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Fernando Botelho

Quem é ele?

Fernando Henrique Frederico Botelho, 42, administrador, casado

Organização: F123

Ano de fundação: 2010

www.f123.org/

*dados de 2012

Vítima de uma doença degenerativa que o levou à cegueira na adolescência, Fernando Botelho, 42, teve acesso a todos os equipamentos de ponta para estudar e graduar-se em sociologia nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, criou o F123, negócio social que usa um software livre e torna mais simples a inclusão digital, social e profissional de pessoas cegas ou com baixa visão. O programa equivale a 8% do preço do software para deficientes visuais mais vendido no mercado e beneficiou mais de 700 pessoas.

Programador para a inclusão

A partir das próprias dificuldades, sociólogo desenvolve tecnologia social para sinalizar o caminho da inserção dos deficientes visuais

PAULA LAGO
ENVIADA ESPECIAL A CURITIBA

“Andar no escuro é assustador –no começo”, diz Fernando Botelho, 42, que perdeu totalmente a visão ainda na adolescência. Mas a deficiência não o impediu de ter uma trajetória ascendente.

Formado em sociologia na Universidade Cornell (EUA) e com mestrado em relações internacionais na Universidade de Georgetown (EUA), ele foi consultor da Unctad, agência das Nações Unidas em Genebra, e é fluente em inglês e espanhol.

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Seu passaporte também impressiona –já morou nos EUA, na Argentina, no Chile, na Espanha, na França, nas ilhas Cayman e na Suíça.

Até se estabelecer em Curitiba, há cinco anos, com Flávia de Paula, sua mulher, nunca tinha vivido além de quatro anos em uma cidade.

Seu problema de visão começou aos quatro anos, quando a mãe percebeu que ele tinha dificuldades para encontrar os brinquedos, mas o diagnóstico de retinose pigmentar só foi dado aos nove.

Para reverter o quadro da doença, sua família recorreu até a tratamentos experimentais no exterior. A cura não veio, mas, com o apoio dos pais, Fernando teve acesso a equipamentos de ponta que amenizaram os danos causados pela falta de visão.

COMPETITIVO
Foi então que decidiu estudar sozinho nos EUA. Queria “ser competitivo em uma área que não tivesse a ver com cegueira para ser reconhecido como profissional, não como cego profissional”.

Estudou pesado, ficou popular, foi disputado para dançar no baile de formatura e ainda hoje tem contato com os amigos da universidade. Tudo isso para mostrar que não era “o ceguinho”.

Essa briga contra o estereótipo do deficiente fez ele se expor a todo tipo de situação e lhe rendeu muitos casos saborosos e lembranças difíceis. Em 2001, quando morava em Nova York, estava só na rua, perto do World Trade Center, no dia 11 de setembro mais sombrio da história.

Sua descrição do atentado, porém, é diferente daquela a que estamos acostumados: ele diz que sentia pisar em cinzas e em papéis nas ruas, que havia um silêncio incomum e um cheiro fortíssimo de queimado.

MEDOS
Fernando é obstinado naquilo que traça como meta. Teimoso e sonhador, parece não ter medo de nada. Aliás, de quase nada: nos anos em que viveu no exterior, tudo o que mais temia era ter de voltar a morar no Brasil.

“Eu sabia que tinha potencial, mas que não teria tantas chances aqui, na época. Voltar para ficar revelando filme em quarto escuro ou fazendo vassoura?”

O medo se transformou em oportunidade quando o casal resolveu encarar nova mudança em 2007.

Fernando concluiu que sua atividade na Suíça não o recompensava mais emocionalmente e que era hora de vir para o Brasil. “Eu tinha a percepção de que os cegos poderiam se desenvolver se tivessem tecnologia. O problema era o preço da tecnologia.”

Daí veio o F123, um sistema voltado para os deficientes visuais que utiliza software livre, custa menos do que os oferecidos pela concorrência e ainda possibilita aos programadores a chance de melhorar o produto.

“Vi que, se me concentrasse na área da cegueira, poderia fazer a diferença. E isso por minha experiência anterior, minha formação. Descobri que não tinha mais vergonha, que não estava diminuído por trabalhar nessa área.”

FASE DOS POR QUÊS
Com o nascimento do projeto, ele atraiu para o campo da acessibilidade a mulher, com quem divide há 14 anos variadas experiências nas andanças pelo mundo e hoje, também, o escritório: ele é a parte desenvolvedora, idealizadora. Ela, dentista, atualmente conduz toda a parte administrativa do negócio.

