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11/07/2010 - 21h21

Um mundo que torce

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FÁBIO SEIXAS
ENVIADO ESPECIAL A MADRI

DIA 30 - MADRI, ESPANHA - DEPOIS DO JOGO

"Yo soy español, español, español!".

O coro da torcida espanhola, um mantra do país nesta Copa, invadiu a madrugada em Madri.

Da praça de Cibeles, no centro, onde 250 mil pessoas acompanharam à decisão do Mundial, a festa se espalhou pelas ruas da capital. Buzinaço, torcedores com bandeiras "toureando" os carros, bares lotados.

E celebração especial para dois jogadores. Casillas, o goleiro e capitão, e Iniesta, o autor do gol que deu à Fúria o título inédito do Mundial.

Madri foi a 31ª e última parada da série "Um Mundo Que Torce". Uma viagem de 31 dias por 31 destinos, 31 países participantes da Copa. Foram, ao todo, 125.124 km, ou dez voltas na Terra, em 43 voos por 29 companhias aéreas.

Vídeo

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DIA 30 - MADRI, ESPANHA - ANTES DO JOGO

Madri passa o domingo ao som de vuvuzelas, vestida de vermelho, enrolada na bandeira espanhola, esperando a noite chegar para assistir à final da Copa do Mundo.

No centro da cidade, na região da Puerta del Sol, os espanhóis aproveitam o dia ensolarado e o calor de 37ºC para beber cerveja e preparar o palco para o jogo.

Os madrilenos que não forem assistir à decisão em casa ou nos bares devem estar na praça Colón, onde um telão de 60 metros quadrados mostrará as imagens do Soccer City, em Johannesburgo.

A euforia dos espanhóis é tanta que o telão que funcionou nos outros jogos no estádio Santiago Bernabeu foi removido para a praça Cibeles, onde há mais espaço para o público.

Fabio Seixas/Folhapress
Fabio Seixas
Torcida se aquece para acompanhar Espanha x Holanda

DIA 30 - MUNIQUE, ALEMANHA

Os alemães passaram três dias chocados com a derrota para a Espanha nas semifinais. Mas, neste sábado, voltaram a abraçar sua seleção.

Em Munique, torceram, sofreram, vibraram, como se o jogo valesse mais do que uma terceira posição. Para muitos torcedores, afinal, o jogo contra o Uruguai foi o início do trabalho para o próximo Mundial.

"Estar aqui é uma maneira de apoiar esses jogadores jovens que podem ser campeões em 2014", disse à Folha Winni Schröder, 43. Ele levou a mulher e os dois filhos ao Estádio Olímpico de Munique, onde cerca de 5.000 pessoas viram o jogo num telão.

Após a vitória, e o terceiro lugar, os alto-falantes do estádio tocaram "We Are The Champions", do Queen. Houve buzinaço na cidade.

A Alemanha foi a 30ª e penúltima parada da série "Um Mundo Que Torce".

Vídeo

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DIA 29 - ZURIQUE, SUÍÇA

No último dia útil antes da final da Copa, a sede da Fifa parece tudo menos a sede da Fifa.

Na 29ª escala da série "Um Mundo Que Torce", a Folha visitou o prédio da entidade, no alto de uma colina em Zurique. E a calmaria no lugar contrasta com o agito dos últimos dias de torneio na África do Sul.

"Até domingo vai ser deste jeito, pouco trabalho. Depois, todo mundo volta da África do Sul e a correria recomeça", comenta Jose Arosemena. Há tão pouca gente ali que ele se divide nas funções de recepcionista e de vendedor da lojinha de produtos com a marca da Fifa.

Os suíços acompanham com frieza o Mundial. Preferem deixa a festa nas ruas para os imigrantes que moram ali. "Somos uma cidade multicultural", diz o chocolatier Adrian Müller, que aproveita para lembrar da estreia da seleção suíça na Copa. "Não esqueça que vencemos a Espanha."

