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Polícia Civil pede prisão de 4 PMs da Rota por morte em Osasco (SP)
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ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil de SP, pediu à Justiça a decretação da prisão temporária dos quatro policiais militares da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) envolvidos na morte do representante comercial Paulo Alberto Santana Oliveira de Jesus, 26, no dia 27 de setembro, em Osasco (Grande São Paulo).
PMs da Rota são presos por morte em Osasco (SP)
Ônibus é incendiado durante protesto de moradores em SP
Grupo protesta contra a PM após morte de suspeito em SP
Um dia após a morte de Paulo Jesus, por suspeitas de que ela não ocorreu em um tiroteio, conforme alegaram à Polícia Civil os quatro PMs da Rota, a Corregedoria da Polícia Militar decidiu prendê-los administrativamente, por ao menos cinco dias.
Com a prisão administrativa, os PMs da Rota não foram levados para o Presídio Militar Romão Gomes, no Jardim Tremembé, na zona norte de São Paulo. Isso ocorrerá caso a Justiça determine a prisão temporária deles pedida pelo DHPP. Até a decisão da Justiça, eles continuam na Corregedoria da PM.
MORTO EM CASA
Após a morte de Paulo Jesus, cerca de 300 moradores do Jardim Elvira, periferia de Osasco, fizeram vários protestos contra o que classificaram como a "morte de um inocente".
Os moradores fecharam ruas, atearam fogo em pneus e entraram em confronto com a Polícia Militar. Um ônibus foi incendiado no bairro.
Segundo a PM, Paulo Jesus foi morto no corredor de sua casa ao atirar contra quatro PMs da Rota, espécie de tropa especial da PM. Nenhum policial ficou ferido na ação.
A PM diz que foi à casa de Paulo Jesus checar uma denúncia anônima que o apontava como suspeito de integrar uma quadrilha de ladrões de carga.
Os PMs da Rota afirmaram que receberam a informação de que ele guardava as armas usadas em um assalto ocorrido no dia 11. Dentro da casa, os policiais disseram que encontraram um carregador com 18 munições de pistola.380 e 31 de fuzil calibre.223.
Duas testemunhas ouvidas pelo DHPP (departamento de homicídios) negaram que houve enfrentamento entre os PMs e Paulo, que não tinha passagens pela polícia.
Uma dessas testemunhas foi incluída em um programa de proteção porque teme ser assassinada por ter contado à Polícia Civil e à Corregedoria da PM o que disse ter visto os PMs fazendo com o representante comercial.
O pai dele, Francisco Oliveira de Jesus, 52, diz que o filho foi baleado quatro vezes no peito quando estava de joelhos. Ele negou que o representante comercial, que era casado e pai de uma menina de seis anos, estivesse armado.
OUTRO LADO
Os quatro PMs da Rota envolvidos no caso disseram à Polícia Civil que foram atacados primeiro e, ao revidar, atingiram Paulo de Jesus.
Até agora, as polícias Civil e Militar não divulgaram a identidade dos quatro PMs.
O tenente-coronel Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, comandante da Rota, foi procurado pela Folha, mas não foi localizado.
O Comando-Geral da PM informou que "o confronto é investigado" e que fatos novos sobre o caso serão "levados ao conhecimento da sociedade, desde que não atrapalhem as apurações".
A Corregedoria da PM e o DHPP também investigam o sumiço de R$ 900 que estavam com Paulo. O dinheiro era para pagar a parcela de um carro usado por ele para trabalhar, diz Francisco.
A família afirma ainda que os PMs o levaram para um hospital distante do bairro, ignorando um pronto-socorro que fica próximo.
"NÃO MATAVA NEM BARATA"
Paulo de Jesus era considerado um "ótimo funcionário" por seu empregador, Francisco Paulo de Souza, 46, encarregado de transporte de uma empresa de logística, em Osasco.
Souza disse que Paulo "não matava nem uma barata" e que ele tinha total confiança no funcionário.
Contratado em fevereiro deste ano para entregar materiais promocionais, Paulo utilizava uma Fiorino para trabalhar como autônomo. "Ele tinha tudo para ir pra frente. Era um cara muito atencioso", afirma o patrão.
Torcedor do São Paulo, era conhecido no bairro pelas brincadeiras que fazia com os vizinhos em dia de jogo.
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