VICTOR MATHER
DO "THE NEW YORK TIMES"

A Coreia do Norte fechou um acordo para enviar uma equipe à Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, dentro de um mês.

Mas, embora a decisão possa ajudar a relaxar a tensão nuclear entre o país e o Ocidente, em termos esportivos é improvável que venha a revelar os similares norte-coreanos de Shawn White ou Yuzuru Hanyu.

Não se sabe quantos norte-coreanos participarão dos Jogos. Mas os atletas que participarão não devem causar abalos no quadro de medalhas.

Até agora, a Coreia do Norte só qualificou dois atletas para a olimpíada, uma dupla de patinadores artísticos, Ryom Tae-ok e Kim Ju-sik. Eles perderam o prazo de inscrição, mas a expectativa é de que isso seja desconsiderado. O COI (Comitê Olímpico Internacional) também indicou disposição de autorizar a inscrição de alguns outros atletas norte-coreanos como convidados.

Ryom e Kim ficaram em 15º lugar no mais recente campeonato mundial de patinação artística, e poucos esperam que eles consigam melhorar essa posição nos Jogos.

Além de Ryom e Kim, a safra de atletas norte-coreanos para a olimpíada consiste em geral de nomes desconhecidos no cenário internacional. Muitos dos mais recentes campeonatos mundiais de esportes de inverno, o que inclui as modalidades tradicionalmente mais forte dos norte-coreanos, na patinação de velocidade em pista, não tiveram participantes da Coreia do Norte.

Crédito: Yonhap via AP The head of North Korean delegation Ri Son Gwon, right, exchanges documents with South Korean Unification Minister Cho Myoung-gyon after their meeting at Panmunjom in the Demilitarized Zone in Paju, South Korea, Tuesday, Jan. 9, 2018. The rival Koreas took steps toward reducing their bitter animosity during rare talks Tuesday, as North Korea agreed to send a delegation to next month's Winter Olympics in South Korea and reopen a military hotline. (Korea Pool/Yonhap via AP) ORG XMIT: XAHN816
Membros das delegações da Coreia do Sul (esq.) e da Coreia do Norte se encontram

Ainda que seja possível que a Coreia do Norte apareça com um astro desconhecido –Han Pil-hwa, que ficou com a prata na patinação de velocidade nos Jogos de Inverno de 1964, apareceu do nada– parece que a maioria de seus atletas está destinada apenas a fazer número.

O maior impacto da delegação norte-coreana em PyeongChang pode vir da equipe de cheerleaders ou do grupo de arte performática que o país pretende enviar.

A Coreia do Norte participa apenas esporadicamente das Olimpíadas de Inverno, desde 1964. Conquistou duas medalhas, prata na patinação de velocidade em 1964 e bronze na patinação em velocidade em pista curta, em 1992.

Quatro anos atrás, a Coreia do Norte não classificou atletas para os Jogos. Em 2010, seus dois participantes, um patinador artístico e um de velocidade, não passaram do nono lugar em suas modalidades.

A Coreia do Norte obteve muito mais sucesso nas Olimpíadas de verão, das quais participa desde 1972, ainda que tenha boicotado os jogos de 1984, em Los Angeles, e de 1988, em Seul. O país conquistou 54 medalhas, 16 das quais de ouro, em modalidades como o halterofilismo, luta livre, ginástica e boxe.

Na Olimpíada do Rio de Janeiro, a Coreia do Norte conquistou sete medalhas, duas das quais de ouro. Os dois medalhistas de ouro, na ginástica e halterofilismo, eram os favoritos na delegação norte-coreana, já desde o começo.

Em novembro de 1987, cerca de um ano antes da Olimpíada de Seul em 1988, um jato de passageiros sul-coreano explodiu, com a morte de mais de 100 passageiros e tripulantes. Agências de inteligência ocidentais dizem que a Coreia do Norte foi responsável, e os Estados Unidos consideram o incidente como ação terrorista. No mês passado, a revista norte-americana "Foreign Policy" publicou um artigo com título inquietante: "A Coreia do Norte pretende detonar a Olimpíada de Inverno?"

Ainda que seja improvável que o hino da Coreia do Norte venha a ser ouvido no mês que vem, a participação de seus atletas certamente é um alívio para os organizadores olímpicos.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.