O jogo terminou em 1 a 0. Depois disso, os espanhóis reagiram e chegaram à final. Os suíços não passaram da primeira fase. Mas, pelo menos, ganharam essa história para contar.

CREDITO

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DIA 28 - PRISTINA, KOSOVO

"Tony Blair. Um amigo. Um líder. Um herói".

Um cartaz com estes dizeres está por toda Pristina. O motivo, a visita à capital de Kosovo, nesta quinta-feira, do ex-primeiro ministro britânico. Blair foi um dos principais responsáveis pelo apaziguamento da crise nos Balcãs no fim dos anos 90.

É o maior evento da cidade desde 23 de junho. Naquela noite, a Sérvia perdeu para a Austrália por 2 a 1 e foi eliminada da Copa.

Ainda na busca pelo reconhecimento de sua independência, Kosovo se uniu na torcida contra os sérvios, que defendem serem soberanos sobre o território, posição acatada pela maior parte dos membros da ONU e pela Fifa.

Pristina é a 28ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 27 - LONDRES, INGLATERRA

Os ingleses tentam disfarçar. Nos jornais, falam dos candidatos ao título da Copa e de suas ligações com a Premier League.

Mas fato é que estão com uma tremenda dor de cotovelo das seleções que avançaram um pouco mais no Mundial.

Na 27ª parada da série "Um Mundo Que Torce", a Folha acompanhou Espanha x Alemanha no Famous Three Kings, um dos principais representantes de uma instituição britânica: pubs dedicados a exibir jogos de futebol.

São 3 telões, 11 TVs de plasma, 2 TVs convencionais e capacidade para mostrar até 14 jogos simultaneamente.

"Admito que estou com uma enorme inveja. É óbvio que eu queria estar torcendo como eles hoje", disse Samuel Reaney, um dos raros ingleses no bar.

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DIA 26 - ATENAS, GRÉCIA

Terça-feira, 22 de junho. A Grécia perde da Argentina por 2 a 0, fica em terceiro lugar no Grupo B e dá adeus à Copa do Mundo.

Terça-feira, 6 de julho. Na praça de Syntagma, no centro de Atenas, centenas de manifestantes protestam contra a crise econômica na Grécia. Horas depois, a 20 km dali, na cidade de Voula, apenas cinco pessoas assistem à semifinal entre Holanda e Uruguai no restaurante Pita Time.

Os três eventos têm ligação.

Atolados numa grave crise econômica desde o final do ano passado, os gregos estão preocupados e assustados. Até se animaram no início da Copa. Mas, depois da eliminação, voltaram a pensar no buraco da economia. "O futebol não é a prioridade neste momento", explica Nikolaos Margaritopoulos.

A Grécia é a 26ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 25 - BRATISLAVA, ESLOVÁQUIA

O grande assunto na Eslováquia é o Mundial. De hóquei no gelo.

No ano que vem, pela primeira vez, o país recebe o torneio. Serão duas cidades-sede, Bratislava e Kosice, as duas maiores do país. As obras estão atrasadas, há polêmica com ambientalistas sobre a ampliação do estádio da capital... Enfim, um cenário comum também ao futebol.

E o futebol? É quase um detalhe nas conversas com os eslovacos. Eles se dizem fãs do esporte, elogiam o desempenho da seleção na África do Sul (foi eliminada pela Holanda nas oitavas de final), mas não sabem os nomes de muitos dos jogadores que estiveram na Copa.

Bratislava é a 25ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 24 - LIUBLIANA, ESLOVÊNIA

Entre todos os eliminados da Copa, certamente não há gente mais orgulhosa que os eslovenos.

Enquanto em outros lugares visitados pela Folha as pessoas evitam falar de futebol, ainda de ressaca pelo fracasso, pelas ruas de Liubliana, capital da Eslovênia, é como se o Mundial ainda acontecesse.

"Tivemos azar no jogo com os EUA. Não fosse aquele empate, teríamos passado para a segunda fase. Mas estamos orgulhosos. Só de jogarmos a Copa, já foi um feito. Somos um país de apenas dois milhões de habitantes!", disse o engenheiro Matjaz Jennko, 45.