Pelo que ambos dizem, não é ruim conviver por tanto tempo: “A gente não briga e aprendeu a confiar um no outro”, afirma Flávia.

A irmã, Ana Botelho, destaca entre as características do empreendedor “sua incansável vontade de aprender mais em tudo e a incrível teimosia de não desistir frente a uma negação ou obstáculo”. O pai, José Botelho, costuma dizer que o filho “não saiu da fase dos por quês”.

Os amigos o definem como alguém especial. “Ele é altamente empreendedor e, ao mesmo tempo, dotado de consciência social”, afirma Lukas Stückling, com quem trabalhou na Suíça e que hoje é conselheiro do projeto F123.

Fernando conta que sempre teve duas obsessões: provar ao mundo do que é capaz e ser útil a esse mesmo mundo. Porque andar no escuro, afinal de contas, é só uma forma diferente de andar.

Galeria

Assista

Conheça mais sobre o F123

Dados do último Censo, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2010, mostram que a deficiência visual é a que mais atinge os brasileiros (23,9%), seguida pela deficiência física/motora (7%) e pela auditiva (5,1%).

Cerca de 6,5 milhões de pessoas afirmam ter problemas de baixa visão, e mais de 506 mil declararam que são cegas. Esses números correspondem a aproximadamente 3,5% da população brasileira.

Em âmbito mundial, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que existam 180 milhões de deficientes visuais, dentre os quais 45 milhões são cegos e o restante do grupo apresenta algum tipo de visão subnormal (nome técnico dado a baixa visão).

A maioria dos casos de cegueira ocorre nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. A previsão é que o número de casos suba para 75 milhões em 2020, caso não sejam tomadas medidas preventivas adequadas.

A OMS também mostra que o custo econômico da cegueira decorrente da incapacidade da maior parte desse grupo em exercer atividades e serviços para a sociedade é estimado em US$ 28 bilhões por ano, levando em conta o desperdício de recursos e investimentos não realizados.

No tocante a educação, os dados são preocupantes. Voltando ao censo de 2010, a taxa de alfabetização de pessoas de 15 anos ou mais entre as que têm deficiência é de 81,7%, menor do que na população total da mesma faixa etária, que é de 90,6%.

O maior desnível está no grau de escolaridade: 61,1% da população com 15 anos ou mais com deficiência não têm instrução ou têm apenas o fundamental incompleto. Esse porcentual cai 38,2% para as pessoas sem deficiência.

A baixa escolaridade é um dos principais entraves na inclusão no mercado de trabalho de profissionais com qualquer tipo de deficiência.

Ainda de acordo com o censo, dos 44 milhões de deficientes que estão em idade ativa, 53,8% estão desocupados ou fora do mercado. A população que está no mercado de trabalho com pelo menos uma deficiência representava 23,6% (20,3 milhões) do total de ocupados (86,3 milhões) –apenas 40,2% deles possuem carteira de trabalho assinada.

De acordo com pesquisa realizada pelo site I.Social, empresa especializada em inclusão de deficientes no mercado, apesar do avanço significativo com a Lei de Cotas 8.213/91, as empresas preferem contratar pessoas com deficiências “mais leves”, sendo a ordem de preferência: deficiência física (71%), deficiência auditiva (20,3%), visual (7,3%), múltipla (0,9%) e intelectual (0,5%).

Na avaliação de especialistas, o problema se agrava no caso dos deficientes visuais. A percepção de empregadores de que os cegos não são capazes de usar equipamentos eficientemente e a necessidade de investir em instalações especiais –que significam alto custo– são entraves, conforme pesquisa da OIT (Organização Mundial do Trabalho).

É nesse campo que o F123 pode trazer importante contribuição para governos, empresas e Terceiro Setor, democratizando o acesso à tecnologia para deficientes visuais, quebrando o ciclo de dependência e vulnerabilidade. O programa mais vendido comercialmente custa, no mínimo, 12 vezes mais. Apenas o leitor de tela (que transforma os textos em áudio) chega a custar três vezes o valor de um computador convencional.

A facilidade do uso do programa F123, que inclui todo o sistema operacional, aplicativos e tecnologias assistidas (leitor de tela e teclado virtual) para navegar na internet, mandar e-mails e trabalhar em documentos e planilhas eletrônicas, além da portabilidade em pendrives, agrega mais valor ao potencial transformador da iniciativa.

