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Claudio Pádua e Suzana Pádua

Quem são eles?

Claudio Pádua, 61 anos, Biólogo e Suzana Pádua 58 anos, Designer e educadora ambiental

Ambos nasceram no Rio e moram em Brasília

O casal tem três filhos e um neto

Juntos, fundaram o Ipê, que cria modelos inovadores de conservação da biodiversidade com benefícios socioeconômicos por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis

Inovação: Criou método próprio de atuação, baseado em participação e pesquisa e que introduz educação ambiental com alternativas de desenvolvimento em comunidades empobrecidas, a fim de integrá-las ao ambiente

Impacto social: Beneficia diretamente mais de 10 mil pessoas em cinco Estados (AM, MS, PA, PR e SP)

Sustentabilidade: O instituto se financia por meio de parcerias com as esferas públicas e privada e com o terceiro setor (80%), da prestação de serviços (17% ) e da venda de produtos (3%)

Alcance: A experiência nascida no oeste paulista, se expandiu gradativamente para outras seis regiões do Brasil e, por meio dos cursos oferecidos, de intercâmbios e de participações em seminários internacionais, muitos dos conhecimentos gerados pelo Ipê são levados ao exterior, sobretudo a países da América Latina e aos EUA.

www.ipe.org.br

Terreno fértil

Mentores da 3ª maior ONG ambiental do país, casal inova ao integrar comunidades empobrecidas à paisagem local

ANDRÉ LOBATO
Colaboração para a Folha de S.Paulo
CÁSSIO AOQUI
da Folha de S.Paulo

O administrador Claudio, 61, e a designer Suzana Padua, 58, podem ser vistos como um casal comum.

Conversam sobre os filhos antes de dormir, trocam olhares ora carinhosos, ora de reprovação, pensam na viagem de fim de ano em família e planejam as contas a pagar.

O biólogo Claudio e a educadora Suzana também formam uma dupla fora do comum.

Criaram a terceira maior ONG ambiental brasileira, o Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas), pioneira no país ao abrir um curso próprio de mestrado.

A diferença nada tênue entre o trivial e o especial está em uma característica preponderante que põe em relevo o casal -o primeiro a vencer o Prêmio Empreendedor Social no Brasil: sua natureza agregadora.

Juntos, Claudio e Suzana são os principais responsáveis por uma teia de mais de 10 mil pessoas, entre beneficiários do Ipê e seus apoiadores.

Ao instituto, integraram desde empresários de renome, como Guilherme Leal, da Natura, e Juscelino Martins, do Grupo Martins, até assentados do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e gestores locais.

Nessa trilha nem sempre bem demarcada, contaram com a força mútua de quem se complementa pelas diferenças.

Alto, reflexivo e de fala mansa, Claudio se encarrega no Ipê dos ramos técnicos e acadêmicos voltados à conservação da biodiversidade.

Baixinha, enérgica e de riso estridente, Suzana cuida da raiz social do instituto.

"Ela é a parceira, a alma gêmea desse processo e uma boa parte da energia de tudo o que aconteceu. A gente se complementa muito", define Claudio, que, ironicamente, aproximou-se de Suzana pela admiração que nutria por seu pai, à época um exímio caçador carioca.

O namorico na sala de caça foi o inusitado começo de um casamento em prol da conservação ambiental aliada ao desenvolvimento sustentável local que já dura 37 anos.

Plantar verde

Até que o Ipê florescesse maduro nas seis regiões em que atua pelo Brasil, contudo, muito verde teve de ser plantado.

De famílias tradicionais -Claudio é sobrinho do ex-governador Valladares, de Minas, e Suzana, bisneta do representante do rei de Portugal no Brasil-, deixaram a vida confortável de executivo e designer, respectivamente, para se embrenharem nas matas selvagens no Pontal do Paranapanema (SP).

"Pensei: 'Ou me dedico a ganhar dinheiro para comprar o meu tempo ou me dedico a fazer o que gosto para ganhar o meu tempo'", teoriza Claudio, que ficou com a segunda opção, ao voltar do mestrado nos EUA.

Se, para o biólogo, nada o faria desviar-se de sua missão -a de trabalhar a biologia da conservação e salvar o mico-leão-da-cara-preta-, para Suzana, tratou-se de um começo árido.

"Não tinha dinheiro para pagar a conta de luz, peguei leishmaniose, e os 'coronéis' ameaçavam meus filhos. Fiquei magoada com a vida, com o Claudio, doía por dentro", lembra.

