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04/12/2010 - 12h18

Colegas pedem que se apure omissão em morte; USP afirma que profissional é treinado

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TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

Alunos da USP, amigos do estudante de 42 anos que passou mal, morreu e ficou seis horas à espera de remoção anteontem dentro da universidade, pediram que a polícia investigue se houve omissão de socorro no caso.

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Eles estiveram ontem no 93º DP, no Jaguaré (zona oeste), para adicionar um complemento ao boletim de ocorrência registrado pela USP. A família de Samuel de Souza também registrou um segundo boletim de ocorrência, pedindo que a polícia investigue as causas da morte.

Um inquérito foi aberto como morte suspeita e o corpo do rapaz foi levado para a necropsia, afirmou a Secretaria da Segurança Pública.

Os alunos dizem que a guarda universitária foi chamada logo que o estudante de filosofia desmaiou na praça do Relógio do Sol, distante 230 metros da reitoria e 3 km do hospital universitário.

"Os guardas chegaram logo e disseram que não podiam fazer nada, pois não deveriam mover o corpo. A universidade foi omissa", afirmou uma das alunas, que não quis ter o nome revelado.

A USP disse que quando os guardas chegaram ao local, o estudante já estava morto.

Afirmou ainda que a guarda costuma socorrer estudantes e levá-los ao hospital.

Estudantes e funcionários da universidade questionaram a competência da guarda universitária para atestar que o aluno estava morto.

"Quem tem que atestar o óbito é alguém competente no assunto", afirmou o professor de física João Zanetic, diretor da Adusp (Associação de Docentes da USP).

"Nós não temos um socorro mínimo. Na faculdade de Física, um estudante estrangeiro passou mal e nós é que tivemos que socorrê-lo. Agora imagina um epiléptico que passa mal na aula e não tem ninguém para poder atendê-lo na sala?", ressaltou.

A USP disse que o guarda que atestou a morte de Souza também é bombeiro civil, treinado para o procedimento.

TREINAMENTO

A Folha perguntou à USP se há uma equipe treinada para fazer esse tipo de socorro e equipamentos de emergência disponíveis. A assessoria da universidade disse que "quase todos" os prédios têm cadeiras de rodas e equipamentos para primeiros socorros.

Mas disse que não poderia precisar quais são os prédios e quantos são os equipamentos, pois isso exigiria um levantamento, o que não seria possível fazer ainda ontem. Também não soube dizer se há uma equipe treinada.

A Folha tentou falar com o reitor João Grandino Rodas, mas não foi atendida.

 

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