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28/08/2011 - 15h30

Morte de bezerro acirra 'guerra' de ONGs contra a Festa do Peão

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ANA SOUSA
DE RIBEIRÃO PRETO

A morte de um bezerro no último final de semana após uma prova de bulldog na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos amplificou as críticas de entidades de proteção animal sobre maus-tratos no principal rodeio do país.

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Além de protestar contra a prova do bulldog (na qual o bezerro é imobilizado), ONGs voltaram a questionar o manejo dos animais no rodeio.

No bulldog, um bezerro foi retirado da arena carregado após ser derrubado. Ele caiu e ficou imóvel ao ser derrubado por Cesar Brosco.

Como não se levantava, precisou ser levado na carroceria de um veículo. Ao ser constatado que ele ficou tetraplégico, foi sacrificado.

Os Independentes, entidade que organiza a festa, nega que haja maus-tratos nas modalidades em Barretos.

Para a presidente da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais), Vanice Orlandi, a crueldade é inerente ao rodeio. Ela diz que um laudo da USP mostra que o bulldog pode provocar hemorragia interna nos bezerros.

"A queda forçada do animal pode gerar o rompimento de um órgão."

Silva Júnior/Folhapress
Peão durante a prova do bulldog na arena de Barretos; animal foi sacrificado após ficar tetraplégico
Peão durante a prova do bulldog na arena de Barretos; animal foi sacrificado após ficar tetraplégico

O uso do sedém (cinto de couro amarrado na virilha de touros e cavalos) também é visto por ela como maus-tratos. "Estudos mostram que o animal identifica qualquer toque no baixo ventre como uma ameaça."

Para Carlos Rosolen, do PEA (Projeto Esperança Animal), o uso do condutor de choque, com baixa amperagem, para levar animais às baias também é questionável.

"A exposição da morte fez com que pessoas que nunca tinham parado para pensar no assunto refletissem e se manifestassem contra."

Além das críticas a instrumentos e práticas habituais das montarias, as ONGs também relatam que os animais ficam estressados pelo excesso de luz e barulho do rodeio.

Há cinco anos, a prova do laço foi proibida após intervenção da Promotoria, que agora também investiga a morte do bezerro. Segundo a promotora Adriana Nogueira Franco, do Meio Ambiente, a festa terá dez dias para dar explicações. "Vou anexar a resposta ao inquérito e devo pedir a perícia de uma faculdade especializada."

A partir do resultado, ela pode propor o fim da prova ou fazer um acordo com a organização para evitar a morte de outros animais.

A advogada Viviane Alexandre, representante da WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), diz que acompanhará o caso. "Queremos que a legalidade da prova seja apurada", disse.

 

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