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01/02/2012 - 08h30

Cracolândia é o tema do segundo Diálogos da Rede Folha

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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Trazer à tona um retrato realista da situação dos moradores e frequentadores da cracolândia, no centro de São Paulo, sob a perspectiva de quem vivencia o dia a dia da região, ante as recentes ações para sua recuperação. Esse foi o ponto central da segunda edição dos Diálogos da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, realizado no último dia 24 de janeiro.

A atuação da Polícia Militar, afirma o coronel Alvaro Batista Camilo, comandante da PM, só aconteceu após a mudança de paradigma das pastas de Assistência Social e de Saúde do município. Até então, a PM estava inerte na região porque fora "orientada [por essas secretarias municipais] a não agir para dar espaço à assistência social".

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"Eles chegaram categoricamente, a Assistência Social e a Saúde, em uma reunião no Palácio do Governo [e disseram]: 'Não temos condições de trabalhar'. Precisamos que a polícia retire os traficantes para podermos acessar os usuários", ressalta Camilo, que participou do programa, mediado por Vaguinaldo Marinheiro, repórter especial da Folha, ao lado de Raquel Barros, da ONG Lua Nova, e Lucas Carvalho, do Projeto Quixote.

Para Camilo, embora com o mesmo foco -o resgate das pessoas- a ação dos diferentes atores "nunca deve ser conjunta". "Onde atua a polícia, não atuam assistência social e saúde. O foco da policia é quebrar a logística do tráfico. É criar condições para que outros órgãos trabalhem", defende.

A empreendedora social e psicóloga Raquel Barros questiona a abordagem inicial da PM, feita "no tranco", mas defende a internação compulsória se for para gerar proteção, vínculo e desenvolvimento de potencial.

Especializada no trabalho com mulheres grávidas em situação de risco, Barros denuncia que mulheres são usadas na Cracolândia como fornecedoras de bebês para traficantes de crianças. "Essa pessoa engravida mulheres de lá e que depois pega a guarda do filho e vende. Como se fosse uma máfia de venda de crianças nascidas ali."

Na avaliação de Lucas Carvalho, cujo projeto focaliza crianças nessa região, a retirada da população não evitará que problemas como esses aconteçam no entorno. "Tem muito crime de menores, aliciamento. Ainda há em muitas crianças que atendemos que fazem programas em troca da droga."

Por isso não se diz otimista com a operação. "Não é um fenômeno de droga, é um fenômeno maior que está muito além do uso e abuso do tráfico de crack naquela região", comentou.

EMPREENDEDORES SOCIAIS

A série "Diálogos com a Rede Folha" conta com integrantes da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais. Lançada em 2011, a Rede Folha é formada por 50 organizações chanceladas pelos prêmios Empreendedor Social e Empreendedor Social de Futuro, da Folha, que juntas beneficiam, 2,3 milhões de pessoas, direta e indiretamente, em áreas como ambiente, educação, inclusão e saúde.


 
 

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