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Dieta vegetariana ainda é alvo de preconceito, diz cardiologista
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IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO
O cardiologista peruano Julio César Acosta Navarro convive com dois mundos diferentes. Um é o da medicina intervencionista --ele é médico do setor de Emergências Clínicas do InCor (Instituto do Coração), do Hospital das Clínicas de São Paulo.
O outro, objeto de suas pesquisas, envolve o estudo dos efeitos de longo prazo da dieta vegetariana, ainda pouco compreendida pela ciência ocidental.
| Carlos Cecconello/Folhapress |
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| Cardiologista Julio César Acosta Navarro fala do preconceito no meio acadêmico em relação a dieta vegetariana |
Em entrevista à Folha, Navarro, que acaba de lançar o livro "Vegetarianismo e Ciência" (Ed. Alaúde), fala do preconceito no meio acadêmico em relação a essa dieta e aponta benefícios e dificuldades encontrados por quem quer praticá-la.
Folha - O fato de você ser vegetariano interfere na forma com que as pessoas veem o seu trabalho?
Julio César Acosta Navarro - Se um cientista diz que é vegetariano, acham que seu trabalho está orientado por interesses além dos científicos. A questão é polêmica, e o tema não é facilmente aceito na academia. Senti isso na pele quando tentei defender minha tese de doutorado, sobre benefícios da dieta vegetariana, pela primeira vez. Eu tinha um trabalho que já havia sido aceito para publicação e apresentado em congressos, mas não foi aceito. Tive que desenhar um segundo estudo e só pude defender a tese dois anos depois.
Você sempre seguiu esse tipo de dieta?
Como a maioria, cresci em uma família em que a carne era o alimento favorito, acreditando que, além de gostosa, era necessária. Aos 15 anos, a partir de leituras de filosofias orientais, me convenci de que ser vegetariano era uma mudança para melhor. Nessa idade, não parei de comer carne --comia o que minha mãe me servia--, mas, aos 20, adotei o vegetarianismo. Como já estava na universidade, decidi investigar a questão do ponto de vista médico. Era o início dos anos 80, o vegetarianismo era associado a religião e radicalismo. Hoje, é uma questão da ciência, da ecologia.
Publicações científicas atuais começam a usar o termo "semivegetarianos". Isso existe?
É um termo novo, mas é um grupo real. É encontrado em populações que comem pouca carne por falta de acesso, por ser cara, e em grupos simpatizantes do vegetarianismo que não conseguem abolir a carne do cardápio. A definição técnica é o consumo de no máximo uma porção de carne por semana.
Leia a íntegra da entrevista na versão impressa da Folha deste sábado
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