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Risco de depressão pós-parto é maior para mãe de gêmeos
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JULIANA VINES
DE SÃO PAULO
Gravidez múltipla é um dos principais fatores de risco para depressão pós-parto.
Entre as hipóteses para isso está a maior exigência física e emocional, segundo a psicóloga Gabriela Andrade Silva, pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo).
Na sua pesquisa de mestrado, feita com 245 mães, ela avaliou alguns fatores que levam ao desenvolvimento do transtorno. Constatou que a sensação de impotência e insegurança podem ser determinantes.
"Gravidez de gêmeos é uma gravidez mais complicada. É mais provável que a mulher pense que não terá suporte emocional, familiar e financeiro suficiente."
De acordo com a pesquisadora, as duas únicas mães de gêmeos que participaram do estudo tiveram depressão.
O dado não foi considerado porque a amostragem era pequena, mas há pesquisas na literatura internacional que já apontaram maior prevalência do distúrbio em gestações múltiplas.
Um estudo publicado em 2009 na revista "Pediatrics", feito com 8.069 mães americanas, mostrou que o risco de ter o distúrbio é 43% maior nesse tipo de gravidez.
Outra explicação, para a ginecologista Carolina Ambrogini, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é a variação hormonal.
"Grávidas de gêmeos têm mais hormônios durante a gestação. O desequilíbrio depois do parto é ainda maior."
| Editoria de arte/Folhapress | ||
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MAIS HORMÔNIOS
Cerca de 12% das mulheres têm depressão pós-parto. O transtorno pode começar logo nas primeiras semanas ou até um ano depois do nascimento do bebê.
A duração e a intensidade dos sintomas variam muito e não devem ser confundidas com as de "baby blues", tristeza que dura de quatro dias a duas semanas e afeta cerca de 50% das mulheres.
"Os sintomas da 'baby blues' são mais leves. Ela sente um pouco de irritação pela privação do sono e pelo cansaço, mas a sensação passa sozinha", diz Joel Rennó Junior, psiquiatra da USP.
Na depressão, além do cansaço e da melancolia serem mais fortes, pode acontecer de a mãe perder o interesse pela criança -ou, no outro extremo, cuidar excessivamente do bebê e perder interesse por outros filhos e membros da família.
"É muito comum a mulher ter um sentimento ambivalente. Ela quer e não quer estar estar com a criança. A culpa é muito forte em todos os casos", explica Amaury Cantilino, psiquiatra e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco.
Reconhecer o problema e procurar ajuda são determinantes para garantir a saúde do bebê e da mãe.
"O transtorno pode prejudicar o cuidado da criança, as relações familiares e causar sofrimento intenso. É preciso procurar tratamento o quanto antes", diz Cantilino.
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