Entre os 32 países participantes do Mundial, a Eslovênia ocupa a lanterninha no termos populacionais: são 2,05 milhões de habitantes. Depois, vem o Uruguai, semifinalista do Mundial, com 3,3 milhões.

Liubliana é a 24ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 23 - COPENHAGUE, DINAMARCA

Eliminada da Copa ainda na primeira fase, após perder por 3 a 1 para o Japão no jogo decisivo do grupo, a Dinamarca agora apenas acompanha a Copa à distância.

Na 23ª parada da série "Um Mundo Que Torce", a Folha esteve neste sábado em Copenhague. E constatou: quem ainda torce por futebol no país, pelo menos enquanto a ressaca do fracasso não passa, são os turistas estrangeiros.

"Não fale de futebol com um dinamarquês", alerta Adrian Poulsen, que vive em Roskilde, a 40 km da capital.

"A maneira de acompanhar futebol é diferente em cada país. Aqui na Dinamarca, o futebol não é grande coisa. Então eles estão chateados, mas não é aquela tragédia como ocorre nos nossos países", diz ao repórter o alemão Marc Heckmann, de passagem por Copenhague.

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DIA 22 - AMSTERDÃ, HOLANDA

A Mu­seumplein, ou Praça do Museu, foi o lugar escolhido pelos moradores de Amsterdã para acompanhar o duelo com o Brasil. E, claro, virou palco de uma grande festa ao final do jogo.

Segundo cálculos dos organizadores do evento, cerca de 45 mil pessoas estiveram no local nesta sexta-feira. Era gente que queria ver o jogo, que tentava aproveitar a tarde de sol intenso, que buscava confraternizar com os amigos. A maioria queria fazer tudo ao mesmo tempo.

"Minha namorada estava de folga hoje, então viemos para cá", disse Jurgen Stans, com o rosto pintado com as cores da Holanda.

Assim que o jogo terminou, os holandeses dançaram ao som de música folclórica e se jogaram no espelho d'água que existe na praça. Muitos também se jogaram nos bares da cidade. A festa deve varar a madrugada.

Veja a comemoração dos torcedores holandeses em Amsterdã após a vitória por 2 a 1 sobre o Brasil e a conquista da vaga para a semifinal.

Veja Vídeo

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DIA 21 - ROMA, ITÁLIA

É como se a Itália estivesse sofrendo de amnésia. Uma amnésia coletiva. E voluntária.

O país, atual campeão mundial de futebol, não quer falar de futebol. Ok, até fala no Campeonato Nacional, das contratações, das expectativas de cada equipe. Mas Copa do Mundo virou tabu.

"As pessoas querem esquecer o que aconteceu na África do Sul. Eu, por exemplo, agora só quero saber da Roma", diz Fulvio Fabiani, que leva turistas para passear de carruagem na região da Piazza di Spagna.

"Eu, que acompanho futebol, ainda estou vendo o Mundial. Mas a maioria dos italianos nem liga a TV", conta Giovanni Marini, estudante.

Roma é a 21ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 20 - PARIS, FRANÇA

Na França, ainda há quem torça na Copa do Mundo.

Nesta quarta-feira, a Folha esteve no Château-Rouge, bairro africano de Paris. Onde, a exemplo do que acontece no continente natal, os moradores estão unidos por Gana.

"Gana tem um papel importante no futebol africano. Ganhamos experiência nos últimos anos e agora chegou a nossa vez. Seremos a primeira nação negra a conquistar a Copa", disse Kwaku Adubaffour, 57, há 33 anos na França.

"Toda seleção que cruza com a gente precisa saber que há uma enorme chance de sair derrotada", completou.

A França, que não passou da primeira fase, mas que tem tanta gente acreditando, é a 20ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 19 - LISBOA, PORTUGAL

"O sentimento é de frustração. Obviamente, acreditamos até o fim. Mas faltou ataque. O nosso, não funcionou." Rodrigo Loureiro, 21, português, estudante, resumiu o sentimento de Portugal nesta terça-feira.

