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27/09/2011 - 10h45

Quando o paciente se apaixona pelo terapeuta

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DÉBORAH DE PAULA SOUZA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Duas pessoas se encontram sozinhas em uma sala ao menos uma vez por semana ao longo de anos. Uma delas está em situação de fragilidade e conta todos os seus problemas. A outra é vista como a solução para essas questões. Não é difícil compreender porque de vez em quando analista e analisado se apaixonam durante o tratamento.

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Freud criou o conceito de amor de transferência para lidar com esse impasse, advertindo seus primeiros discípulos de todas aquelas pacientes que caíam de amores por eles ao longo do tratamento estavam, na verdade, vivendo um sentimento transitório que fazia parte de seu processo de cura.

Na transferência, o paciente repete com o terapeuta os amores e os problemas de relacionamento que já enfrentou ao longo da vida - o fenômeno é simultaneamente uma resistência ao tratamento e um motor de cura, por isso, precisa ser manipulado pelo analista, que não pode envolver seus próprios sentimentos na questão.

Para o psiquiatra David E. Zimerman, essas paixões costumam ser transitórias e os pacientes podem se beneficiar dos insights que a experiência produz caso o analista tenha habilidade para manejar a situação.

A racionalidade, no entanto, nem sempre prevalece: "Já supervisionei o caso de uma paciente muito histérica e extremamente sedutora. Ela acusava o analista de usar as regras da psicanálise como escudo, pois temia ficar louco por ela!", conta Zimerman.

No livro "Cartas a um jovem terapeuta" (Ed. Alegro), o psicanalista Contardo Calligaris chama as paixões do consultório de "quiprocó". Motivo: os terapeutas nunca são o que os pacientes imaginam.

Fora do consultório, a idealização do parceiro também é comum, mas os amantes costumam viver situações mais igualitárias, sem uma marcação tão definida entre o lado frágil e o lado que representa a autoridade e sem um acesso tão grande e unilateral à intimidade do outro.

Para o psicanalista Leopoldo Fulgencio, a mesma atração que pode arruinar um tratamento e frustrar as expectativas do paciente pode também levá-lo à cura: "O motor da análise é o afeto. A sacada de Freud foi criar uma situação artificial em que o amor pode ser vivido de modo a levar o paciente à autonomia, e não à dependência ou submissão. Freud dizia que os pacientes se curam por amor ao analista. E sabemos que, se o analista não se interessar pelo paciente, ele irá embora."

Quem permanecer, nunca esquecerá aquilo que viveu em forma de transferência, acreditava Freud.

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