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Número de marcas de cigarro com sabor dobra em três anos
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ANGELA PINHO
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA
Segundo dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), entre 2007 e 2010, o número de marcas de cigarros com sabor cresceu de 21 para 40 e já representa 22% dos tipos à venda.
Lobby retarda veto aos aditivos no tabaco
O produto é popular entre jovens. Uma pesquisa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) aponta que 45% dos fumantes de 13 a 15 anos consomem os produtos com sabor.
A estudante Dayse Ishii, 20, começou a fumar cigarros de menta e canela aos 13. O sabor adocicado do tabaco tornava o ato de fumar "mais agradável", diz ela.
Com o tempo, no entanto, ela abandonou as cartelas com aditivos e passou a fumar os cigarros tradicionais.
"Depois de um tempo, o gosto enjoa", diz Dayse.
Para Alberto José de Araújo, presidente da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, o sabor doce leva ao maior consumo do produto.
O médico afirma que os aditivos não amenizam o efeito nocivo do cigarro, mas pondera que não é possível ainda medir as consequências do consumo de aditivos.
"Não sabemos a fórmula com que esses produtos são adicionados ao tabaco. Por ser uma informação tratada com confidencialidade, não sabemos quais vão ser as interações entre essas substâncias e aquelas que o indivíduo já ingere", afirma.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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BOTÃO DO SABOR
Os lançamentos de cigarros saborizados nos últimos anos foram feitos principalmente por marcas conhecidas do consumidor.
É o caso da Marlboro, que, há dois anos, tinha duas versões de cigarros mentolados cadastradas na Anvisa e agora tem cinco. Já a Hollywood, que até 2009 não oferecia esse tipo de cigarro no Brasil, agora tem cinco variedades.
Alguns produtos têm dispositivos sofisticados, como o botão no filtro que, ao ser apertado, transforma o cigarro tradicional em mentolado.
Esses cigarros, no entanto, estão sob ameaça de banimento no Brasil.
Uma proposta da Anvisa, ainda em análise, prevê que os produtos saiam de circulação. Se for acatada, a resolução tem prazo de um ano para entrar em vigor.
"Queremos reduzir a atratividade do cigarro", diz Agenor Álvares, um dos diretores da agência.
OUTRO LADO
As duas maiores fabricantes do país negam que os cigarros com sabor sejam feitos para atrair jovens.
Em nota, a Philip Morris afirma trabalhar com produtos para adultos.
"A empresa defende as regulamentações em todo o mundo que ajudem a prevenir o fumo entre menores de idade e encoraja os governos a fazer cumprir rigorosamente as leis de idade mínima."
A Souza Cruz diz que não há estudos conclusivos sobre a relação entre os ingredientes do cigarro, a iniciação ao fumo e os riscos à saúde.
"Tanto é verdade que a prevalência de fumantes em países que usam os ingredientes, como Brasil, EUA e Alemanha, são similares aos do Reino Unido, da Austrália e do Canadá, que não os usam." A empresa diz que a iniciação de jovens ao fumo está ligada a fatores como a influência da família e de amigos.
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