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04/10/2011 - 17h26

PF investiga advogados do traficante Marcinho VP

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MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO

Cinco anos de detenção em presídios federais não fizeram o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, perder seu poder sobre o Complexo do Ale­mão, na zona norte do Rio. A PF (Polícia Federal) investiga o papel dos advogados do traficante na manutenção de seus contatos com os "co­mandados" ainda em liberdade.

Réu em um processo que tramita no Tribunal de Justiça no Rio, um dos advogados de Marcinho VP, Alberto Santos Pereira, é acusado pelo Ministério Público esta­dual de "colaborar com grupo, organização, associação destinados à produção/tráfico de drogas".

Pereira, defensor do trafi­cante desde 1999, prestou, há dois meses, depoimento na Polícia Federal para explicar um bilhete apreendido com ele após visita ao crimi­noso, em 2008.

Na ocasião, Marcinho VP cumpria pena no presídio federal de Catanduvas (PR). Hoje está na unidade de Porto Velho (RO). VP é suspeito de estar por trás dos conflitos entre mora­dores e militares e da tentativa de invasão do tráfico ao Complexo do Alemão, em setembro.

O advogado nega que pas­se informações e ordens de Marcinho VP para traficantes de sua facção, o Comando Vermelho. "Só falo com ele sobre inquéritos, processos e informações de conhecidos dele", disse à Folha. Ele afirma visitar o cliente em Porto Velho a cada mês e meio.

De acordo com agentes penitenciários, durante as vi­sitas em Catanduvas, Alberto Pereira suspeitava que suas conversas com o cliente esta­vam sendo gravadas.

Separados por um vidro, que impede qualquer conta­to, Pereira escrevia as respostas das perguntas feitas por Marcinho. Depois mos­trava ao criminoso para con­firmar a mensagem.

No bilhete apreendido, Marcinho pergunta a respeito do preso a quem a facção teria dado uma pistola nove milímetros para matar o rival Celsinho da Vila Vintém. Pereira afirma que o trecho ("Você lembra do preso do hospital penitenciário que levamos uma 9 para passar o Celsinho?") diz respeito a um processo ainda em curso, e que por isso não pode falar sobre ele.

O traficante também per­gunta sobre a morte da amiga de infância identificada pelos policiais federais apenas como Claudinha. Segundo agentes federais, ela era o con­tato entre o Comando Vermelho e o PCC. Também levava dinheiro para a favela de Vila Norma, na Baixada Fluminense, onde Marcinho nasceu. Claudinha foi morta. Se­gundo as investigações, os autores do crime foram executados a mando de Marcinho VP.

Em outro trecho da carta, de acordo com a PF, o advogado diz ao traficante que "PH está com 20 canetas, comprou 12 e vai chegar dez pelo Tubarão e Cabeça". Segundo a PF, Tubarão e Cabeça são traficantes de armas.

Em seu depoimento na PF, o advogado confirma que "canetas" são fuzis. Depois da confirmação, diz que soube disso através de matérias de jornais.

A juíza Denise Vaccari, da 19ª Vara Criminal, pediu que Pereira apresente suas alegações. Ela também quer que a PF aprofunde a investigação. Pereira responde ao pro­cesso em liberdade. Diz que durante as visitas em Catanduvas o traficante "queria saber tudo que saía com o nome dele nos jornais".

"Agora a gente nem entra com papel. Lá em Rondônia ganha-se papel e caneta. Na saída, os agentes pedem para mostrar a eles", afirma o advogado.

Marcinho cumpre pena de 36 anos pela morte de dois jovens no Alemão. As vítimas foram esquartejadas.

 

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