O candidato é o primeiro a criar e investir em um software de baixo custo para deficientes visuais no mundo. Até então, não existia um produto voltado ao atendimento desse público de forma semelhante e com forte impacto social. A inovação proposta não é incremental, mas significativa e radical (acarreta mudança de paradigmas), por romper barreiras do mercado ao optar por fazer o processo de criação e desenvolvimento em plataformas livres, como o Linux, e investir no aperfeiçoamento de programas já existentes para que as soluções tecnológicas encontradas possam atender não só as necessidades dos usuários-alvos do F123 mas de toda a comunidade.

O candidato é franco ao afirmar que não está “inventando a roda”. Seu diferencial está em utilizar e aperfeiçoar o que já está disponível no mundo do softwares livres, mas descobrindo, unindo e adequando esses programas à realidade dos que têm deficiência visual. Por isso a inovação do F123 se dá por dois caminhos: produto e processos.

Produto

  1. O software F123 vem pronto para o usuário final com os seguintes programas, em versões semelhantes ao Windows e ao MS-Office: LibreOffice (documentos), planilha eletrônica e apresentação, navegador Firefox, cliente de e-mail Thunderbird, mensageiro instantâneo Pidgin –que se comunica com redes como MSN, Skype, Google Talk, Yahoo, Facebook e Twitter;
  2. Apresenta fácil instalação e usabilidade, mesmo para o iniciante em informática. Conta com todos os manuais explicativos dentro do F123. São utilizados os melhores softwares em cada categoria;/
  3. É personalizado conforme o perfil e a necessidade do usuário –como escolha do idioma, versão de leitor de texto, tipo de voz eletrônica etc.–, o que possibilita a produção de quase 200 versões do mesmo produto;
  4. O programa é portátil em pendrive e pode ser usado em qualquer lugar. Essa opção é importante para quem não tem um computador próprio ou para empresas, uma vez que o usuário pode conectá-lo ao computador durante o período de uso, sem necessidade de instalação;
  5. Nova versão, lançada em setembro passado, vem com programa de monitoramento de cópias, o que permitirá rastrear o número de usuários.

Processos

  1. Disponibiliza o programa e o conteúdo de capacitação no software livre no Creative Commons, o que permite a distribuição por outras entidades e independência da iniciativa;
  2. Por usar as plataformas Linux, o custo ficou extremamente reduzido em comparação aos similares. O valor por unidade do produto é de R$ 350, enquanto o principal software dessa categoria é vendido a R$ 4.500 (aproximadamente 12 vezes mais);/
  3. Como as vendas estão voltadas para empresas, o volume e a escala são maiores e, consequentemente, há redução do preço do programa –que chegou a ser comercializado a US$ 20 por licença;

Disponibilidade de investir financeiramente em programas parceiros para obter produtos de melhor qualidade. Exemplo: no Ezoom (ampliador de tela), o F123 colocou US$ 5.000 para aperfeiçoamento do produto; no projeto Orca (leitor de tela), injetou US$ 5.000 no ano passado e mais US$ 15 mil recentemente. Não são os únicos investidores: governos e outros beneficiários também dão apoio financeiro a essas iniciativas;

Diferentemente de uma empresa convencional, o objetivo da F123 é ter impacto social e não reconhecimento de autoria da criação.

O tempo todo o candidato busca o aprimoramento dos processos e da produção.

  1. Empreendedor social com alto nível de formação acadêmica/profissional;
  2. Por ser cego, conhece a fundo a questão da exclusão do deficiente visual no que tange a tecnologia;
  3. Perfeccionista e experimentador de novos formatos e plataformas, busca sempre o melhor modelo para o usuário final do produto;

Conhecimento profundo de redes de software livre e do Creative Commons.

Ainda demonstra fragilidade, uma vez que a venda do produto e das licenças, principalmente para entidades e para ONGs, ainda não se comprovou uma fonte de renda segura. Sofre com a instabilidade financeira, apesar de ter duas boas fontes de recursos (Ashoka e Medicor Foundation) nos próximos dois anos. Outro ponto é a tecnologia estar exposta nas redes livres, o que pode ocasionar um produto concorrente e derrubar a venda. Contudo, não há produto similar na faixa de preços em que atua e pode ser escalonado rapidamente, aumentando o impacto.

O relacionamento com colaboradores, parceiros, patrocinadores e beneficiários se dá, sobretudo, na plataforma virtual, principalmente por e-mail e em redes segmentadas. Houve contato direto com governos e ministros em alguns países da América Latina em visitas proporcionadas após o prêmio do BID (Banco de Desenvolvimento Interamericano).

Apresenta parcerias com desenvolvedores de softwares livres e ONGs, porém em quantidade ainda restrita e pouco estruturada em termos qualitativos.

