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Líder religioso diz que declarações de Bolsonaro são fascistas
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FELIPE CARUSO
DO RIO
A CCIR (Comissão de Combate à Intolerância Religiosa) reuniu-se nesta quarta-feira para comemorar três anos de existência e fazer um ato de repúdio às falas supostamente racistas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) durante uma programa de televisão na segunda-feira (28).
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Para o interlocutor da comissão, o babalaô Ivanir dos Santos, a fala de Bolsonaro é um desrespeito às mulheres negras como seres humanos.
"É um ato fascista e que ameaça de novo a democracia, a liberdade de expressão e a liberdade religiosa", afirmou o babalaô.
A chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Marta Rocha, ressaltou que não cabe à corporação agir contra as declarações.
"Ele tem imunidade parlamentar e deve ser punido pela própria câmara. Enquanto cidadão, acho que todas as pessoas devem se posicionar contra qualquer tipo de intolerância", disse a delegada.
No quadro "O Povo Quer Saber", do programa CQC, da TV Bandeirantes, a cantora Preta Gil perguntou como ele reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra.
O parlamentar respondeu: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu."
Bolsonaro alegou não ter tido a intenção de fazer nenhuma declaração racista. Disse que, na realidade, pensou que a pergunta se referisse a um relacionamento gay. "Essa se encaixa na resposta que eu dei. Para mim, ser gay é promíscuo, sim".
Em seu discurso, a delegada Marta Rocha lembrou de quando estava à frente da 12ª DP (Copacabana) e ajudou a organizar a Caminhada Contra a Intolerância Religiosa, que reúne milhares de pessoas há três anos em setembro na avenida Atlântica.
"Aquele dia foi mais do que um dia festivo, foi a realização do estado democrático de direito. Foi para nos lembrar que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Esse povo não pode ser entendido sob a ótica da cor, da orientação sexual, da raça, da etnia ou da condição econômica", disse.
O ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça e grão mestre da maçonaria do Estado do Rio, Waldemar Zveiter, disse que ainda não viu o vídeo, mas atribuiu a fala a um possível erro de interpretação do deputado federal.
"Não acredito que ele daria uma resposta que contrariasse aquilo que o passado dele diz que ele é: um homem democrata. Não posso nem conceber que um homem público possa se manifestar dessa forma. Isso é a forma mais abjeta do racismo, ainda mais num país como nosso" disse Zveiter.
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