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Passado de bairros de SP ajudam a entender expansão da cidade
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RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO
Gente já foi enforcada ao lado da atual praça da Liberdade, bem perto de onde hoje se come takoyakis, aqueles bolinhos de polvo.
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Foi no começo do século 19. Nessa época, o centro de São Paulo tinha também o "beco da Cachaça", cujo nome dispensa maiores apresentações dos frequentadores. Mais sóbrias, senhoras lavavam roupa no rio Anhangabaú, hoje canalizado.
Mais para o final do mesmo século, leprosos eram atendidos onde hoje é a igreja da Consolação, e a coisa mais empolgante que acontecia na vizinha rua Augusta, uma trilha em meio à mata, eram burros puxando carroças até o "morro do Caaguaçú", onde hoje é a Paulista.
A própria Consolação era só uma estradinha que ia até a região de Pinheiros, que já foi repleta de índios (e de jesuítas tentando convertê-los, nem sempre conseguindo).
Ainda nos anos 1950, aliás, não havia muito além de mato e ruas sendo abertas do rio Pinheiros para oeste.
O grande motor da expansão geográfica que transformou todo esse mato em arranha-céus: São Paulo é terra estrangeira por natureza.
A quantidade colossal de migrantes fez com que a expansão populacional paulistana fosse impressionante, mesmo em comparação com outras grandes metrópoles.
Em 1900, a cidade tinha 240 mil habitantes. Nova York já tinha 3,5 milhões. Hoje, São Paulo tem 11,2 milhões. Nova York tem 8,3 milhões.
A explicação para a ultrapassagem é que São Paulo teve duas grandes explosões imigratórias no período. A primeira foi do final do século 19 ao começo do 20.
Em 1920, por exemplo, a cidade tinha 580 mil habitantes. Cerca de 200 mil eram estrangeiros --35% do total.
Não há números claros sobre a quantidade de brasileiros vindos de outras regiões, mas, se for levado em conta que, 30 anos antes, em 1890, São Paulo tinha só 65 mil habitantes, torna-se nítido que paulistanos eram minoria.
A outra explosão foi entre 1960 e 1980, com os nordestinos. Estima-se que vieram ao menos 2,5 milhões.
As regiões do rio Pinheiros, da avenida Paulista e do centro representam bem as diferenças entre São Paulo antes e depois dessas levas humanas.
Elas mostram a expansão urbana paulistana, especialmente no que se refere aos grandes prédios, que seguiram, com exceções, um vetor sudoeste --primeiro centro, depois Paulista, agora marginal Pinheiros e região.
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