A Folha acompanhou o jogo contra a Espanha, pelas oitavas de final da Copa, no Largo da Estação do Rossi, em Lisboa. É a 19ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

Vídeo

Aproximadamente 5 mil pessoas se reuniram ali para ver o jogo num telão. Eram engravatados que haviam acabado de sair do trabalho. Eram turistas que estavam ali mais pela farra. Eram estudantes.

E eram até espanhóis: um grupo de cerca de 50, paramentados com camisetas, perucas e vuvuzelas, vibraram em meio aos vizinhos, sem serem incomodados.

"Não há receio algum. Isso é futebol, não combina com violência", disse a estudante Laura Calderón, 22.

Ao fim da partida, de fato, não houve nenhum ato de hostilidade. Espanhóis pulavam pela praça, cantando, comemorando. Havia até um repórter do CQC espanhol por ali. Já os portugueses saiam em silêncio, cabisbaixo. A Copa, para eles, havia acabado de acabar.

CREDITO

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DIA 18 - ASSUNÇÃO, PARAGUAI

Assunção é, também, a capital do futebol do Paraguai. Casa do Nacional, do Cerro, do Olímpia, do Guaraní, do Libertad...

Mas não está muito otimista com a Copa. Talvez, um ceticismo adquirido com a história. A "Albirroja" nunca chegou às quartas de final de um Mundial. Fracassou nas três vezes em que alcançou as oitavas, 1986, 1998 e 2002, sem marcar um gol.

Uma das vozes dissonantes é a do ex-goleiro Chilavert, hoje comentarista de TV. "Coloco todas as minhas fichas no Paraguai", diz,

Primeira colocada no Grupo F, a seleção paraguaia enfrenta amanhã o Japão em Pretoria. E Assunção é a 18ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 17 - BUENOS AIRES, ARGENTINA

Os argentinos iniciaram a Copa cheio de dúvidas. Não sabiam se Maradona daria conta do recado, se Messi enfim jogaria pela seleção, se o grupo teria condições de avançar.

Hoje, só há certezas.

Buenos Aires, 17ª parada da série "Um Mundo Que Torce", é puro otimismo.

A Folha acompanhou o jogo na Boca, tradicional reduto do turismo, da gastronomia, do tango, do futebol.

Após um início forte do México, e alguns sustos, veio o primeiro gol da Argentina, com Tevez. E a partir de então, só festa. No fim da tarde, milhares de pessoas se reuniram em torno do Obelisco, ícone de Buenos Aires e da Argentina.

O coro era esse:

"Veni, veni, canta conmigo,
Que un amigo vas a encontrar,
Que de la mano, de Maradona,
Todos la vuelta vamos a dar.
Ole, Ole, Ole, Ole,
Diego, Diego."

Vídeo

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DIA 16 - COLONIA DEL SACRAMENTO, URUGUAI

Foi uma transformação.

Os uruguaios assistiram ao jogo contra a Coreia do Sul calados, apreensivos, receosos. O time, afinal, há 40 anos não emplacava uma boa participação em Mundiais.

Toda cautela parecia pouco.

O que se viu ao fim do jogo, porém, foi uma explosão. "O Uruguai voltou", gritavam torcedores em Colonia del Sacramento, cidade mais antiga do país, dividida da Argentina pelo rio da Prata.

"Vamos ser campeões. Pode escrever. Depois do Maracanazo, vai ser o Sudafricanazo", disse a cozinheira Sonia Montiel, vibrando na avenida General Flores, a principal da cidade.

Classificado para as quartas de final, o Uruguai é a 16ª para da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 15 - TEGUCIGALPA, HONDURAS

Honduras acreditava.

Sim, era difícil. O time teria que fazer quatro gols na Suíça e torcer para que o Chile batesse a Espanha.

Mas Honduras acreditava.

Pelas ruas de Tegucicalpa, nesta sexta-feira, quase todo mundo usava branco e azul.