O candidato é membro da Ashoka e recebe uma bolsa mensal dessa rede de empreendedores sociais. Passou pelo processo de aceleração da Artemisia, mas o trabalho não teve continuidade. Desde 2006, participa de um grupo colaborativo internacional de discussões de softwares livres, por meio do qual replica sua atuação.

Orçamento anual (2012): R$ 195.000

Patrocinadores (por ordem de investimento): Medicor Foundation; Ashoka.

O produto criado pela empresa do empreendedor tem capacidade de influenciar a inclusão digital e no mercado de trabalho de um grande número de deficientes visuais no Brasil e no mundo.

Não há um estudo do perfil do usuário do F123 –nem planos para obtê-lo–, ainda que seja relevante para qualquer empresa conhecer seu público-alvo. Em princípio, são pessoas com baixa visão e cegos. O empreendedor social atende a todas as classes sociais, mas com foco prioritário em crianças e jovens sem acesso à informática.

Segundo informações do candidato, são mais de 700 pessoas beneficiadas diretamente, levando em conta as mais de 600 cópias distribuídas do F123 a indivíduos, fundações e ONGs, além da capacitação direta de ao menos 74 pessoas. Não existe, entretanto, um controle efetivo sobre o número de beneficiários.

Por observação, os primeiros beneficiados indiretos são familiares e amigos dos usuários. O F123 aumenta a autonomia do indivíduo e a interação com outros deficientes, que estão dispersos e isolados –a internet possibilita maior aproximação entre eles.

As ONGs compõem o segundo grupo de beneficiários indiretos, já que podem atender melhor esse público.

Por último estão as empresas, que passam a ter acesso a um software de baixo custo que facilita a inclusão de cegos no seu quadro de colaboradores. Contudo, o candidato relata haver preconceito e resistência das empresas ao uso do dispositivo, devido à questão da segurança do sistema interno.

Por se tratar de um software, o programa chegou a outros Estados e países em diferentes formas: capacitações, oficinas e usuários individuais.

O F123 está sendo utilizado em três Estados brasileiros –Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Paraná– e em 22 países –Argentina, Brasil, Costa Rica, Equador, El Salvador, EUA, França, Índia, Irã, Irlanda, México, Paquistão, Peru, Quênia, Reino Unido, Sri Lanka, Suíça, Trindade e Tobago, Tunísia, Uruguai, Zâmbia e Zimbábue.

O casal escolheu viver em Curitiba por razões familiares e por ser uma capital importante com boa acessibilidade e qualidade de vida. O candidato ressalta que poderia estar em qualquer lugar trabalhando com o F123, já que boa parte do desenvolvimento do software acontece no mundo virtual.

No Brasil, houve capacitações no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul e no Paraná. Internacionalmente, foram ministradas oficinas nos seguintes países: Argentina, Costa Rica, Equador, El Salvador, Peru e Uruguai. Nos dois últimos, há parcerias regulares com instituições locais. Em 2012, foram vendidas licenças para a Zâmbia, na África, via concorrência internacional.

A equipe está desenvolvendo o conteúdo e a infraestrutura tecnológica para lançar ainda em 2012 o sistema de ensino a distância, sem depender do deslocamento pessoal para fazer as capacitações, e aumentar, dessa forma, o número de usuários.

Não existe produto semelhante no mercado que atenda a demanda de pessoas com deficiência visual a um custo tão baixo, o que permite escalá-lo rapidamente em relação a outros modelos.

O F123, por si só, é uma coleção de softwares, e o desenvolvimento de cada um deles ocorre por diferentes grupos em diferentes partes do mundo. A cooperação é feita por uma lista de e-mails, em que acontecem as discussões sobre o processo de desenvolvimento, e o código-fonte é disponibilizado em sites especiais, como o GIThub. Isso permite que haja contribuição mútua para melhorar cada projeto envolvido.

Também a licença do F123 está registrada no Creative Commons, que permite a cópia e o compartilhamento com menos restrições do que as licenças tradicionais.

Por falta de recurso e tempo, ainda não existe um manual voltado a ONGs para integrar o F123 ao seu trabalho. É um dos pontos que a empresa pretende focar em breve. A sistematização de formatação do programa é disponível para usuários especializados em informática.

Dar acesso à tecnologia é a forma que Fernando Botelho escolheu para melhorar a vida dos deficientes visuais. Foi a partir de sua história pessoal que começou a prospectar um produto que contemplasse os déficits de formação pessoal e escolaridade desse público, decorrentes da dificuldade de acesso a ferramentas adequadas para essas pessoas se equipararem às sem deficiência.

