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Após operação da PF, Promotoria denuncia quadrilhas de policiais
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DE SÃO PAULO
O Ministério Público do Estado Rio denunciou (acusou formalmente) nesta sexta-feira policiais civis e militares, além de informantes, sob acusação de se apropriar de bens e pertences apreendidos em diligências e operações. Caso a Justiça aceite a denúncia, será aberto um processo contra os acusados.
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As denúncias da Promotoria são consequências da operação Guilhotina, desencadeada pela PF (Polícia Federal) na última sexta (11) e que prendeu 38 pessoas, incluindo 30 policiais.
De acordo com a Promotoria, esses policiais atuavam em delegacias ou em posições estratégicas na Secretaria de Segurança Pública e formavam quatro grupos criminosos que agiam independentemente, aproveitando das facilidades proporcionadas pelos cargos que exerciam.
As acusações são de formação de quadrilha, corrupção passiva e/ou ativa, peculato e violação de sigilo funcional, dentre outros, que variam de acordo com a conduta individual de cada acusado.
O principal preso na operação Guilhotina, o delegado Carlos Antonio Luiz de Oliveira, foi, até agosto do ano passado, subchefe de Polícia Civil. Há anos, é apontado como braço-direito do ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, que deixou o cargo após a ação da PF.
De acordo com a assessoria da Promotoria, nem todos os policiais denunciados foram presos durante a operação.
Na denúncia, os promotores Homero das Neves Freitas Filho, Alexandre Murilo Graça, Márcio José Nobre de Almeida e Luis Otávio Figueira Lopes --responsáveis pelo procedimento-- afirmam que as atividades ilícitas do grupo de milicianos que atuava na favela Roquete Pinto, em Ramos, na zona norte do Rio, eram facilitadas por Oliveira, ex-subchefe operacional de Polícia Civil Carlos.
Segundo os promotores, Oliveira "atuava controlando as autoridades policiais das delegacias nas quais os milicianos exerciam suas funções, de modo a permitir as empreitadas delituosas para a aquisição de armas e outros 'espólios de guerra".
Neste caso, foram denunciados quatro policiais civis, seis PMs (um deles da reserva) e três traficantes, além de Oliveira e de mais sete pessoas que controlavam serviços como o transporte alternativo, segurança privada, "gatonet" (TV a cabo clandestina) e distribuição de gás e água na favela Roquete Pinto.
Em um trecho da denúncia, os promotores afirmam também que, em duas operações comandadas pelo ex-subchefe operacional da polícia --em 2005 e em 2008-- parte do grupo apropriou-se de armas e munições, algumas para serem revendidas e outras para o uso próprio.
NEGOCIAÇÃO
Na segunda denúncia, os promotores acusam sete pessoas -- três policiais civis e dois PMs-- de atuarem em uma quadrilha que "se aproveitava da confiança que lhe era depositada e do local de trabalho (no caso, a Delegacia de Combate às Drogas)" para se apropriar de bens e valores de criminosos.
De acordo com as apurações, os denunciados faziam apreensões em territórios dominados pelo Comando Vermelho e revendiam o material apreendido para integrantes de grupos da facção ADA, liderados pelos traficantes Nem, da Rocinha, e Roupinol, do Morro de São Carlos.
Também de acordo com a denúncia, quatro policiais teriam negociado o chamado "arrego" com os traficantes, recebendo em troca um pagamento mensal de R$ 50 mil para o repasse de informações sobre operações policiais.
COMPLEXO DO ALEMÃO
A terceira denúncia apontou o envolvimento de quatro PMs na apropriação de bens de traficantes durante a ocupação do Complexo do Alemão. A prática foi flagrada em gravações telefônicas entre os acusados, realizadas com autorização da Justiça.
Os envolvidos responderão, genericamente, pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e corrupção passiva, entre outros descritos na denúncia, como a acusação de prática de "arrego".
JOGOS
A quarta denúncia citou o envolvimento de dez PMs, dois policiais civis e mais uma pessoa na prestação de segurança privada, mediante pagamento, em estabelecimentos nos quais eram praticados crimes e contravenções. Os acusados atuariam, em grupos específicos, em casas de exploração de jogos de azar e caça-níqueis em, pelo menos, três imóveis, localizados em Botafogo, Bonsucesso e Barra de Guaratiba.
À Justiça, eles responderão por formação de quadrilha e corrupção passiva. Neste caso, a Promotoria aguarda, entretanto, a chegada de mais documentos que visam à apuração exata das condutas, localização de casas de jogos e identificação de possíveis policiais que teriam recebido vantagens indevidas para eventuais complementos à denúncia.
| Rafael Andrade-11.fev.2011/Folhapress | ||
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| Allan Turnowski, ex- chefe da Polícia Civil do Rio; inguérito é entregue ao Ministério Público |
CRISE
A saída de Turnowski foi definida na terça-feira (15) em reunião com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, após quatro dias de crise na instituição. Segundo nota emitida pela secretaria, os dois concluíram que a saída de Turnowski era a mais adequada para "preservar o bom funcionamento das instituições".
A posição de Turnowski à frente da Polícia Civil ficou desgastada após a operação Guilhotina, desencadeada pela PF (Polícia Federal), e que prendeu dezenas de policiais ligados a traficantes e milícias. O principal preso na operação, o delegado Carlos Oliveira, foi, até agosto do ano passado, subchefe de Polícia Civil. Há anos, é apontado como braço-direito de Turnowski.
Na segunda-feira (14), Turnowski decidiu fechar a Draco (Delegacia de Combate ao Crime Organizado), alegando ter recebido carta anônima com denúncias de corrupção, e que investigaria a delegacia.
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