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10/11/2011 - 16h21

Um lugar ao sol

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CLÁUDIA COTES *

Pessoas com deficiência não precisam e nem querem migalhas sociais. Elas querem educação, trabalho, esporte, arte e lazer.
Quando vejo três jovens profissionais que se unem para tornar a praia, um local acessível para as pessoas com deficiência, penso: - Nossa, como esta ideia não foi implantada antes?

E concluo que coisas geniais são baseadas na simplicidade do ser humano. Precisamos sim é de calor humano, de uns pensando nos outros, de integração, de respeito na diversidade, de diversão dividida.

Muitas vezes, é a dificuldade que gera o melhor de nós.

Henrique Saraiva, surfa de joelhos, na prancha. E tem total intimidade com as ondas. A deficiência não faz a mínima diferença.

Ele poderia só ter conquistas pessoais e ficar satisfeito com isso. Mas não. Resolveu dividir, compartilhar.
Luana Nobre, que tem nobreza até no nome, é uma das integrantes da ONG "[AdaptSurf]": http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/finalistas/2011-henrique-luana-luiz.shtml. Ela relata sobre a importância de profissionais estarem envolvidos neste projeto, dos cuidados físicos da pessoa com deficiência ao entrar no mar, surfar, das possibilidades de lazer e da aceitação do próprio corpo, sem preconceitos.

Cada um deve saber da beleza de ser o que é.

Phelipe, que também é Nobre no sobrenome e nas atitudes, deseja que todas as praias brasileiras sejam acessíveis.

Claro! Eles estão cobertos de razão.

A praia é o local mais democrático e belo que existe. O mar é de todos e lá não existe distinção de cor, raça, classe social, tipo físico. E é neste local que estamos quase desnudos. Somos do sol, e a natureza nos invade, em uma harmonia que faz muito bem para a alma.

Fazer acessibilidade na praia, não só do Brasil, mas do mundo inteiro, é urgente, necessário, útil e universal.
Esta é uma ideia que deve tornar-se política pública. Cada praia com locais acessíveis e profissionais especializados para receberem quem quiser se divertir. Toda a infraestrutura necessária. Equipamentos, pessoas treinadas.

Todos nós, seres humanos, devemos surfar nesta onda.

A onda que transforma, inclui e faz o que precisa ser feito.

A Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, até ontem formada por 38 Instituições, ganhou mais 11 integrantes. O Prêmio Empreendedor Social de Futuro e Prêmio Empreendedor Social 2011 reúnem pessoas que pensam e agem, que acreditam nas suas próprias maluquices e com elas, alimentam o mundo.

Não somos heróis e nem lunáticos. Somos visionários sim, mas acima de tudo, temos a capacidade de morrer e renascer em nós mesmos.

E gostamos de dividir...

Se pudermos somar, dividir e multiplicar, será muito melhor.

Um lugar ao sol é direito, é correto.

Um lugar ao sol para você e para mim.

Um lugar ao sol para cada cidadão brasileiro, espanhol, japonês, italiano, com ou sem deficiência.

Um lugar ao sol, a comunhão com o mar, o lazer e o prazer. Para TODOS.

*Cláudia Cotes - é fonoaudióloga, fundadora da ONG Vez da Voz e finalista do Prêmio Empreendedor Social 2009


 
 

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