Delineou como método de atuação unir-se a desenvolvedores dos melhores programas disponíveis em software livre. Em uma via de mão dupla, pensou, palpitou e investiu para chegar ao primeiro protótipo do F123, que usa a licença no Creative Commons para democratizar o conhecimento adquirido –um dos principais diferenciais de seu principal produto.

Também, ainda que de forma pouco estruturada, adotou a estratégia de crescimento combinando qualidade e baixo custo, ao diminuir drasticamente o preço de um software para deficientes.

Nesses primeiros passos como empresa, a despeito dos problemas decorrentes desse estágio, demonstra sua preocupação em aumentar rapidamente o número de usuários e causar forte impacto na vida deles. Por isso focou em crianças e adolescentes para que tenham mais oportunidade de fugir do círculo vicioso e quebrar estigmas. O objetivo ainda não foi atingido –usuários mais velhos tornaram-se o perfil mais comum–, mas a experiência até então tem ajudado a desenvolver o ensino a distância e o novo formato do curso de capacitação a ser reaberto em 2013, com uma carga horária mais condizente com as necessidades dos alunos.

Ensino presencial

Cursos de introdução ao F123, com duração de 80 horas, com oito a dez alunos por turma, oferecidos em ONGs. Foram realizados oito cursos de capacitação em 2011, em duas ONGs em dois Estados, capacitando 74 pessoas. Atualmente está em fase de reestruturação. Voltará como foco principal da empresa em 2013 e passará a ter carga horária de 160 horas, com diminuição do tamanho da turma de oito estudantes para quatro ou seis por sala, e separação entre iniciantes e pessoas que já possuem habilidade com o computador. Serão 20 ONGs a serem selecionadas no Brasil para adotar a capacitação.

Oficinas

São oferecidas para governos, ONGs e usuários que querem conhecer o programa e mostrar seu impacto ao ser adotado em políticas públicas. A duração média é de 5 horas assim divididas: 80% na explicação do produto e seu impacto e os 20% finais com uma demonstração prática.

Ensino a distância

Em fase de construção, deve ser lançado até o final do ano, na previsão do candidato. Não há, contudo, um detalhamento atual sobre o programa.

Depoimentos

“O cego de nascença não tem memória do colibri, não sabe como é o sorriso. Mas vê pelas mãos, anda pela cidade inteira. Eu me sinto privilegiada por poder usar computador. Agora tenho perspectiva, posso escrever livros, fazer cursos. Sei das minhas limitações, mas eu luto. E o F123 ajuda a ter essa independência.”

Luzinete Magaldi Johasen de Moura, 54, dona de casa que ficou cega há nove anos devido a atrofia do nervo ótico e usuário do F123 há um ano

“O deficiente visual é o mais excluído de todos, porque há uma cultura de que a visão é indispensável, não acreditam na potencialidade da pessoa com deficiência. E também há o problema da falta de tecnologia assistida. As empresas não têm o costume de se adaptar às pessoas com deficiência, apesar de ser fácil essa adaptação. Os cegos são excluídos mesmo quando têm qualificação adequada. Não havia um sistema simples, de fácil utilização, barato e que pudesse ficar com a pessoa. Tudo isso o F123 oferece. Percebemos que ele é mais adaptável a ferramentas que as pessoas utilizam nas empresas do que os outros sistemas, como o Jaws e o Virtual Vision, que têm grandes limitações. Para as empresas, cegos servem apenas para telemarketing, surdos são voltados para operação na fábrica, deficientes físicos têm um estigma menor, e os deficientes intelectuais ficam no supermercado, nos serviços. Deficiente é a sociedade, que não está preparada para atender pessoas em condições diferentes.”

Andréa Moreira Castilho Koppe, 43, diretora da ONG Unilehu (Universidade Livre para Eficiência Humana)

“Fernando é inteligentíssimo e uma pessoa com padrões éticos muito altos. O que ele conquistou, sendo cego, é inacreditável. Ele sempre se preocupou em ajudar as pessoas que têm menos oportunidade do que ele. O F123 não é só uma iniciativa caridosa bacana mas uma abordagem com um imenso potencial global. Na minha opinião, o F123 vai transformar a questão da cegueira de deficiência em oportunidade.”

Lukas Stücklin, 38, diretor da Invethos AG na Suíça e conselheiro do F123

“Eu sempre vi em meu irmão um guerreiro, porque a cada entrave que a vida lhe jogava eu o via mais determinado a superá-lo, qualquer que fosse o obstáculo.”

Ana Cristina Fedrigo Botelho, 38, tradutora e irmã de Fernando
 
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