço parcial também aponta que foram apreendidos de 50 fuzis e 40 toneladas de maconha. Não foi divulgado o número de mortos e a quantidade de cocaína apreendida.

Até as 13h deste domingo, havia o registro de pelo menos 50 pessoas mortas na onda de violência que começou há uma semana. Deste total, foram 36 mortes de suspeitos registradas pela PM, 7 mortes registrados pela Polícia Civil e 7 registradas pelos hospitais públicos do Rio.

Colaborou Rogério Pagnan, enviado especial ao Rio

 

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