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03/10/2011 - 09h58

Clientes aproveitam Center Norte vazio para pedir desconto

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NATÁLIA CANCIAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Center Norte tem sofrido com a queda de movimento desde a divulgação do risco de explosões em seu interior. Quem não desistiu de frequentar o shopping vê a oportunidade de obter descontos.

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"Sabe se tem liquidação?", perguntou o organizador de eventos Vagner Soares, 47, logo ao entrar no centro comercial da zona norte paulistana com os filhos ontem à tarde.

"Já veio cliente pedir até 95% de desconto", disse Felipe Augusto, vendedor de uma loja de moda masculina.
Nas poucas lojas que anunciam liquidações, funcionários dizem que a estratégia não está ligada ao problema do shopping, que mantém as portas abertas por força de uma liminar na Justiça.

A prefeitura queria fechar o local baseada em relatórios da Cetesb (agência ambiental do Estado) que apontam potencial de explosão no interior do edifício por causa de concentração de gás metano.

Esse gás é produzido por materiais decompostos -o shopping foi construído nos anos 1980 sobre um lixão.
Clientes mais antigos também passaram a ligar para as lojas e a pedir para entregar os produtos em casa.

"Há quem peça para buscar em outra loja da rede", afirmou Ângela Cardoso, gerente de uma loja de produtos de cama, mesa e banho.

A Folha percorreu o shopping no sábado e no domingo e viu alguns corredores quase vazios. Antes, o local atraía 120 mil pessoas por dia aos finais de semana. Apesar de confirmar a queda, o Center Norte não tem estimativas de quantos clientes perdeu.

A dona de casa Matilde dos Santos, 72, estranhou o baixo movimento. "Antes, não se achava lugar para sentar."

O shopping nega risco de explosão. Está agora instalando drenos para liberar o gás, a partir de acordo assinado com o Ministério Público na semana passada.

Leticia Moreira/Folhapress
Crianças brincam em área vazia do shopping Center Norte
Crianças brincam em área vazia do shopping Center Norte
 

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