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Fãs de trecho tradicional da São Silvestre protestam correndo
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LUISA ALCANTARA E SILVA
DE SÃO PAULO
Um grupo de corredoresse reuniu-se na última quarta, às 7h, em frente à Fundação Cásper Líbero, na avenida Paulista (região central de São Paulo), para fazer um treino-protesto contra as mudanças no trajeto da São Silvestre, que, neste ano, em sua 87° edição, terminará no parque Ibirapuera, não mais naquela via.
'Comemoramos o penúltimo lugar', diz jornalista
São Silvestre muda percurso e chegada será no Parque do Ibirapuera
| Alessandro Shinoda/Folhapress | ||
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| Corredores ocupam a av. Paulista, que não abrigará a chegada da São Silvestre |
Escoltado pela polícia, o grupo de manifestantes correu o percurso clássico da prova, de 15 km, com largada e chegada na Paulista.
"A São Silvestre é tradição", disse Martha Dallari, vice-presidente da Associação de Treinadores de Corrida, que organizou o protesto. "E, como tradição, tem que acabar na avenida Paulista".
Além da "quebra da tradição", os corredores-manifestantes afirmam que, ao terminar no Ibirapuera -- ou seja, depois de uma descida --, muitos amadores se machucarão durante a prova.
"Quem tem treinador vai estar preparado, mas e quem não tem?", afirmou Martha.
No protesto, que, segundo a PM, juntou cerca de 150 pessoas, havia gente correndo pela primeira vez o percurso.
"Nunca pude fazer a São Silvestre, mas, se um dia fosse fazer, gostaria que terminasse na avenida Paulista", disse José Roberto Roque Junior, 31, gerente de vendas.
"Chegar em outro lugar [diferente do da largada] vai ser muito ruim", afirmou o analista de sistema Eduardo Graminhani, 29. O colega de profissão, Arnaldo Teixeira, 30, completou: "Uma das coisas mais legais dessa prova é subir a [avenida] Brigadeiro [Luís Antônio] `morrendo' e depois virar na Paulista e ver todo mundo ali, torcendo".
José João da Silva, 55, bicampeão da corrida (1980 e 1985) realizada no último dia do ano, também estava lá. Para o atleta, a mudança "é uma perda para a prova".
"A São Silvestre não merece isso. Por que não fazem mais cedo?", disse, referindo--se ao argumento dado pela organização de que não é mais possível terminar a prova no mesmo local em que ocorre a festa de Réveillon.
Outro corredor ilustre que participou do protesto foi o senador Eduardo Suplicy (PT). "Essa prova tem que ser mantida aqui. Nesse caso, é errado mudar", declarou.
'CULPA É DA FESTA DE RÉVEILLON', DIZ DIRETOR DA CORRIDA
Para a organização da São Silvestre, o protesto de quarta mirou o evento errado.
"Deveriam protestar contra a festa de Réveillon na Paulista", disse Júlio Deodoro, diretor-geral da corrida de São Silvestre. "Foi o Réveillon que invadiu a São Silvestre, não o contrário".
"A prova precisa crescer e, ali [com a chegada na av. Paulista], não dá mais".
De acordo com Deodoro, a meta é que, em 2014, o número de inscrições suba dos atuais 25 mil para 40 mil.
"Com a festa de Réveillon, não temos mais espaço para entregar 25 mil medalhas, 25 mil lanches. Fora o espaço para as ambulâncias".
Deodoro afirmou que neste ano será testado um percurso alternativo. "Teremos que analisar alguns pontos, como o impacto no trânsito, para ver a viabilidade de mudar definitivamente".
"A única coisa que está definida é que, neste ano, a largada será na Paulista e a chegada, no Ibirapuera".
A respeito da questão da descida no trecho final, apontada pelos manifestantes, o diretor-geral disse que será 1,3 km de descida na Brigadeiro e, depois, mais 1,2 km de trecho plano.
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