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Casarão é lacrado após sacrifício de animais na zona sul de SP
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AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO
Nos últimos dois anos, uma mistura de sons cortava as madrugadas na rua Miranda Guerra, no Jardim Petrópolis, área nobre na zona sul de São Paulo. As cantorias e o batuque dos atabaques eram misturados ao balir de cabras, ao bodejar de bodes, ao roncar de porcos e ao cacarejar de galinhas.
A barulheira só acabava entre as 3h e as 4h, quando se encerravam os cultos de quimbanda (uma religião afro-brasileira) realizados em um casarão de 522 m², avaliado em R$ 2,5 milhões.
No local, dizem vizinhos e membros de associações de moradores, havia o sacrifício constante de animais. Até os lixeiros com quem a Folha conversou reclamaram dos restos mortais que tinham de recolher quase todos os dias.
"Era uma bagunça. Não temos nada contra a religião das pessoas que vivem lá, mas isso tem que ser feito em um lugar adequado, e não em uma área residencial", disse Olívia Costa, membro da associação de moradores. Conforme os vizinhos, entre 20 e 50 pessoas se reuniam em cada culto.
LOCAL ESPECÍFICO
Na última terça-feira, fiscais da subprefeitura lacraram o imóvel com blocos de concreto na entrada. "Identificamos que havia atividade religiosa em área estritamente residencial, o que é proibido", disse o supervisor interino da Subprefeitura de Santo Amaro, Rogério Alves.
Desde o ano passado, ao menos seis multas totalizando quase R$ 30 mil foram emitidas para o dono do imóvel, Chafic Rassul Neto. Nenhuma foi paga e um processo judicial foi aberto para cobrá-lo.
Policiais acompanharam os fiscais, mas, no dia da ação, não flagraram o sacrifício ou maus-tratos a animais. Doutora em sociologia e pesquisadora de religiões afro-brasileiras, Solange Vaini diz que o sacrifício de animais para fins religiosos, como na quimbanda, não é ilegal, mas só pode ser realizado em locais específicos.
"Se a coisa for feita de forma legalizada, não tem problema. Ainda há um certo preconceito com essas religiões. Por que quando o barulho é em uma igreja evangélica o rigor é diferente?"
OUTRO LADO
Procurado por meio de dois advogados, o dono do imóvel não foi encontrado. De acordo com moradores do bairro, apesar de Pontes ser o dono da casa, quem vive lá são sua ex-mulher e um companheiro dela. Ontem a reportagem não os localizou. Aos fiscais eles negaram realizar cultos abertos ao público e disseram que só seus familiares vão à casa.
Colaborou EDUARDO GERAQUE
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