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Bolsonaro diz que está 'se lixando' para homossexuais
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ANA FLOR
MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA
Ao passar pelo velório do ex-vice-presidente José Alencar, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) voltou a fazer ataques a homossexuais, à cantora Preta Gil e até ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
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Ele é acusado de fazer declarações racistas e homofóbicas em entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes.
"Eu estou me lixando para esse pessoal aí", disse ele, referindo-se a quem o chama de homofóbico. "Agora criaram a Frente Gay [na Câmara]. O que esse pessoal tem para oferecer? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer pra vocês, que são jovens, que se tiverem um filho gay é legal, vai ser o orgulho da família? Esse pessoal não tem nada para oferecer", disse ele.
Bolsonaro voltou a dizer que a declaração sobre Preta Gil ocorreu por ele não ter entendido a pergunta. "Eu fui entrevistado por um laptop, respondi a um laptop", disse.
Sobre o possível processo de quebra de decoro na Corregedoria da Câmara, o deputado afirmou que "já passou por momentos piores na Câmara" e que é vítima porque é detestado pelo movimento LGBT e pela "extrema esquerda ideológica".
"Soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde", disse ele, reforçando que está no Congresso "para lutar".
Bolsonaro disse que tem "batido duramente" no projeto do governo para distribuição do que chamou de "kit gay" nas escolas.
Perguntado se é homofóbico, o deputado disse que não tem nada "pessoal" contra gays. "Cada um faz o que quer com esse corpinho cabeludo entre quatro paredes".
Ao falar da cantora Preta Gil e de uma possível ação dela na Justiça, Bolsonaro citou publicações do blog da artista. "Que exemplo ela tem de vida para dar para todos nós para falar de ética?", afirmou.
Sobre FHC, afirmou que o ex-presidente demarcou "malandramente" as melhores e mais ricas terras do Brasil como áreas indígenas.
Bolsonaro é alvo de duas representações que serão enviadas à Corregedoria da Câmara, uma assinada pelo deputado Edson Santos (PT-RJ) e outra de um grupo de 19 deputados, entre eles Manuela D'Ávilla (PC do B-RS) e Jean Wyllys (Psol-RJ).
Em seu Twitter, o presidente da Câmara, Marco Maia, fez um comentário sobre discriminação, apesar de não citar diretamente o caso do deputado. "Palavras racistas e discriminatórias não fazem parte do Brasil que queremos. São herança de um passado que não aceitaremos que se repita nunca mais".
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