Mas a revolta inicial aos poucos deu lugar a um novo olhar: o da educação ambiental, que transformou as atividades realizadas pelo marido, focadas na ecologia, e foi definitivo para que o Ipê fincasse as raízes atuais, com o viés social.

"Embora ela tenha levado um tempo para se engajar, no momento em que entrou, fez toda a diferença", diz Claudio.

De estudos ecológicos, o programa expandiu-se para educação ambiental, recuperação de habitats e soluções de desenvolvimento para comunidades.

Para o futuro, o Ipê semeia a integração de economia, ambiente e sociedade.

O pagamento de serviços ambientais, como a absorção de CO2 -em discussão neste momento em Copenhague-, já é ensinado a gestores públicos nos projetos.

"Quero colocar a conservação no centro da economia. É uma missão forte, que está no meu coração", crava Claudio.

"Chorei no início no Pontal, mas chorei muito mais quando fui embora. A sensação de ter feito diferença dá uma sensação de propósito na vida, e isso me transformou para sempre", complementa Suzana.

Modelo une comunidades, fauna, flora e política

Nos locais onde atua, o Ipê adota um modelo integrado de conservação, que inclui pesquisa de espécies ameaçadas, educação ambiental, restauração de habitats, desenvolvimento comunitário sustentável, conservação da paisagem e envolvimento em políticas públicas.

"Começamos em cada local com uma espécie ameaçada, o que não incomoda a princípio, até chegarmos às políticas públicas", revela Claudio Padua.

"Traçamos regiões e decidimos o que queremos fazer. Isso dá foco para obter mudanças centrais", reforça Suzana Padua.

Com a cultura de abrigar quem ali encontrar solo fértil, o Ipê possui 30% de sua equipe com mestrado ou doutorado.

Esse quadro permitiu a criação do primeiro mestrado autorizado pelo MEC a uma ONG.

A Escas (Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade) hoje funciona em um sítio, em Nazaré Paulista, e tem um campus de 4.000 m2 em construção.

"Buscamos aliar conservação da biodiversidade com sustentabilidade das comunidades", diz Suzana.

"Não queremos pouca coisa. Queremos algo que dê uma contribuição para o mundo."

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Conheça mais sobre o Instituto de Pesquisas Ecológicas

Conheça o modelo Ipê de conservação

A missão do Ipê é desenvolver e disseminar modelos inovadores de conservação da biodiversidade que promovam benefícios socioeconômicos por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis.

Para isso, realiza atividades focadas em:

  • pesquisar espécies raras ou ameaçadas e implementar planos de manejo conservacionista, integrando natureza com cativeiro, por meio da adoção de técnicas de introdução, reintrodução e translocação dessas espécies;
  • desenvolver programas de educação ambiental e extensão agroecológica com as comunidades vizinhas às áreas naturais;
  • promover a capacitação de profissionais em várias áreas da conservação, especialmente em biologia da conservação;
  • influenciar políticas públicas que beneficiam a conservação da biodiversidade no Brasil;
  • restaurar, regenerar e reconstruir o habitat de espécies ameaçadas de extinção;
  • obter apoio financeiro para os projetos em andamento;
  • desenvolver projetos de capacitação e propor alternativas sustentáveis de geração de renda para as comunidades do entorno das áreas protegidas a fim de diminuir a pressão sobre o ambiente;
  • promover parcerias com empresas que adotam responsabilidades socioambientais de modo a ajudar a disseminar o potencial do mundo empresarial nas mudanças necessárias.

Nos locais onde atua, a organização adota o modelo Ipê de conservação, desenvolvido com base nas experiências obtidas com os anos de trabalho.

Trata-se de um modelo de ação integrado que inclui pesquisa de espécies ameaçadas, educação ambiental, restauração de habitats, envolvimento comunitário e desenvolvimento sustentável, conservação da paisagem e envolvimento em políticas públicas.

Um dos objetivos do Ipê é conservar a biodiversidade respeitando as tradições das comunidades do entorno dos locais que precisam ser protegidos e onde são realizadas as pesquisas.

As alternativas sustentáveis de geração de renda surgem para criar novas fontes de sustento para as famílias dessas regiões, o que auxilia na diminuição da pressão humana sobre a biodiversidade local.

Em termos organizacionais, o instituto está estruturado em três blocos de atuação.

O primeiro são as atividades de campo, com seis áreas em três biomas (mata atlântica, Amazônia e pantanal).

O segundo foca a educação, com uma escola de cursos de curta duração (o Centro Brasileiro de Biologia da Conservação/CBBC) e o mestrado da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (Escas).

Finalmente, o terceiro cuida dos produtos comunitários, atendendo à base da pirâmide social com soluções de desenvolvimento sustentável, com vistas à independência dos beneficiários.

