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20/11/2010 - 09h01

Cirurgia de catarata fica mais precisa

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RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO

Pesquisadores nos EUA desenvolveram uma maneira mais rápida e limpa para remover a catarata combinando a precisão do corte a laser com uma nova técnica de imagem tridimensional.

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Ao contrário de lasers convencionais, que derretem e fervem o alvo, foram usados lasers de femtossegundo, que operam em pulsos breves de alta energia de luz -de um milionésimo de um bilionésimo de segundo- que transformam o alvo em plasma sem danificar os tecidos em volta.

Divulgação
Imagem tridimensional feita por variações de reflexão da luz produz incisões mais precisas em nova cirúrgia para catarata
Imagem tridimensional feita por variações de reflexão da luz produz incisões mais precisas em nova cirúrgia para catarata

Associado com a técnica chamada tomografia de coerência óptica, o resultado foi a produção de incisões doze vezes mais precisas do que pela cirurgia tradicional.

Foram feitas 29 cirurgias de catarata pelo novo método e comparadas a 30 outras feitas manualmente.

A catarata, uma opacidade da lente do olho, o cristalino, é um dos problemas óticos mais comuns. Ela surge com o envelhecimento ou graças a doenças, como o diabetes.

"Cerca de um terço das pessoas no mundo desenvolvido vai fazer a operação em algum momento da vida", escreveram os autores do estudo no artigo demonstrando a técnica, publicado na revista médica "Science Translational Medicine".

A técnica de imagem tem por base as variações de reflexão da luz nos diferentes tipos de tecidos vivos. Uma parte da luz refletida pelo olho pode ser recriada em uma imagem tridimensional do tecido, mostrando exatamente os limites do círculo formado pela catarata que devem ser cortados.

O estudo foi feito com um equipamento desenvolvido pela empresa OptiMedica chamado Sistema de Laser de Precisão Catalys, conjuntamente com pesquisadores universitários.

"O sistema simplifica muito a cirurgia de catarata, eliminando a questão da habilidade cirúrgica", disse à Folha o líder do estudo, Daniel Palanker, da Universidade Stanford, Califórnia.

O físico explica que o sistema faz uma imagem tridimensional do olho e alinha os padrões de corte com o tecido, que irá produzir uma capsulotomia -incisão circular no cristalino- no tamanho e local desejados, e cortar segmentos da lente em pequenos pedaços antes de sua remoção.

"Isso faz com que o trabalho do cirurgião seja muito mais fácil; ele só precisa remover os pedaços e implantar a lente artificial intraocular", continua Palanker.

Depois de fragmentado, o cristalino é aspirado, um processo chamado facoemulsificação, que envolve o uso de ultrassom; a equipe demonstrou que a nova técnica permite reduzir em 40% a energia do ultrassom.

"O laser facilita a operação tornando-a mais segura e mais reprodutível. O aprendizado real de como operar com o laser é mais fácil do que aprender a executar as etapas cirúrgicas que o laser automatizou", disse à Folha um dos cirurgiões da equipe, Neil Friedman, também de Stanford, e um dos 16 coautores do artigo científico.

A OpticaMedica, empresa baseada em Santa Clara, Califórnia, foi quem financiou o estudo. Palanker e mais seis coautores têm participações no capital da empresa, enquanto sete coautores são funcionários da empresa.

"A OptiMedica espera lançar o sistema Catalys nos EUA e nos mercados internacionais em 2011", disse a porta-voz da empresa, Laura Nobles, que não quis falar quanto a operação vai custar.

O mercado é enorme: a catarata é a cirurgia mais realizada nos EUA, em média 1,5 milhão anualmente.

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