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02/05/2011 - 10h46

Polícia apreende 60 kg de nova droga

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KÁTIA BRASIL
ENVIADA ESPECIAL A RIO BRANCO
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

O Denarc (departamento de narcóticos), da Polícia Civil de SP, apreendeu neste ano cerca de 60 kg do óxi, um novo tipo de droga feita com a pasta base de cocaína em forma de pedra oxidada, mais barata e mais letal do que o crack, com traficantes que atuam na região da cracolândia, centro da capital.

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Segundo o delegado Reinaldo Correa, a droga é facilmente confundida com o crack e, justamente por isso, hoje, os policiais do Denarc têm recebido treinamento para distinguir uma da outra.

"O óxi, quando queimado, deixa um resíduo de óleo. O crack não. Muitas vezes se apreende óxi e por ser uma droga ainda desconhecida, se pensa que é crack", afirma Correa.

A matéria-prima do óxi são folhas secas do arbusto Erythroxylum coca, cultivado na Bolívia, Peru e Colômbia. No preparo, os traficantes utilizam ácidos, querosene e oxidantes (daí o nome), que "empedram" a pasta base.

Além da capital, a polícia paulista também já apreendeu óxi em Santos, no litoral do Estado. Em São Paulo, a pedra de óxi chega a ser vendida por R$ 2.

O óxi já está se espalhando na Amazônia. No Acre, que faz fronteira com os países produtores, Peru e Bolívia, a droga é conhecida desde a década de 1980.

Nos últimos anos, porém, os usuários passaram a fumar o óxi em cachimbos como os usados com crack -antes, a droga era diluída e misturada à maconha.

Em 2005, pesquisa do Ministério da Saúde e da Aredacre (Associação Acreana de Redução de Dano) deu o alerta sobre a disseminação do óxi no Estado.

CIRCULAÇÃO LIVRE

Por dois dias, a Folha esteve em Rio Branco e encontrou traficantes oferecendo a pedra de óxi por R$ 5. O movimento de pessoas fumando a droga nas ruas é restrito. Há, no entanto, jovens de classe média entre elas.

Nos últimos dois anos, a Polícia Federal do Acre apreendeu 1,4 tonelada da droga. De acordo com o delegado Maurício Moscardi, a droga entra por cidades de fronteira como Brasiléia (com a Bolívia) e Cruzeiro do Sul (com o Peru).

ÍNDIOS

A Polícia Civil do Amazonas diz que o óxi chegou à região há menos de dois anos. Indígenas estão sendo usados por traficantes como "mulas" para transportar pequenas quantidades da droga que serão vendidas.

No mês passado, uma índia foi presa com 600 gramas de óxi em Manicoré (AM).

Profissionais de saúde atuam nas ruas de Manaus e Belém atrás de usuários de óxi. "Saímos à procura deles para evitar que se chegue a "oxilândias'", diz a psicóloga Ane Louise Michetti, que participa de ação do Ministério da Saúde com usuários.

 

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