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Anvisa proíbe mamadeiras com bisfenol A no Brasil
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MARIANA PASTORE
DE SÃO PAULO
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quinta-feira a proibição da venda e fabricação de mamadeiras que contenham bisfenol A (BPA) no Brasil.
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Usado em plásticos, bisfenol-A altera comportamento de roedores
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A decisão é baseada em estudos recentes que apontam riscos à saúde decorrentes da exposição à substância.
Ela está presente no policarbonato, usado na fabricação de mamadeiras e presente no revestimento interno de latas de bebidas e alimentos.
Aquecer ou congelar o plástico acelera o desprendimento de moléculas de BPA.
Segundo a Vigilância Sanitária, apesar de não haver resultados conclusivos sobre o risco da substância, a proibição visa a proteger crianças com até 12 meses de idade.
A médica Elaine Costa, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirma que os efeitos tóxicos do bisfenol A foram encontrados em estudos em animais. "Eles demonstram que a exposição provoca doenças, mas estudos em humanos mostram só correlações."
A grande preocupação é com o efeito sobre hormônios sexuais. O BPA poderia provocar puberdade precoce, câncer, alterações no sistema reprodutivo e no desenvolvimento hormonal, infertilidade, aborto e obesidade.
"Como o BPA tem estrutura química semelhante à do estrógeno [hormônio feminino], ele atua como tal no organismo, podendo reprogramar as células e determinar infertilidade na vida adulta", afirma a endocrinologista.
O principal substituto do plástico policarbonato, que contém o BPA, é o polipropileno. Segundo a Anvisa, a maioria das mamadeiras de plástico no país são de policarbonato.
A professora Juliana Machado, 35, de São Paulo, parou de comprar mamadeiras de plástico para sua filha Ana Rita, 3, quando a menina tinha seis meses.
"Minha mãe avisou que o plástico solta uma substância nociva quando é aquecido, então passei a comprar as mamadeiras de vidro."
Ela conta que as de vidro são mais caras e difíceis de achar.
"Tenho que comprar sempre no mesmo lugar."
A indústria terá 90 dias para cumprir a determinação, a partir da publicação no "Diário Oficial da União".
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