"As pessoas se empolgaram muito com a classificação para a Copa. O problema é que o nível das eliminatórias da Concacaf é muito fraco. Temos alguns bons jogadores que jogam na Europa, mas a maioria é reserva nos clubes", conta Geovanny Gomez, comentarista de futebol na TV hondurenha.

Não deu. O time até jogou bem, mas ficou no empate em 0 a 0 com a Suíça. Despede-se, assim, do Mundial.

Tegucicalpa foi a 15ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 14 - SANTIAGO, CHILE

Daniel Matamala tem 32 anos, é jornalista, apresentador do "Telenotche", telejornal noturno do canal chileno Tele 13.

E tem deixado muita gente de cabelos em pé no seu país.

No mês passado, lançou "1962, O Mito do Mundial Chileno", em que defende que a Copa organizada por seus conterrâneos foi a pior da história.

"Para mim, parecia incrível que, 48 anos após o evento esportivo mais importante da história do Chile, nunca tivesse sido feita uma investigação", explicou Daniel, na passagem da Folha por Santiago.

Em 495 páginas, ele discorre sobre as falhas na organização do torneio e os baixos níveis de qualidade técnica e diversidade tática dentro de campo.

Quase uma heresia num país que sempre falou daquela Copa com orgulho e que está empolgadíssimo com o desempenho de sua seleção na África do Sul. Nesta sexta, os chilenos enfrentam a Espanha, tentando manter a liderança no grupo G.

A capital chilena é a 14ª parada da série "Um Mundo Que Torce".

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DIA 13 - MIAMI BEACH, ESTADOS UNIDOS

Em Miami, pelo menos, o futebol não pegou.

O Fusion, time local da MLS, mudou de cidade e o esporte favorito do pessoal segue sendo o futebol americano.

Na 13ª parada da série "Um Mundo Que Torce", a Folha acompanhou o jogo entre EUA x Argélia em Miami Beach. E, apesar da ventania e de uma garoa intermitente, houve muito americano que preferiu se arriscar na praia a assistir à partida decisiva para a classificação às oitavas.

"É uma questão de cultura esportiva. Eles gostam de outras coisas", diz o italiano Alberto Morandini, de Veneza, bandeira americana enrolada no pescoço, um dos poucos presentes ao bar Ocean's Ten, na Ocean Drive.

O bar foi ficando mais cheio durante o jogo, mas nada que se compare ao quórum de partidas do Brasil, Argentina e México. No fim, vitória e classificação. E comemoração tímida pelas ruas da cidade. Fora do circuito turístico, nada em Miami lembrava que há uma Copa do Mundo acontecendo.

Vídeo

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DIA 12 - CIDADE DO MÉXICO, MÉXICO

O dia foi dos mais cansativos, fruto da maratona aérea para chegar da Nova Zelândia ao México passando por Japão, Honolulu e Los Angeles. Mas foi, também, dos mais divertidos e produtivos.

Na 12ª parada da série "Um Mundo Que Torce", a Folha assistiu à derrota dos mexicanos contra o Uruguai nos arredores do estádio Azteca, sede das finais das Copas de 70 e 86.

Os anfitriões, a família Urbina Martinez: os irmãos Miguel, 52, Jesus, 45, e Luis, 43, e a matriarca, Angela, 85.

Uma grande festa. Aos poucos, a sala foi ficando lotada. No fim da partida, já eram 24 pessoas. Aliviadas pela classificação às oitavas, mas com um certo amargor pelo 1 a 0.

"É uma pena. Não conseguimos escapar da Argentina", disse Jesus, resumindo o estado de espírito de todos na casa, de todos no país, naquele momento.

Veja vídeo

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DIA 11 - NARITA, JAPÃO

O Japão está de lua-de-mel com sua seleção.

Pode parecer estranho para um time que perdeu seu último jogo --1 a 0 diante da Holanda. Mas num país que vive uma avalanche de notícias ruins, no esporte, na economia e na política, o desempenho na Copa do Mundo é que restou de esperança neste 2010.

