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08/06/2010 - 15h08

Campeonato do Nordeste recomeça nesta terça desafiando Copa e CBF

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NELSON BARROS NETO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Atualizado às 16h06.

"Enquanto o Brasil todinho vai parar, nós vamos jogar", gaba-se Eduardo Rocha, presidente da chamada Liga do Nordeste. Na contramão das demais competições pelo país, o campeonato da região voltará a ser disputado oito temporadas depois, a partir das 21 horas desta terça-feira, quando a bola promete rolar para o clássico local entre ABC e América-RN, no Frasqueirão, em Natal.

O último final de semana marcou a pausa para a Copa do Mundo nas Séries A e B do Nacional, assim como a despedida dos últimos Estaduais ainda pendentes pelo Brasil -- casos de Acre, Pará, Rondônia, Piauí, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Porém, impulsionado por um acordo judicial com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o "Nordestão" continuará movimentando os 15 maiores clubes da localidade, exceção feita ao Sport, que abriu mão da disputa, com jogos inclusive no mesmo horário do Mundial da África do Sul.

"Esperamos uma média de público intermediária entre as Séries A e B. Aliás, vamos ter o dobro da B, pode anotar aí", disse Rocha, ainda sonhando com uma vaga na próxima Copa Sul-Americana para o time campeão. "O Ricardão (Ricardo Teixeira, presidente da CBF) disse que daria a resposta quando retornasse da África".

Ele garante se tratar de um torneio "auto-sustentável", com cota de R$ 250 mil para cada participante, passagem aérea e hospedagens de graça e ainda transmissão de TV -- neste ano, pelo Esporte Interativo; em 2011 e 2012, pelas afiliadas da Rede Globo.

"A relação com a CBF está sendo tranquila, porque eles não vão ter que botar a mão no bolso. A CBF é igual a banco: na hora em que não precisa se incomodar com dinheiro, fica tudo bem", afirmou Rocha, que cobra julgamentos disciplinares no Tribunal próprio da entidade e comissão de arbitragem do quadro nacional.

A alegação estaria amparada no artigo 26 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que fala sobre as atribuições do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Segundo o dispositivo, compete à Corte "processar e julgar as ocorrências em competições interestaduais e nacionais promovidas, organizadas ou autorizadas por entidade nacional de administração do desporto, e em partidas ou competições internacionais amistosas disputadas por entidades de prática desportiva".

Fonte do alto escalão da confederação -- que pediu para não ser identificada --, rebate argumentando que o campeonato será inteiramente promovido pela liga. "Faremos apenas um papel de supervisão, muito distante, a não ser pelo selo que a gente dá. Envolvimento maior somente se surgir algum fato extraordinário", afirmou. Até o momento, a Liga do Nordeste só obteve um sinal positivo de tribunais locais e arbitragem dos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.

Entenda o caso

O imbróglio começou quando a CBF resolveu decretar a extinção de todos os campeonatos regionais do país (como Rio-São Paulo e Sul-Minas), disputados nos anos de 2001 e 2002, para revolta da Liga do Nordeste. Além de o torneio ter se tornado altamente rentável, cláusulas contratuais obrigavam a permanência da competição.

A liga entrou na Justiça e, após anos de disputa, ganhou direito a uma indenização que ultrapassava os R$ 40 milhões. Sem ter mais como recorrer, a CBF aceitou costurar um acordo e o torneio deverá ter pelo menos mais três edições.

 

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