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Protestos marcam audiência pública do Maracanã
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SÉRGIO RANGEL
DO RIO
A audiência pública para discutir a concessão do Maracanã quase terminou em confusão. Pelo menos 500 pessoas protestaram contra a privatização do estádio na noite desta quinta-feira (8).
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Um índio chegou a lançar um saco de fezes para os participantes da mesa, que era comandada pelo secretário da Casa Civil do Governo do Rio, Regis Fichtner. Dezenas de homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar foram chamados para dar segurança nos arredores do Galpão da Cidadania, na zona portuária Indios, integrantes de movimentos populares e pais e alunos de uma escola municipal que funciona dentro do Maracanã participaram do ato.
Deputados e vereadores também discursaram na audiência.
Localizado ao lado do estádio, o antigo Museu do Índio poderá ser derrubado.
Com apitos e cartões vermelhos, os manifestantes pediram o cancelamento da audiência.
"Eles já decidiram vender o estádio. Na verdade, queremos é colocar na pauta se o Maracanã tem que ser vendido para a iniciativa privada ou não. Vocês se recusam a discutir isso", afirmou Gustavo Melo, que integra o Comitê Popular da Copa e da Olimpíada.
O secretário não aceitou. Com apitos e cartões vermelhos nas mãos, os manifestantes passaram a vaiar as declarações de Fichtner e tentavam suspender a audiência com protestos. Depois de quase duas horas de muito barulho, a maioria dos participantes deixou o galpão em protesto.
"Todos saíram derrotados. O diálogo não existiu aqui. Foi lamentável", disse Mario Miranda Neto, presidente da Comissão de Direito a Educação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
No mês passado, o governo fluminense publicou no "Diário Oficial" a convocação para a audiência pública desta quinta. No documento, a empresa que se interessar a administrar o Maracanã terá de gastar R$ 714 milhões em 35 anos, período de concessão prevista pelo governo do Rio. O custo combina a outorga a ser paga ao Estado e investimentos obrigatórios.
O governo também exige a demolição do estádio de atletismo Célio de Barros e do parque aquático Julio Delamare. Em substituição a esses espaços, serão construídos centros de treinamento numa área próxima ao estádio. A arena do Maracanãzinho também será reformada.
O total de investimento previsto é de R$ 469 milhões, até a Olimpíada. A outorga mínima é de R$ 7 milhões ao ano.
Por este modelo, o Estado não conseguirá repor o investimento de R$ 859 milhões feitos na reforma do estádio para a Copa.
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