Os jornais evitam críticas. Pelo contrário, estão otimistas, destacando que a equipe só precisa de um empate diante da Dinamarca, na quinta-feira, para conseguir a façanha da classificação. A única vez em que o Japão passou para as oitavas de final foi em casa, em 2002.

Dois estádios de Tóquio ficaram lotados durante o jogo contra os holandeses. "O pessoal está se juntando em grandes grupos para ver a Copa. Muitos bares, karaokês e restaurantes tiveram a clientela aumentada", diz Mitsuo Kawasaki, brasileiro que mora há 13 anos no Japão.

Na 11ª parada da série "Um Mundo Que Torce", a Folha escreve de Narita.

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DIA 10 - AUCKLAND, NOVA ZELÂNDIA

"Um sonho impossível", escreveu o "New Zealand Herald", um dos principais jornais da Nova Zelândia, na apresentação da partida deste domingo contra a Itália.

Bom... Sonhos impossíveis, às vezes, se tornam realidade.

Na décima parada da série "Um Mundo Que Torce", a Folha acompanhou a partida na companhia de Marisa Vicelich, mulher de Ivan Vicelich, zagueiro que vem atuando como volante na Copa, recordista de jogos pela seleção All White.

O placar, 1 a 1. Empate celebrado como uma goleada, como mostra o vídeo, no momento do apito final.

Veja vídeo

"Não tenho como descrever minhas emoções. Estou feliz por todos. Este é um time que trabalha muito", disse Marisa, que só não foi à África do Sul para ficar cuidando de Luka, 2, filho do casal.

"O melhor resultado da história da Nova Zelândia. Uma das dez maiores zebras da história das Copas", dizia uma emissora de rádio, no táxi a caminho do aeroporto. A Folha já está a caminho de mais um país.

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DIA 9 - SYDNEY, AUSTRÁLIA

De certa forma, assistir a uma partida da Austrália na Copa lembra a experiência na Coreia do Sul.

Os dois países são neófitos no mundo da bola. E, durante os jogos, suas torcidas se comportam como tais: caladas, tranquilas, sem grandes arroubos de emoção.

Mas há uma diferença fundamental. Neste sábado, em Darling Harbour, Sydney, muito torcedor australiano se comportou com agressividade após o empate em 1 a 1 com Gana. Em alguns casos, a polícia teve de intervir, pedindo calma com os "desabafos".

Veja vídeo

O resultado tornou a classificação australiana às oitavas uma missão quase impossível.

Sydney é a oitava parada da série "Um Mundo Que Torce". O relato completo da experiência, na Folha de amanhã.

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DIA 8 - PAJU, COREIA DO SUL

A Copa não existe na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias. Quase nada existe por lá, aliás.

Nesta sexta-feira, no oitavo estágio da série "Um Mundo Que Torce", a Folha visitou Paju, cidade sul-coreana mais próxima da vizinha do norte. Com 308 mil habitantes, está às margens da faixa de 4 km de largura, estabelecida em 1953, que separa os dois países.

Nos últimos meses, a Folha tentou obter visto de entrada na Coreia do Norte. O grande obstáculo, porém, seria deixar rapidamente o país, já que o governo norte-coreano costuma reter o passaporte de jornalistas. Diante da dúvida sobre a possibilidade de entrar e sair no mesmo dia, a opção por visitar Paju.

Há poucas referências ao esporte próximo à DMZ (Zona Desmilitarizada). Uma tabela de basquete, sem rede, e uma réplica da Jabulani, a bola da Copa. Mais nada.

Do mirante, mantido pela ONU, é possível observar o primeiro vilarejo norte-coreano. E, mesmo com binóculos, nada sobre a Copa.

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DIA 7 - SEUL, COREIA DO SUL

O "animador de auditório" da Seul Plaza pedia ânimo da torcida, mas sua própria voz soava embargada.

Depois de verem sua seleção vencer a Grécia por 2 a 0 na estreia da Copa e se inflamarem com as chances de passagem às oitavas de final, hoje os sul-coreanos amargaram uma goleada da Argentina: 4 a 1.

