Publicidade

 

Publicidade

 

PUBLICIDADE

 
 
  Acompanhe a Folha.com no Twitter
30/10/2010 - 07h15

Diego Armando Maradona, gigante do futebol, completa 50 anos hoje

Publicidade

 

JUAN PABLO VARSKY
COLUNISTA DA FOLHA

Quanto o conheci, eu tinha oito anos e estava na terceira série. Convidado pelo diretor de minha escola primária, surpreendeu-nos a todos com uma visita.

Transcorria o ano de 1979. Ele ainda não havia disputado o Mundial Juvenil do Japão, no qual se consagrou pela primeira vez. Tinha cara de adolescente e cabelo bem curto, digno de um recruta no serviço militar.

Veja galeria de fotos dos 50 anos de Maradona
Veja galeria de fotos de Maradona com líderes mundiais
Ídolo diz que é o seu aniversário "mais triste da vida"

Tirei uma foto ao seu lado, dei-lhe um beijo e, de presente, um desenho no qual eu havia tentado retratar seu primeiro gol oficial com a seleção profissional, diante da Escócia, em Hampden Park.

Gary Hershorn- 22.jun.1986/Reuters
Maradona comemora vitória sobre a Bélgica em 1986
Maradona comemora vitória sobre a Bélgica em 1986

Chorei quando ele foi expulso contra o Brasil na Copa da Espanha, em 1982, seu primeiro fracasso. Chorei com seu gol contra os ingleses e com a Copa extraordinária que disputou no México, em 1986, sua chegada ao Olimpo futebolístico.

Festejei sua vendeta diante dos italianos na Copa de 1990. Xinguei com ele quando o hino argentino foi apupado antes da final contra a Alemanha.

Em 1993, fiz com ele minha primeira entrevista, no longo voo para a Austrália que marcava sua volta à seleção para disputar, na repescagem, uma vaga na Copa-1994.

Minhas pernas tremiam. Foi muito difícil quebrar o feitiço, humanizá-lo. Custava-me presumir que ele não era Deus. Nem mesmo em campo, com seu desempenho cada vez pior. Suas contradições começaram a me incomodar, assim como sua necessidade de opinar sobre tudo e todos, recaindo inevitavelmente na agressão. Sentia tristeza ao vê-lo mal, desalinhado, doente.

30.jun.1994/AP
Maradona é acompanhado por enfermeira da Fifa para exame antidoping em 1994
Enfermeira acompanha Maradona para exame antidoping

Na França, em 1998, trabalhamos para um canal de TV,em que comentamos juntos a partida entre Argentina e Holanda. Também estivemos juntos na decisão da Libertadores entre Palmeiras e Boca Juniors, em 2000, quando fui testemunha privilegiada de um belo abraço entre ele e Roberto Rivellino.

Suas internações me aproximaram daquilo que ele tem de virtuoso, algo que até mesmo seus maiores detratores reconhecem.

Depois da dor, o alívio. Tomei parte na "Noche del Diez", o programa de 2005 que celebrava sua milagrosa recuperação após flertar com a morte. As palavras dele já não me interessavam tanto. Meu interesse era sua saúde.

Alegrei-me quando chegou à seleção argentina em 2008. Mas o rendimento da equipe me incomodava. A entrevista coletiva pornográfica em Montevidéu me irritou. Depois da esperança inicial, não consegui acreditar que ele tivesse armado um esquema tão ruim para o jogo contra a Alemanha.

Surpreende-me uma vez mais vê-lo inteiro e firme. Sua presença no velório do ex-presidente Néstor Kirchner, abraçando a presidente Cristina, me emocionou. Hoje ele faz 50 anos. Aos 40, retorno àquela foto de 1979. Tão presente em toda a minha vida, nunca, mas nunca mesmo, deixarei de amar Diego Armando Maradona.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

 

Sobre a Folha | Expediente | Fale Conosco | Mapa do Site | Ombudsman | Erramos | Atendimento ao Assinante
ClubeFolha | PubliFolha | Banco de Dados | Datafolha | FolhaPress | Treinamento | Folha Memória | Trabalhe na Folha | Publicidade

Publicidade

 

Publicidade

 

Publicidade