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Artesãos de comunidades tradicionais fluminenses recebem capacitação digital
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DE SÃO PAULO
A Ninui iniciou no mês de junho as atividades do Projeto Caico (Capacitação Digital para Inclusão Comercial) que beneficiará 80 artesãos de comunidades tradicionais de Paraty, formadas por caiçaras, quilombolas, indígenas e caipiras.
O projeto é financiado pela Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e conta com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, do Banco do Brasil e da Prefeitura de Paraty.
A ideia de ajudar os artesãos da região sul-fluminense a vender seus produtos pela internet e surgiu da análise do histórico de dificuldades e limitações que essas comunidades tradicionais enfrentam para transformar seu trabalho em renda. Após o processo de criação e fabricação de suas peças e adereços, quase todos artesãos enfrentam diversas barreiras de logística e de operação comercial.
O Caico terá a duração de 16 meses. As atividades serão divididas em conteúdos: Introdução ao programa; Introdução ao comércio eletrônico (Web e Mobile); A loja virtual; Oficina de fotografia; Oficina de vídeo; Oficina de texto; Oficina de e-marketing; Oficina de atendimento ao cliente; Aplicação das técnicas de Texto e e-marketing; Lançamento das lojas; Acompanhamento e apoio pós-lançamento; Encerramento e análise dos resultados
O projeto contempla ainda a criação e operacionalização da "Rota do Artesanato", que levará turistas, pesquisadores e estudantes até as comunidades tradicionais participantes do projeto, para que conheçam e vivenciem os processos de criação e produção de artesanato em cada um dos locais envolvidos.
Leia a seguir entrevista feita com Karina Rehavia, sócia-diretora da Ninui e integrante da Rede Folha de Empreendedores Sociais.
Como foi feita a seleção dos 80 artesãos?
Kariana Rehavia - A seleção dos artesãos a serem beneficiados foi feita em conjunto com as próprias comunidades. Identificamos interlocutores locais, que se transformaram em parceiros do projeto e nos ajudaram a identificar em cada comunidade aquelas pessoas que estavam mais disponíveis ou preparadas para as oficinas de capacitação. Selecionamos artesãos que já tivessem um processo produtivo organizado, com capacidade de atender a demanda de encomendas que viessem a acontecer através de suas lojas online.
Eles são de quais comunidades?
Karina - As comunidades tradicionais beneficiadas pelo Projeto Caico são: Mangueira e Ilha das Cobras; São Roque e São Gonçalo; Aldeia Itaxi (Paraty Mirim); Associação Cairuçu; Pouso da Cajaíba e Calhaus; Ilha do Araújo e Praia Grande; Aldeia indígena Rio Pequeno;
e Corredor Turístico do Caminho do Ouro
Alguns artesãos já têm um pouco de conhecimento de informática?
Karina - Em sua maioria, os beneficiados pelo Projeto Caico não têm nenhum conhecimento de informática. Constatamos que 95% dos participantes não tem endereço de e-mail.
Quando as aulas começaram efetivamente? Serão quantas horas/dia de aula?
Karina - A primeira oficina aconteceu no dia 21 de junho na Secretaria Municipal de Promocão Social, em Paraty, com artesãs dos bairros Mangueira e Ilha das Cobras. Para cada comunidade as oficinas acontecem uma vez por semana, durante sete semanas.
Você tem uma projeção de quanto as vendas deles poderão ser incrementadas se criarem lojas virtuais?
Karina - Não costumamos fazer este tipo de cálculo para não criar expectativas equivocadas, mas projetamos resultados muito positivos, mesmo sabendo que nenhum destes artesãos usa a internet para se comunicar ou se informar. Nossa missão é preparar estas pessoas para que consigam competir com um mínimo de chances no mundo do comércio eletrônico, das novas tecnologias. E não há dúvida que, ao ensiná-los a levar seus produtos para a internet, estamos ajudando estes artesãos a se apoderarem de uma nova matriz de conhecimento comercial, pessoal e coletivo.
Além da inclusão digital por meio do curso, há planos para que os beneficiários também tenham acesso a compra de computadores/câmeras?
Karina - Sempre buscamos parceiros públicos e privados que tragam contribuições concretas para as comunidades beneficiadas. Neste caso, vamos ceder equipamentos financiados pela Faperj (laptops e câmeras de foto e vídeo) às comunidades, para que se organizarem e mantenham suas lojas abertas e o projeto em andamento, mesmo após seu término oficial.
A Ninui tem um envolvimento permanente com estas comunidades, trabalhamos com a ideia de estar sempre ao lado destas artesãs para que elas nunca desanimem por falta de recursos ou infraestrutura tecnológica. Ainda neste caminho, estamos iniciando conversas com as maiores fábricas brasileiras de equipamentos e serviços para internet, no intuito que eles nos ajudem a garantir a expansão do Projeto Caico para outras comunidades da região sul-fluminense.
E também para outras regiões do Brasil. Quanto a meios para compra de equipamentos, sempre indicamos a área de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil, um dos nossos principais parceiros, que tem linhas especiais de crédito para pequenos e micro-empreendedores.
Quando a "Rota do Artesanato" estará disponível para turistas?
Karina - A rota do artesanato estará implementada após o término da capacitação da última turma. A previsão de lançamento é outubro de 2012.
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