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Bicampeã olímpica, dupla brasileira da bocha conta com ajuda de familiares
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JAIRO MARQUES
ENVIADO ESPECIAL A LONDRES
Foi segurando a bandeira brasileira com os dentes que a dupla brasileira Dirceu Pinto, 31, e Eliseu dos Santos, 35, da bocha paraolímpica, comemorou na terça-feira, em Londres, o bicampeonato.
Mas o ato não foi mais um charme de atleta. A modalidade é praticada por pessoas com severas limitações físicas ou neurológicas.
Os brasileiros, ambos com distrofia muscular, venceram a República Tcheca na final.
O jogo, para a realidade do para-atleta, exige muita concentração, estratégia e precisão para o encaixe das bolas.
Pode-se jogar com as mãos, os pés ou com o auxílio de instrumentos, nos casos em que o comprometimento físico seja de pernas e braços.
Os competidores lançam bolas azuis ou vermelhas rumo à bola branca, chamada "Jack". Vence o game (são quatro) aquele que conseguir manter o maior número de bolas próximas à branca.
Dirceu e Eliseu contam com a ajuda de familiares para auxiliá-los durante as viagens para as partidas. Atualmente, porém, eles já possuem rendimentos para sustentar uma equipe de apoio.
Para o bicampeonato, a dupla chegou a treinar nove horas por dia. Dirceu, em Mogi das Cruzes (SP), e Eliseu, em Telêmaco Borba (PR).
"Sempre quis praticar um esporte, mas o meu quadro me fazia pensar que seria impossível, até eu conhecer a bocha, que é um esporte como outro qualquer, para praticantes um pouco diferentes", diz Eliseu dos Santos.
O primeiro filho do para-atleta, Nicolas, nasceu durante a ambientação da delegação brasileira, em Manchester, no final de agosto.
"Esses meninos são muito determinados. A medalha não representa só o valor individual deles, mas todo o esforço que fizeram ao longo vida para estarem aqui", diz Márcia da Silvia Campeão, coordenadora da modalidade.
QUADRO DE MEDALHAS
Além da bocha, o Brasil conquistou na terça-feira mais dois ouros (Daniel Dias nos 100 m peito e Felipe Gomes nos 200 m no atletismo), três pratas (Daniel Silva nos 200 m e Yohansson Nascimento nos 400 m no atletismo, e André Brasil nos 100 m costas) e um bronze (Jonathan Santos no lançamento de disco) e terminou o sexto dia em sétimo lugar.
O jornalista JAIRO MARQUES viaja a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro
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