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08/06/2011 - 21h58

Prefeito de Lorena é afastado após denúncias de crimes sexuais

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MATHEUS MAGENTA
NATÁLIA CANCIAN
DE SÃO PAULO

A Câmara Municipal de Lorena (198 km de São Paulo) afastou na segunda-feira (6) do cargo o prefeito Paulo César Neme (PTB), que é médico pediatra, ao abrir duas comissões para investigar denúncias de supostos desvios de verba para educação e crimes sexuais envolvendo garotos menores de idade.

As comissões --formadas por três vereadores-- têm 90 dias para apresentar os relatórios finais, pedindo ou não a cassação do prefeito. Segundo a Lei Orgânica do Município, Neme ficará afastado do cargo durante o processo. Cabe recurso na Justiça.

Segundo o vereador Élcio Vieira (PV), presidente da Casa, os vereadores decidiram abrir, por unanimidade, as comissões por causa da "crescente pressão popular".

As denúncias contra o prefeito por supostos crimes sexuais envolvendo menores de idade vieram à tona no mês passado, durante uma investigação da Polícia Civil.

Em uma abordagem, a polícia descobriu que Neme emprestou um carro oficial para uma pessoa não autorizada levar sua empregada doméstica para casa.

No carro estava também um menor de idade que, em depoimento à polícia, afirmou que recebia R$ 10 para ir à casa do prefeito. O adolescente disse ainda que, em março, o prefeito alisou seu peito e tentou "segurar seu pênis", mas ele recusou.

Neme é investigado pelos vereadores por suposta falta de decoro e mau uso de bem público. Além das denúncias por supostos crimes sexuais, o prefeito é investigado também por um suposto desvio de R$ 4 milhões em verbas federais para a educação.

Neme é alvo ainda de um processo que tramita na 15ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo por supostos crimes sexuais. Aberto em 2007, o processo corre em segredo de Justiça.

Em nota enviada à imprensa, Neme diz que "não preciso provar minha inocência, pois compete ao órgão acusador provar qualquer conduta ilícita incerta no regramento penal vigente".

Ainda segundo a nota, ele afirma que foi "acusado, julgado e condenado por um tribunal ilegítimo", mas que tem "paciência para aguardar um desfecho satisfatório que traga a verdade real".

 

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