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Brasileiro pouco associa sucesso olímpico a orgulho nacional
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MARIANA BASTOS
DE SÃO PAULO
Uma eventual medalha ouro conquistada pelo nadador Cesar Cielo na Olimpíada de Londres, que começará daqui a 200 dias, fará com que aumente seu orgulho pelo país? Para metade dos brasileiros, a resposta é não ou quase nada. Pelo menos foi isso o que revelou pesquisa encomendada pela rede britânica BBC, divulgada na última semana.
Entre os 21 países consultados, o Brasil, mesmo sendo a sede dos Jogos de 2016, aparece em segundo lugar entre os que mais desdenham da Olimpíada como fator de motivação do orgulho nacional. Só os alemães tiveram um índice maior: 59% creem que ganhar medalhas na Olimpíada impacta nada ou quase nada no amor pelo país.
Os britânicos, que sediarão os próximos Jogos, ficaram logo atrás dos brasileiros. Uma provável medalha em Londres-2012 do prodígio dos saltos ornamentais Tom Daley, por exemplo, só deve aumentar o orgulho nacional de 48% dos britânicos.
"Estes resultados foram surpreendentes, sugerindo uma falta de entusiasmo olímpico por parte do público que financiará os dois próximos Jogos", disse à Folha Doug Miller, presidente da GlobeScan, empresa que coordenou a pesquisa.
Curiosamente, os quatro países --a França é o quarto-- que lideram a lista de "menos entusiasmados" com a Olimpíada já conquistaram ao menos uma Copa do Mundo.
"Se a pergunta fosse sobre a Copa do Mundo, esperaríamos uma proporção muito maior de brasileiros dizendo que [o desempenho da seleção] afeta seu orgulho nacional", acrescentou Miller.
Entre as maiores potências do esporte olímpico, há resultados divergentes. A China, que liderou o quadro de medalhas em Pequim-2008, é um dos países que mais valoriza o desempenho olímpico: 82% dos chineses dizem que isso afeta o orgulho nacional. Já nos EUA, que perderam a supremacia na última Olimpíada, a proporção de pessoas que associam medalhas olímpicas ao orgulho pelo país é muito menor --46%. É o quinto país entre os menos entusiasmados da lista.
Os mais orgulhosos de seu país a cada medalha olímpica conquistada são os quenianos. Mais de 90% dos consultados no Quênia disseram que os pódios obtidos por seus atletas inflam o sentimento de identificação com o país. O Quênia, reconhecido por ser uma potência do atletismo, encerrou os Jogos de Pequim em 15º, oito posições à frente do Brasil. As cinco medalhas de ouro, cinco de prata e quatro de bronze foram conquistadas todas em provas de média ou longa distância.
A GlobeScan entrevistou mais de 21 mil pessoas entre os dias 3 de julho e 8 de setembro de 2011. A margem de erro varia de 2 a 4,4 pontos percentuais.
ENTUSIASMO NORDESTINO
A pesquisa no Brasil foi feita com 806 pessoas de nove capitais: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo. Na média nacional, 38% disseram sentir muito orgulho de ser brasileiro quando há conquistas na Olimpíada, 10% afirmam que sentem um pouco de orgulho, 24% dizem não sentir quase nada e 26% não associam medalhas ao sentimento de identidade.
Segundo Fábian Echegaray, diretor da Market Analisys, empresa que conduziu a pesquisa no país, as cidades nordestinas foram as que mais associaram feitos olímpicos ao orgulho nacional. O maior índice foi registrado em Recife. Para 53% dos habitantes da capital pernambucana, medalhas aumentam muito o orgulho de ser brasileiro. A média nacional é 38%.
"No Nordeste, há muito mais patriotismo esportivo. Pela pesquisa, o nordestino é muito mais sensível a sentir orgulho de ser brasileiro quando a coisa vai bem no campo esportivo", comenta Echegaray.
As cidades que registraram menor índice são Goiânia e Curitiba. Já a sede dos Jogos-16 está dividida. "Embora o Rio esteja vivendo o clima olímpico, metade da população afirma sentir muito ou algum orgulho, e a outra metade, não", diz Echegaray.
Segundo o pesquisador, um dado relacionado à faixa etária também chamou a atenção. "A nossa expectativa era de que os mais jovens sentiriam mais orgulho de ser brasileiro com um boa performance na Olimpíada, mas aconteceu justamente o contrário. Os mais velhos, com 45 anos pra cima, são os que registram muito mais orgulho. O índice chega a ser 46%, comparado à média nacional de 38%. Entre os jovens, só 32% disseram sentir muito orgulho", afirmou.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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| Arte mostra o resultado da pesquisa |
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