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'Espero mais das ONGs do que da Rio+20', diz Fritjof Capra
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IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO
Atualizado em 11/04/2012 às 14h25.
O físico e escritor austríaco Fritjof Capra, 73, autor dos best-sellers "O Tao da Física", e "O Ponto de Mutação", é um dos mais famosos divulgadores do pensamento sistêmico, que vê a realidade como um todo indissociável, compreendido em termos de relações - conceitos caros a ambientalistas e teóricos da sustentabilidade.
| Rogério Assis/Folhapress | ||
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| O físico e escritor Fritjof Capra, em edifício com vista para a marginal Pinheiros, em São Paulo |
Atualmente, ele dirige o centro de ecoalfabetização da Universidade Berkeley, na Califórnia, que forma educadores para ensinar ecologia e sustentabilidade a crianças e adultos.
Capra veio anteontem a São Paulo para discutir com educadores brasileiros os rumos da educação para o desenvolvimento sustentável, em um programa patrocinado pelo Banco Santader.
Antes do encontro, Capra falou à Folha sobre suas expectativas em relação à Rio+20 (conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentáve) e os desafios para um mundo mais sustentável.
*
Folha - O sr. participou da Eco 92. Pretende voltar para o Rio+20?
Fritjof Capra - Não. Como estou ficando velho, decidi que vou agora me concentrar em escrever, inspirar pessoas e deixar a atuação política para os mais jovens, que são muito melhores nisso do que eu.
É só por isso ou o sr. não espera muito do encontro?
Infelizmente, não tenho grandes expectativas. Não espero quase nada do encontro oficial, mas teremos dois Rio+20, como tivemos duas Eco92. Um é o Rio+20 oficial, outro é o da comunidade, das ONGs.
Espero muito mais de movimentos como o 'Occupy', que estará no encontro. Eles terão um microfone para falar ao mundo, que estará olhando para o Rio de Janeiro, o que é muito importante.
O sr. acha que os três pilares da sustentabilidade (ambiente, sociedade, economia) estão bem representados no encontro?
Sim. O problema é que a questão climática foi barrada, por causa da força dos Estados Unidos. As companhias de petróleo compraram os políticos norte-americanos, há uma corrupção enorme e conseguiram fazer com que essa questão urgente não seja nem discutida.
Se deixarmos para discutir depois, será muito tarde?
Talvez já seja muito tarde. Mas, primeiro, eu não sei se já é tarde mesmo e, segundo, eu não penso nisso. Se eu me preocupasse, ficaria paralisado. Prefiro trabalhar, ensinar as pessoas, escrever livros, ser ativo e criativo, em vez de ficar pensando se há ou não tempo para fazer algo.
Veja trailer do filme baseado no livro "O Ponto de Mutação", em que Capra explica as bases do pensamento sistêmico
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