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03/09/2010 - 06h30

Podolski diz que Alemanha abandonou futebol robótico para não enferrujar

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RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

Lukas Podolski, 25, foi titular da Alemanha nas duas últimas Copas do Mundo e inicia a campanha nas eliminatórias para a Eurocopa, nesta sexta-feira, contra a Bélgica, como titular do time de Joachim Löw.

Em entrevista à Folha, o jogador do Colônia falou sobre a nova cara do futebol alemão, que trocou o pragmatismo por um futebol jovem e ofensivo.

"No futebol moderno, você não consegue ser competitivo apenas correndo e lutando. Então, a Alemanha passou a privilegiar a formação técnica dos jovens jogadores nos últimos anos", disse o jogador.

Confira a íntegra da entrevista

Folha - A Alemanha entrou na Copa desacreditada, fora da lista dos favoritos ao título, e sai dela revitalizada, como sinônimo de equipe forte e atraente. Essa campanha recolocou a seleção alemã no lugar onde ela está acostumada?

Michael Probst/31.ago.2010/AP
Seleção alemã faz treino físico preparatório para a estreia nas eliminatórias da Eurocopa-2012, contra a Bélgica
Seleção alemã faz treino físico preparatório para a estreia nas eliminatórias da Eurocopa-2012, contra a Bélgica

Lukas Podolski - Eu não diria que estávamos completamente desacreditados. para mim, a Alemanha sempre teve um dos times mais fortes do mundo. Fomos vice-campeões europeus em 2008 e terceiros colocados na Copa de 2006. Sabíamos que poderíamos realizar uma boa campanha na África do Sul. O problema é que tínhamos muitos jogadores jogadores e era difícil prever como eles iriam reagir em uma competição de nível tão alto. Mas estávamos otimistas, porque esses jovens estavam em grandes clubes da Alemanha, jogando Copa dos Campeões e Liga Europa.

E como você explica o sucesso desse grupo de jogadores inexperientes no Mundial?

A maioria das seleções sabia que não podiam nos descartar. Fizemos uma boa preparação, criamos um espírito de grupo e adquirimos a confiança necessária para jogar uma Copa do Mundo mesmo com os problemas de lesão.

A Alemanha teve sérios problemas para renovar seu time entre o fim dos anos 1990 e o começo da década de 2000. Em determinado momento, parecia incapaz de revelar jogadores. De repente, surgiu uma safra de garotos de alto potencial. Como isso aconteceu?

A Copa-1998 e a Euro-2000 não foram boas para a Alemanha, deixando claro que alguma coisa precisava mudar na promoção de jovens jogadores. A partir daí, a DFB (Federação Alemã de Futebol) e a Bundesliga (liga que comanda a primeira divisão nacional) trabalharam duro para desenvolver um banco de dados de jovens jogadores e profissionalizamos a formação. Essa política teve reflexo positivo nas seleções de base dos últimos anos e já rende os primeiros resultados no time principal.

Joel Silva/26.jun.2010/Folhapress
Lukas Podolski comemora gol contra a Inglaterra, em clássico que definiu vaga nas quartas de final da Copa do Mundo
Lukas Podolski comemora gol contra a Inglaterra, em clássico que definiu vaga nas quartas de final da Copa do Mundo

A Alemanha sempre foi sinônimo de futebol pragmático, competitivo, mas de pouca "fantasia". Na África do Sul, no entanto, jogou de forma ofensiva, empolgante. Por que essa mudança de estilo?

Nossa seleção sempre teve como características a forte capacidade mental, o espírito de grupo e a boa condição física dos jogadores. Elas ainda continuam presentes. Mas, no futebol moderno, você não consegue ser competitivo apenas correndo e lutando. Você precisa também jogar em alto nível técnico para continuar na briga. Então, a Alemanha passou a privilegiar a formação técnica dos jovens jogadores nos últimos anos. O resultado é o futebol que vocês viram na Copa do Mundo.

Khedira e Özil no Real Madrid, Boateng no Manchester City. O Mundial reabriu as portas dos principais mercados para jogadores alemães? Você deseja jogar fora da Alemanha algum dia?

A Copa do Mundo é sempre uma janela de oportunidades. Se você joga bem, irá despertar o interesse dos grandes clubes. Khedira, Özil e Boateng fizeram uma grande competição e suas transferências foram naturais. Sobre mim, posso dizer que meu foco está todo no Colônia. Temos uma equipe jovem e com muito potencial. Quero fazer tudo o que for possível por esse time.

Joerg Sarbach/28.ago.2010/AP
No Colônia, clube que defende, Podolski não costuma repetir as boas atuações que tem pela seleção da Alemanha
No Colônia, clube que defende, Podolski não costuma repetir as boas atuações que tem pela seleção da Alemanha

Você é um jogador que costuma jogar melhor pela seleção do que pelos clubes. Por que isso acontece?

Eu sei que poderia ter jogado mais pelo meu time na última temporada, mas vou tentar melhor jogo a jogo. Amo futebol e sempre quero vencer. Tenho certeza que se eu continuar trabalhando duro, vou voltar a marcar gols regularmente.

Turquia, Áustria, Bélgica, Azerbaijão e Cazaquistão. Esse é o grupo alemão nas eliminatórias da Eurocopa. Dá para falar que vocês têm a obrigação de conseguir a classificação sem grandes problemas?

É um grupo interessante, mas competitivo. Nosso objetivo é ficar com a primeira colocação da chave e acho que podemos cumprir essa meta. Mas, não subestimados nossos adversários. Temos que ficar 100% focados a cada jogo.

O que esperar da estreia contra a Bélgica? Conhece bem seu primeiro adversário?

É um time de grande potencial, que pode ser a surpresa das eliminatórias. Tem alguns jogadores experientes, como Van Buyten [zagueiro do Bayern de Munique], que lidera o elenco. Mas é principalmente uma equipe de jovens e dinâmicos atletas. Ou seja, espero uma partida difícil, mas quero vencê-la a qualquer preço.

Você já viu algum jogo de Romelu Lukaku, a maior promessa do futebol belga e uma das jovens estrelas da Europa? Acredita que ele pode mesmo se transformar em um craque?

Já ouvi muito a respeito dele, mas ainda não tive a oportunidade de vê-lo em campo. Então, não posso fazer uma avaliação precisa do seu potencial.

Na sua opinião, quais são os aspectos da seleção alemã que devem ser mantidos nos próximos anos e o que precisa ser mudado?

Temos que continuar jogando um futebol ofensivo e atraente. Mas ainda temos que evoluir, por exemplo, o nosso ritmo de passes e também precisamos jogar com mais inteligência.

 

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