Avaliação, impacto social e resultados

O instituto desenvolve metodologias para avaliar aspectos como os impactos ambientais, sociais, educacionais e políticas públicas

Os beneficiários dos programas do Ipê variam de acordo com o projeto.

No Pontal do Paranapanema, o nicho mais desenvolvido do instituto, existem mais de dez projetos interligados.

Entre os últimos resultados alcançados pelo instituto, destacam-se:

  • Na esfera ambiental: restauração de 600 hectares de mata atlântica; produção de 890 mil mudas em viveiros agroecológicos; distribuição de 11 mil mudas de espécies nativas à comunidade; plantio de um banco de recursos genéticos, com 3.000 mudas de espécies da mata atlântica; reintrodução de dois peixes-bois da Amazônia na natureza (inédito no Brasil); abertura de um site no Pantanal para expansão da Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira e captura da primeira anta no Pantanal para instalação de rádio-colar e monitoramento; registro da presença de mamíferos de pequeno e grande portes em corredores e fragmentos florestais plantados pelo Ipê no Pontal
  • Na esfera socioeconômica: criação das cestas agroecológicas como nova alternativa de renda para assentados do Pontal do Paranapanema; instalação dos primeiros pomares agroflorestais em Nazaré Paulista; mapeamento das cadeias de produtos da sociodiversidade
  • Na esfera educacional: capacitação de uma turma de sete alunos para conquistarem em 2009 o título de mestre pela Escas, no mestrado profissional em conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável; mais de cem unidades de conservação beneficiadas com o curso "Introdutório de Gestão de Unidades de Conservação da Amazônia", em parceria com a WWF Brasil; 560 pessoas capacitadas pelos cursos oferecidos pelo CBBC; capacitação da equipe técnica do Ipê (cinco mestrados e dois doutorados concluídos)
  • Na esfera financeira: início das atividades da Arvorar, empresa de soluções florestais subsidiária do Ipê; parceria em marketing relacionado à causa com a Faber Castell

Conheça os projetos do Ipê em seus seis nichos pelo país

São 45 os projetos socioambientais desenvolvidos em seis nichos pelo Brasil. Entre eles, destacam-se:

1) Pontal do Paranapanema

As Águas Vão Rolar: visa atender às necessidades básicas de uma reforma agrária sustentável nos assentamentos rurais

Corredores Florestais: têm como principal objetivo a formação de corredores florestais que permitam o fluxo entre espécies da fauna e da flora isoladas nas ilhas e fragmentos de floresta

Abraço Verde: consiste em uma faixa agroflorestada que envolve o Parque Estadual Morro do Diabo e os fragmentos de matas remanescentes, num grande abraço que garante a proteção dessas florestas e cria uma zona de benefícios múltiplos (com árvores que servem para lenha, madeira, frutos, grãos e forragem), tanto para as comunidades vizinhas como para os ciclos naturais

Café com Floresta: promove a conservação e o reflorestamento da mata atlântica, por meio do cultivo sustentável do café orgânico, aliado ao plantio de árvores nativas da floresta

Jovens ECOnscientes: estimula a busca do potencial transformador do jovem da região, canalizando sua energia para ações que representem benefícios para a natureza e para a sociedade

2) Nazaré Paulista

Nascentes Verdes, Rios Vivos: promove educação ambiental e a pesquisa com fauna silvestre e plantios florestais

Sementes Jovens: capacita jovens da região em diferentes áreas temáticas de forma a atuarem como agentes de restauração florestal e líderes em sustentabilidade socioambiental

Sabores da Natureza: gera alternativas sustentáveis de renda para mulheres do bairro de Santa Luzia, por meio da produção e venda de geleias e biscoitos amanteigados

Costurando o Futuro: capacita mulheres no desenvolvimento de produtos como bolsas e camisetas, com aplicação em tecido 100% algodão ou bordadas a mão, que retratam animais da rica biodiversidade brasileira, aliando negócios com conservação

3) Baixo Rio Negro

Ecoturismo com Bases Comunitárias: ordena o turismo no mosaico de unidades de conservação localizado no baixo rio Negro

Navegando Educação na Amazônia: realiza diagnósticos socioambientais da região e atividades de educação ambiental e sensibilização para a gestão sustentável dos recursos naturais

Programa Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade: amplia a participação das populações tradicionais (ribeirinhas e indígenas) nos processos de gestão do território, adotando técnicas de uso sustentável da biodiversidade, como o manejo dos recursos florestais não madeireiros e o desenvolvimento permacultural

4) Site Zonas Costeiras Ariri-Superagui

Manejo de Pesca e Maricultura: promove a conservação socioambiental da região por meio do manejo racional dos recursos pesqueiros

5) Pantanal

Iniciativa Nacional de Conservação da Anta Brasileira: visa estabelecer um programa de pesquisa e conservação de longo prazo e subsidiar a formulação de recomendações para a conservação da espécie na região

A união do social com o ambiental

A atuação do Ipê se baseia na estratégia integrada de conservação e desenvolvimento, desenvolvida empiricamente ao longo de suas experiências.

