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19/08/2010 - 11h48

Estudo suiço mostra preconceito contra crianças estrábicas

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RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO

Um olho prestando atenção no gato, outro no peixe na frigideira. Ser vesgo não é só ter de ouvir piadas como essa, mas sofrer preconceito na hora de conseguir um emprego ou um parceiro.

O grupo que já demonstrara esses efeitos sociais do estrabismo agora relata que a criança estrábica tem menos chances de ser convidada para festinhas de aniversário.

Segundo Stefania Margherita Mojon-Azzi, Andrea Kunz e Daniel Stéphane Mojon, o preconceito contra crianças estrábicas aparece já em torno dos seis anos.

A equipe recrutou para o estudo 118 crianças de três a 12 anos que eram pacientes de uma clínica de oftalmologia em Saint Gallen, Suíça; nenhuma era estrábica.

Os pesquisadores usaram fotos de crianças que seriam ou não convidadas para a suposta festa. A mesma foto era alterada para criar um "gêmeo" estrábico. Um dos "gêmeos" era esotrópico (vesgo com o olho para fora), outro era endotrópico (vesgo com o olho para dentro).

Havia um conjunto de fotos de um garoto e outro de uma menina, um total de seis fotos. A cor da camiseta também era modificada na foto.

Cada criança tinha que escolher quatro vezes, ou seja, poderia convidar um estrábico de zero a quatro vezes.

Entre 48 crianças com idades entre seis e oito anos, nada menos que 18 não convidariam nenhum vesgo; 17 escolheram só uma vez, 11 o fizeram duas vezes e apenas duas escolheram três vezes. Nenhuma escolheu o estrábico as quatro vezes.

A equipe sugere que a cirurgia corretiva seja feita a partir dos seis anos. "Não podemos mudar uma tendência da maioria das sociedades de que todo mundo quer parecer perfeito e jovem. Como na Suíça, em muitos países o número de crianças e adultos com estrabismo visível está cada vez menor, e a maioria não sabe mais como reagir se confrontada com uma pessoa muito estrábica", disse Mojon à Folha.

"Somos a clínica que introduziu dez novos procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos para corrigir estrabismo", declara Mojon.

IMPACTO

"A criança estrábica é totalmente discriminada", diz o oftalmologista brasileiro Ruy Kamei. "Ela tem dificuldade de te fitar nos olhos. É muito retraída", diz. Kamei concorda com as conclusões do estudo, que corresponde à prática do seu consultório.

Ele conta já ter feito correção de estrabismo em um homem de 40 anos que percebeu que sua vesguice estava criando problemas nas entrevistas de emprego.

O impacto do estrabismo na autoestima das crianças pode ser demolidor. Kamei narra outro episódio em que o estrabismo "parecia estar até segurando o desenvolvimento de uma menina de 12 anos". Enquanto suas irmãs nessa idade já tinham até menstruado e estavam com 1,70 m de altura, ela continuava sem menstruar e com 1,40 m. Depois da cirurgia, ela logo menstruou e alcançou a altura das outras irmãs.

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