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Diretor da Associação Nacional de Armas diz que plebiscito é "golpe"
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GRACILIANO ROCHA
DE PORTO ALEGRE
Em meio ao ressurgimento dos apelos por maior controle de armas após o massacre de Realengo (RJ), a indústria de armamentos e munições reagiu com dureza à proposta de um novo plebiscito no país.
"Isso é um golpe na democracia porque há menos de cinco anos essa mesma pergunta foi feita à população e não houve dúvidas na resposta", disse Salésio Nuhs, diretor institucional da Aniam (Associação Nacional de Armas e Munições).
A Aniam reúne a Taurus e a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), as duas maiores companhias do setor no país. Juntas, elas faturam cerca de R$ 800 milhões.
A indústria de armas refuta a vinculação da chacina na escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, onde 12 crianças foram mortas, ao comércio legal no país.
Segundo o diretor da Aniam, o atirador Wellington Menezes de Oliveira, 23, não conseguiria comprar os dois revólveres que usou na matança pelas vias legais porque, além de não ter a idade mínima (25 anos), teria de passar por teste psicológico. Ele culpa o governo por não reprimir o mercado negro.
O setor também rejeita a hipótese levantada pelo senador Paulo Paim (PT-RS) de um acordo para que as vendas se restrinjam ao poder público. Na prática, a negociação tem como objetivo banir a possibilidade de pessoas físicas comprarem armas e munições no comércio.
"Não é a indústria que pode tirar esse direito do cidadão", disse Nuhs.
BANCADA
Como se trata de um setor bastante sensível a eventuais mudanças na legislação acerca de restrição de uso e venda, a indústria de armas aposta alto na eleição de congressistas.
Levantamento feito pela Folha mostra que Anian, CBC e empresas ligadas ao Grupo Taurus doaram R$ 2,4 milhões diretamente para candidatos nas eleições do ano passado.
Em 2010, essas doações ajudaram a eleger três senadores e 27 deputados federais --o que dá à "bancada da bala" um peso maior do que a representação de 21 Estados e do Distrito Federal, isoladamente.
Na Câmara, o maior beneficiário do setor foi o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), com R$ 250 mil.
Indagado sobre a estratégia política que orienta o financiamento de candidatos pelas indústrias de armas, o diretor da Aniam diz que as doações foram legais e que o setor, a exemplo de outros ramos da economia, considera necessário ser representado no Congresso.
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