Ela começa com o estudo da biologia das espécies isoladas, na tentativa de preservá-las.

Para isso, criam-se programas de educação ambiental, de forma a envolver e conscientizar os atores locais em prol da conservação do habitat.

Paralelamente, a fim de reduzir a pressão econômica que geralmente leva à destruição ambiental, são introduzidos projetos de desenvolvimento sustentável, com atividades econômicas compatíveis com a conservação da paisagem.

Por fim, no intuito de se alcançarem mudanças efetivas, de grande escala e no longo prazo, trabalha-se para influenciar políticas públicas, com o auxílio de pesquisas científicas e a participação ativa da população, já envolvida no processo.

"O ambiental e o social estão juntos. Essa é a combinação que temos de trabalhar. Cada local tem uma espécie ameaçada, uma ponte que não incomoda muita gente quando entramos no local. A partir daí, vamos conhecendo as pessoas, envolvendo-as num relacionamento de longo prazo, até chegar às políticas públicas. É estratégico", revela Claudio.

Em razão disso, diferentemente da maior parte das organizações ambientais, que trabalha por projetos, o Ipê não presta serviços isolados, conforme surge a demanda -sobretudo de grandes organizações internacionais.

"Traçamos regiões geográficas, decidimos o que queremos fazer e buscamos recursos com essa orientação. Isso dá foco, pois as mudanças na nossa área não são feitas em um ano ou dois, são mudanças centrais", reforça Suzana.

A visão de uma das beneficiárias do projeto

"Estou há três anos e cinco meses no Ipê. Sou pernambucana e moro há 14 anos em Nazaré Paulista.

Meu marido veio trabalhar em São Paulo, pois, onde morávamos, na zona da mata de Pernambuco, mal dava para pagar aluguel.

Mas, como ele sempre trabalhou em fazenda, não se adaptou à cidade, por isso veio trabalhar na chácara, comigo e com nossos cinco filhos.

Na verdade, conheço o Ipê há 11 anos. Já havia trabalhado na limpeza e na cozinha do instituto.

Depois, voltamos para tentar a vida em Pernambuco, antes de retornarmos de vez em 2001.

Foi quando conheci uma moça que fazia parte do grupo de mulheres que bordavam em um programa do Ipê.

Sem demora, pedi o telefone e liguei. Agora tenho mais uma família.

Por meio do nosso grupo produtivo, já tirei R$ 600 e alguma coisa, num mês em que fiz 136 camisetas de encomenda.

Foi uma loucura, mas eu precisava de dinheiro e meu marido me ajudou cortando as partinhas e ficando comigo até a hora de dormir.

Aliás, ele ainda me ajuda.

Eu contribuo com tudo em casa e, além disso, o Ipê foi fundamental por um motivo: meu filho, hoje com 15 anos, tinha de fazer um tratamento, e eu não tinha condição de pagar nem o hospital o cobria.

Mas eu consegui tratá-lo com a renda daqui. Ele nasceu com a ausência de um nervo, os ossos dele juntam um com o outro. Não pode pegar peso e tem de fazer fisioterapia.

Nestes três anos e cinco meses no grupo, a minha vida mudou muito.

Mudou a questão da renda, da independência, eu posso ter meu trabalho, compro o que quero sem pedir ao meu marido.

Também aprendi muito sobre a questão do ambiente, de não jogar lixo ou deixar espalhado e de plantar em vez de derrubar.

Aqui a gente planta árvores, é um trabalho voluntário.

Tem de preservar. Afinal, o melhor de Nazaré são as represas, um pouco de mato que temos para nós.

Meu sonho agora é que a cooperativa se concretize para que trabalhemos ainda mais."

ISABEL CRISTINA DA SILVA PEREIRA, 36, bordadeira, é presidente da cooperativa (não constituída formalmente) Costurando o Futuro

 
Patrocínio: Coca-Cola Brasil e Portal da Indústria; Transportadora Oficial: LATAM; Parceria Estratégica: UOL, ESPM, Insper e Fundação Dom Cabral
 

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