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23/07/2011 - 13h37

Usuários quebram imagem de "Nossa Senhora do Crack" em SP

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TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

Usuários de crack quebraram na manhã deste sábado a imagem de uma santa batizada como "Nossa Senhora do Crack", que tinha sido instalada ontem na região da cracolândia (centro de São Paulo).

Artista instala imagem de "Nossa Senhora do Crack" em SP
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A imagem de Virgem Maria, feita de gesso com adornos dourados, à frente de um fundo azul, tinha sido montada pelo fotógrafo e artista plástico Zarella Neto, 33, na rua Apa, em Santa Cecília.

Apenas uma espécie de altar continua no local, com uma luz que ilumina a inscrição dourada com o nome da santa. Segundo Neto, a imagem teria sido quebrada por usuários de crack incomodados com a repercussão do caso e com a presença de equipes de televisão no local.

Apu Gomes/Folhapress
Obra do artista plástico Zarella Neto, com imagem de Nossa Senhora, foi instalada na cracolândia (SP)....|
Obra do artista plástico Zarella Neto, com imagem de Nossa Senhora, foi instalada na cracolândia (SP)....|
Alessandro Shinoda/Folhapress
...e amanheceu depredada na rua Apa neste sábado, provavelmente devido à repercussão do caso na mídia
...e amanheceu depredada na rua Apa neste sábado, provavelmente devido à repercussão do caso na mídia

O artista diz que pretende repor a santa, mas não sabe quando isso será possível. Enquanto isso, ele manterá a energia elétrica --puxada do imóvel onde funciona seu estúdio, perto dali-- para iluminar o altar.

"Resolvi democratizar a santa. Ninguém enxerga essas pessoas. Elas merecem proteção. Sou cristão e a santa é do povo", disse Neto, que nasceu e cresceu no bairro.

A fachada de uma casa abandonada foi o ponto escolhido para a obra, bem em frente à calçada onde viciados se juntam todos os dias.

Na tarde de ontem, moradores e trabalhadores da região paravam para olhar a obra. "Achei bonito, mas batizar a santa assim é um pecado", afirmou o serralheiro Ednaldo da Silva, 30.

O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, elogiou a iniciativa e disse que não existe profanação na obra.

"Vi e fiquei comovido. O drama dos dependentes químicos não pode nos deixar indiferentes. São humanos, são irmãos, são filhos de Deus. Nossa Senhora do Crack, rogai por eles e por nós também!", disse Scherer.

 

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