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Mãe que viu filho matar as duas irmãs tem alta em Jaú (SP)
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ARARIPE CASTILHO
DE RIBEIRÃO PRETO
Anna Pacheco de Almeida Prado foi testemunha do crime do próprio filho, que no último domingo (2) atirou contra duas irmãs e na sequência se matou, em Jaú (287 km de SP), segundo a polícia.
No local do crime, sua própria casa, ela recolheu a arma --um revólver calibre 38 com três balas a menos no tambor-- próximo ao corpo dele. Momentos depois, foi internada, emocionalmente abalada. Somente na manhã desta terça, a aposentada de 89 anos teve alta.
Ela, que ainda não foi ouvida pela polícia, pode inclusive ainda nem saber que os três filhos morreram na casa onde eles moravam.
O crime ganhou repercussão nacional por dois motivos: envolve um dos sobrenomes mais tradicionais do Estado de São Paulo, a família Almeida Prado --uma das pioneiras de Jaú-- e pode ter sido provocado por uma briga motivada por herança familiar.
Única testemunha ocular do crime, segundo a polícia, Anna só deve ser ouvida nos próximos dias após se recuperar do estado de choque.
"Não a chamei ainda para depor porque não sei como está [o estado de saúde de Anna Pacheco]. Talvez nem saiba das mortes", afirmou à Folha ontem à noite o delegado responsável pelo caso, Euclides Salviato.
Segundo ele, Anna estava presente na casa deles quando o aposentado Francisco Miranda de Almeida Prado, 59, deu três disparos: um em cada irmã --Ana Cecília, 60, e Ana Carolina, 66-- e outro contra sua própria cabeça.
DESESPERO
Um policial militar que acompanhou a idosa à Santa Casa da cidade contou que por diversas vezes ela perguntou sobre o estado de saúde dos filhos. "Ela estava achando que eles seriam socorridos ainda", contou ele, que se apresentou à reportagem apenas como cabo Luiz.
Desesperada na hora do crime, ela chegou a tirar o revólver calibre 38 de perto do filho morto. "No momento de nervosismo, ela disse que escondeu a arma com medo que ele [Francisco] pudesse fazer mais alguma coisa."
Anna teve alta da Santa Casa somente às 9h55 desta terça-feira. O delegado afirmou que esperava ouvir o depoimento dela para confirmar se o motivo da briga foi realmente a divisão da herança.
Segundo Salviato, a PM informou ter ouvido de Anna que a partilha dos bens causou a desgraça. À Folha, porém, cabo Luiz disse não ter ouvido isso da aposentada.
Apesar de trabalhar com essa hipótese, a polícia não tem conhecimento ainda de quais são os bens da família.
"Certamente deve haver imóveis", afirmou Salviato.
À reportagem ontem vizinhos disseram que eles não são ricos. "São família simples", afirmou um deles, que, como vários outros moradores da cidade, não quis se identificar.
Segundo a polícia, outros disseram que havia uma relação harmoniosa entre eles.
DEPOIMENTO
Nesta quarta-feira, o delegado pretende ouvir um quarto filho de Anna, o advogado João Batista de Miranda Prado Neto, que mora em Lençóis Paulista (também 287 km de SP) e não estava em casa no momento da briga, ainda de acordo com a polícia.
"Vamos perguntar ao irmão quando a mãe poderá falar com a gente", afirmou o delegado Salviato.
A Folha tentou ouvir parentes das vítimas em Jaú, mas ninguém quis dar entrevistas sobre o caso. Nem vizinhos quiseram falar.
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