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Camiseta de esquadrão da morte é vendida nos Jardins, em SP
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ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
A camiseta preta, com a caveira sinistra, de olhos vermelhos e sobreposta acima de duas tíbias cruzadas, traz a abreviação "E.M.", de esquadrão da morte.
À venda por R$ 45 na U.S Army, loja da Galeria Ouro Fino, um dos pontos mais badalados da moda em São Paulo, na rua Augusta (Jardins), a peça exalta a Scuderie Detetive Le Cocq, mais famoso grupo de extermínio do Brasil, criado nos anos 1960.
A loja é especialista em réplicas de produtos militares de vários países. Na U.S Army, uma jaqueta preta com o símbolo da Polícia Civil de São Paulo custa cerca de R$ 390. Também é possível comprar soco inglês e um tipo de caneta com o corpo de ferro que, recentemente, foi apreendida por ter sido usada como arma por skinheads acusados de espancamentos perto da avenida Paulista (região central de SP).
Os donos da U.S.Army foram procurados na sexta-feira (29), mas não retornaram aos pedidos de entrevista da Folha.
"Quem compra uma camiseta dessas não tem noção do que é segurança pública. Às vezes, nem sabe o que significa exaltar um grupo de extermínio", disse o jurista Hélio Bicudo, 89, um dos primeiros a denunciar a existência da Scuderie Le Cocq, organização parapolicial que pregava a "limpeza social" principalmente no Sudeste do país.
| Alessandro Shinoda/Folhapress | ||
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| Camiseta da Scuderie Detetive LeCocq, vendida em galeria da rua Augusta, em área nobre de SP |
HISTÓRIA
A Scuderie Detetive Le Cocq nasceu da associação entre policiais no Rio de Janeiro, em 1964, depois do assassinato de um detetive "linha-dura" chamado Milton Le Cocq. O grupo funcionava como um dos vários esquadrões da morte que operavam na época.
O maior grau de organização e infiltração no aparelho estatal ocorreu no Espírito Santo. Ali, a organização foi registrada como instituição filantrópica em 1984 --seus integrantes conquistaram importantes cargos no governo.
A expansão ocorreu a partir do final da década de 70. A organização teve ramificações em Minas, Goiás, Rondônia, Rio, São Paulo e Distrito Federal, segundo Isaias Santana, presidente do Conselho de Direitos Humanos do Espírito Santo. No Estado, o grupo começou a ser investigado em 1991, depois de o governo estadual criar uma comissão para apurar assassinatos de crianças de rua. O delegado Francisco Badenes, que hoje está sob proteção policial, começou a achar elos entre as mortes e integrantes da associação.
Além de atuar como grupo de extermínio, a entidade assumiu, segundo a ONG Justiça Global, o papel de braço armado do crime organizado. Os principais acusados de participação nesse tipo de crime estão ligados ao grupo.
A organização é acusada de participação na morte de várias autoridades que se contrapuseram à sua ação.
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