Na sétima etapa da série "Um Mundo que Torce", a Folha acompanhou ao jogo na praça, um dos principais pontos de evento da capital sul-coreana. E que, ontem, recebeu uma multidão de Red Devils, ou Diabos Vermelhos, com a torcida se auto-intitula.

Segundo estimativas da polícia local, 2 milhões de pessoas saíram pelas ruas da cidade, ontem, para assistir à partida. Só na Seul Plaza eram 300 mil torcedores. Gente vestida de vermelho, com os rostos pintados e que cantou antes, durante e até mesmo ao fim do jogo.

E que, apesar da tristeza com a derrota, manteve a confiança. "O próximo jogo é com a Nigéria [que perdeu as duas partidas até agora]. Então vamos para as oitavas", disse o torcedor Lee Kwang Ho, 28.

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Mais sobre essa empreitada ousada, amanhã, nas páginas da Folha

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DIA 6 - ACCRA, GANA

O Champs, em Accra, Gana, é um ponto de encontro de duas tribos. Daqueles que gostam de esporte, daí o nome e a decoração repletas de bandeiras e camisetas de times. E daqueles que curtem colocar o pé na estrada, viajar por aí, se embrenhar em projetos malucos.

O bar foi o ponto de parada da sexta etapa da série "Um Mundo que Torce", a última na África. Era lá que estavam os ingleses Andrew Grady, 33, e Merrich Adams, 29, e seu projeto maluco.

Os dois saíram de Londres em 28 de abril. O destino, Johannesburgo. E eles só viajam de carona.

"Sou música, e minha viagem tem um caráter humano. A ideia é mostrar como tem gente prestativa e amigável pelo mundo todo", explica Grady, que está filmando tudo e pretende lançar um documentário ao fim da jornada.

A dupla tem um site, onde, sempre que consegue tempo (e conexão com a internet), relata o que está vivendo. O nome "My Magic Thumb", ou "Meu Polegar Mágico", uma referência, claro, à arte de pegar carona. O link é este: www.mymagicthumb.com

Mais sobre essa empreitada ousada, amanhã, nas páginas da Folha

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DIA 5 - ABIDJAN, COSTA DO MARFIM

"Foi bom. Pensando bem, foi muito bom". A opinião de Gilbert Nenon, marfinês, sintetiza o sentimento do país nesta terça-feira, após o empate com Portugal.

Na quinta parada da série "Um Mundo que Torce", a Folha acompanhou a estreia dessas duas seleções na Copa em Abidjan, maior cidade da Costa do Marfim.

Um país que se une em torno de um nome, Didier Drogba. Ídolo não apenas pelo que faz em campo, mas também por sua atuação fora dos gramados. Ele pagou do próprio bolso, por exemplo, a reforma do principal estádio da cidade. O custo, US$ 116 mil.

No duelo contra Portugal, bastava as câmeras focalizarem o atacante do Chelsea para os torcedores irem à loucura. Quando ele entrou em campo, então... Na aldeia de Mputo, onde a reportagem assistiu à partida, teve até torcedor ajoelhado

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DIA 4 - DOUALA, CAMARÕES

De Argel para Douala, da Argélia para Camarões, é um pulo. Isso é o que dizem os mapas.

A malha aérea africana, porém, fala outra língua. Foram necessárias escalas em Beirute, Adis Abeba e Libreville para viajar de uma cidade a outra em tempo de assistir ao jogo dos "Leões Indomáveis" contra o Japão.

Enquanto Iaundé é a capital administrativa de Camarões, Douala é o centro econômico do país. E o centro da festa também. "Se a seleção ganhar, a celebração vai varar a madrugada", disse o indiano Rahul Jain, radicado em Douala, antes do jogo

A Folha acompanhou o jogo no Le Boj, o bar mais requintado de Douala, a cidade mais cara da África.

E, para frustração dos camaroneses que esperava festejar, a vitória não veio. O time jogou mal, só embalou nos 15 minutos finais, mas não conseguiu empatar com o Japão, que marcou aos 39min do primeiro tempo, com Honda.

