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Até 15 km por dia, táxi é mais barato do que carro
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FELIPE NÓBREGA
DE SÃO PAULO
A aposentada Sônia Cacace, 69, abdicou do conforto do carro particular pela praticidade do táxi há dois anos.
"Como rodo pouco, o custo para manter um automóvel sai mais caro. Minhas oito colegas também fizeram o mesmo. Hoje, nem o trânsito caótico me estressa tanto", relata Cacace, que diz aproveitar melhor o tempo ocioso no banco do passageiro.
| Ivan Ribeiro - 18.abr.11/Folhapress |
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| Até 15 km por dia, usar táxi é mais barato do que carro; foto mostra paulistana tentando pegar táxi em São Paulo |
A pedido da Folha, Samy Dana, professor de finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas, comparou os custos anuais para manter um carro e para andar de táxi.
Aposentada trocou carro por táxi
Os cálculos do professor da FGV mostram quando é vantagem vender o carro e ir (ou ligar) para o ponto.
Para quem roda até 15 km por dia entre ida e volta (do trabalho, por exemplo), o táxi sai (1%) mais barato do que manter um veículo de R$ 40 mil (preço médio dos carros novos vendidos no país).
O custo anual para rodar aproximadamente 5.500 km com carro particular é de cerca de R$ 17.300. Isso quando o dono arca com combustível e todas as taxas, como inspeção, seguro e estacionamento. A depreciação do veículo também está inclusa --o Datafolha calcula que o carro perde 7% do valor ao ano.
"Considerei ainda que o valor de um carro médio aplicado renderia R$ 300 por mês. Isso custearia quase uma semana de táxi em trajetos curtos", calcula Dana.
Quando a comparação é feita com um modelo "popular", de R$ 25 mil e com motor 1.0, que é mais econômico, o táxi só compensa para quem roda até 10 km por dia.
Nesse caso, o custo anual para percorrer 3.600 km seria de R$ 12.463 --R$ 10 a menos do que com o carro.
Isso porque a tarifa de táxi na capital paulista é cara, apontam especialistas. Custa quase o dobro da de Buenos Aires, por exemplo.
Em São Paulo, além dos R$ 4,10 iniciais, paga-se mais R$ 2,50 por quilômetro rodado. Após as 20h e aos domingos, esse valor aumenta 30%.
Mesmo assim, o arquiteto de informação Avi Alkalay, 37, resolveu vender o segundo carro. "A cidade não comporta mais esse luxo."
A naturóloga Fernanda Leme, 27, desistiu de seu carro particular para aderir ao táxi após a Lei Seca, de 2008.
"Passei a usar táxi para ir às baladas e vi que era vantajoso, porque os estacionamentos estão muito caros."
COLETIVO
Para o especialista em engenharia de tráfego Sérgio Ejzemberg, tanto faz usar táxi ou carro --porque o veículo individual vai ocupar o mesmo espaço na rua.
A solução mais adequada é o transporte coletivo, como o metrô. "As pessoas só desistirão do carro quando houver um transporte coletivo decente --com o mínimo de conforto", diz.
Colaborou RAPHAEL MARCHIORI
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