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26/02/2011 - 12h15

Polícia gaúcha procura motorista que atropelou 16 ciclistas

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GRACILIANO ROCHA
DE PORTO ALEGRE

A Polícia Civil tenta identificar o motorista responsável pelo atropelamento de 16 pessoas que participavam de um passeio ciclístico, ontem à noite, em Porto Alegre.

O carro envolvido, um Golf preto, foi localizado durante a madrugada por policiais militares a cerca de 4 km do local do atropelamento. O veículo, avariado, estava abandonado, segundo a polícia, e será submetido à perícia.

Vídeo mostra ciclistas após atropelamento em Porto Alegre; veja

Por volta das 19h de ontem, cerca de 130 integrantes de um grupo chamado "Massa Crítica", que realiza um passeio mensal para promover o uso da bicicleta como meio de transporte, pedalavam pela rua José do Patrocínio, na Cidade Baixa (região central). No grupo, havia crianças.

O ATROPELAMENTO

O motorista do Golf preto pediu passagem pelo meio das bicicletas e não foi atendido por falta de espaço na rua, de acordo com o relato de ciclistas.

As vítimas afirmam que o atropelador buzinava e acelerava por três quarteirões e o carro chegou a tocar uma das bicicletas que estavam na retaguarda do grupo.

No terceiro quarteirão, na esquina com a rua Luiz Afonso, conforme relatos colhidos pela Folha, o motorista do Golf esperou que o grupo se distanciasse alguns metros, acelerou e investiu contra o grupo de ciclistas.

FERIDOS E BICICLETAS RETORCIDAS

Os relatos dão conta de que bicicletas voaram, ciclistas se chocaram uns contra os outros e muitas pessoas caíram no chão, feridas. O motorista fugiu do local.

"Tinha muita gente, inclusive pais com crianças em cadeirinhas. O atropelamento foi proposital porque ele vinha várias quadras atrás, acelerando, xingando, buzinando. Depois que ele passou, virou um cenário de guerra, com bicicletas retorcidas e muita gente sangrando pelo chão", contou à Folha o empresário Marcelo Guidoux Kalil, 31, que integrava o grupo.

Três ambulâncias estiveram no local. Dezesseis pessoas ficaram feridas, na contagem do grupo. Parte delas foi atendida no local e outras oito foram encaminhadas ao hospital com ferimentos que iam de cortes até fraturas.

BUSCA

A polícia não confirmou o número exato de vítimas. O proprietário do carro já foi identificado, mas ele ainda não foi ouvido, segundo o delegado Márcio de Abreu Moreno.

O delegado diz que vai esperar a conclusão dos depoimentos de vítimas e testemunhas para decidir como o caso será tratado no âmbito criminal.

Se a polícia confirmar as acusações de que o atropelamento foi proposital, o motorista poderá responder por lesão corporal dolosa (intencional) ou mesmo tentativa de homicídio.

"É um caso que chama a atenção, sobretudo, porque era um grupo que se manifestava pelo uso de bicicletas como alternativa no trânsito", disse o delegado.

PROTESTO

Depois do atropelamento, outras pessoas que participavam do passeio permaneceram no local e protestaram contra a insegurança dos ciclistas.

O jornal "Zero Hora" relatou que o diretor da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), Vanderlei Cappellari, disse que o órgão não foi avisado sobre o passeio ciclístico --o que o tornaria irregular.

A Folha não conseguiu localizar Cappellari. Integrantes do "Massa Crítica" responderam que a atividade é mensal --realizada sempre na última sexta-feira do mês-- e que os ciclistas têm direito de transitar juntos pelas ruas.

 

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