Mais sobre a quarta etapa da série "Um Mundo que Torce", na Folha desta terça-feira.

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DIA 3 - ARGEL, ARGÉLIA

Vinte e quatro anos após sua última Copa, a Argélia voltou hoje a um Mundial. Diante da Eslovênia, calou de tensão e ficou desolada.

A Folha acompanhou o jogo num telão montado diante do Santuário aos Mártires da Revolução, em Argel.

Antes da partida, os preparativos para não perder um lance: cidade afora, argelinos tentavam sintonizar suas parabólicas na Al Jazeera. Os prédios são repletos delas.

Num país muçulmano, domingo é dia de trabalho. E quem não conseguiu chegar em casa depois de escapar do serviço procurou os telões.

Na praça diante do mais imponente monumento da cidade, o jogo foi assistido em silêncio. O único momento de animação veio no intervalo, com a música de incentivo à seleção. A tensão deu lugar à decepção com o frango do goleiro Chaouchi.

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Derrota. E, se isso é possível, o silêncio na cidade ficou ainda maior.

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DIA 2 - LAGOS, NIGÉRIA

Na Nigéria, cornetagem em altíssimo volume contra o técnico

Imagine se Dunga tivesse convocado Ronaldo e deixasse o veterano artilheiro no banco na estreia do Brasil na Copa? Agora acrescente uma derrota brasileira a esse cenário.

Foi o que aconteceu com a seleção nigeriana neste sábado.

Na segunda parada da série "Um Mundo que Torce", a Folha assistiu à vitória da Argentina sobre a Nigéria em Lagos.

E o comentário entre os torcedores foi óbvio: cornetagem em altíssimo volume contra o técnico Lars Lagerback.

O "Ronaldo" deles é Kanu, 33, ídolo de glórias passadas mas que vive má fase técnica e, principalmente, encara péssima forma física. Tanto que, na última temporada, foi reserva do Portsmouth, rebaixado no Inglês.

Hoje, não entrou. Nem nos 15 minutos finais, como imploravam os torcedores nigerianos, grudados a um aparelho de TV.

"Como que a Nigéria contrata um técnico que falhou ao tentar classificar outra seleção?", perguntava Chucks Nwanne enquanto levava este repórter de volta para o aeroporto, de onde embarcará para o terceiro país da série.

Lagerback não conseguiu classificar a Suécia para o Mundial.

Mas muitos no país mantêm o ânimo. Enquanto Nwanne lamentava, o locutor de uma emissora de rádio de Lagos tentava inflamar a torcida: "Vamos destruir Grécia e Coréia do Sul. Somos os reis da África. Chegou a nossa hora!"

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DIA 1 - JOHANNESBURGO, ÁFRICA DO SUL

Não eram cambistas, como os conhecemos. Não estavam vendendo ingressos para fazer dinheiro, mas para tentar se livrar de um prejuízo.

Os dois irmãos mexicanos de Leon, no estado de Guanajuato, ficaram na mão quando um amigo decidiu, em cima da hora, desistir da viagem. "É muito caro vir pra cá. Poucos mexicanos vieram", explica Jose Luiz Rodiguez.

Pagou US$ 450 pelo bilhete. Vendeu por US$ 300. E, de brinde, ofereceu ao repórter carne seca com chili. Foi a primeira desobediência à recomendação médica de não comer nada estranho nesta maratona.

Assistir à abertura da Copa no Soccer City teve som de vuvuzelas, cheiro de cigarro, gosto de Cheese Hot Dog --que é servido sem queijo, diga-se.

Teve ainda torcedores sul-africanos pouco familiarizados com o futebol, e mexicanos mais à vontade, fazendo hola e cantando o corinho "Bafana va provar el chili nacional".

Provaram, com o gol de Rafa Márquez aos 33min do segundo tempo. Mas o 1 a 1 teve sabor mais amargo para os mexicanos.

Johannesburgo anoiteceu a sexta-feira em festa.

 

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