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Camisa 10, ex-corintiano comanda time ucraniano contra o Barça
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RAFAEL VALENTE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O Shakhtar Donetsk, adversário do Barcelona nesta quarta-feira no primeiro jogo das quartas de final da Copa dos Campeões, é encarado como a grande surpresa na Europa. Pela primeira vez o clube, que conta com seis brasileiros, chegou a esta fase da competição. Entre os destaques está um ex-corintiano, camisa 10 do time.
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| Giampiero Sposito-16.fev.2011/Reuters | ||
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| Willian passa por rival da Roma pela Copa dos Campeões |
Revelado pelo Corinthians em 2005, Willian está no Shakhtar desde agosto de 2007. Em três anos e meio, foram 153 partidas e 23 gols marcados, com cinco conquistas: bicampeão do Campeonato Ucraniano, campeão da Copa da Ucrânia, da Supercopa Ucraniana e da Copa da Uefa (atual Liga Europa), mas o ápice está sendo a campanha na Copa dos Campeões. Foi o primeiro do grupo que tinha Arsenal, Braga e Partizan. Nas oitavas de final, eliminou a Roma com duas vitórias.
"A repercussão está sendo muito boa. Está sendo positiva não só para mim, mas para todos os brasileiros do elenco. É uma coisa inédita. Pela primeira vez o clube avançou para as quartas de final da competição e os jogos estão passando no Brasil. Amigos e familiares ligam falando que estão assistindo a gente", disse o meia.
Willian ainda participou de 34 dos 35 jogos da equipe na temporada, com sete gols e seis assistências. Na Copa dos Campeões, esteve em todos os jogos. Foram sete vitórias e uma derrota --para o Arsenal--, com dois gols e uma assistência. O primeiro jogo contra o Barcelona será disputado nesta quarta-feira, às 15h45, no Camp Nou, casa do adversário, que é considerado favorito pelo brasileiro.
| Tony Gentile-16.fev.2011/Reuters | ||
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| O brasileiro Willian tenta tirar a bola de Perrotta, da Roma |
"Tem grandes clubes na disputa, mas o Barcelona é o favorito pelo que ele vem fazendo na competição. É um time entrosado e que joga diferente das outras equipes, mas a gente não tem de escolher adversário e se chegamos até aqui é porque temos qualidade", disse o brasileiro sobre o rival que venceu três vezes o torneio e tem três dos melhores jogadores do mundo segundo a Fifa (Messi, Xavi e Iniesta).
O meia disse que a campanha na Copa dos Campeões vai deixar o clube mais conhecido na Europa, além de familiarizar o nome dos atletas para os torcedores. Para ele, o futebol na Ucrânia ainda está se desenvolvendo.
"O Shakhtar é um clube grande, com boa estrutura, um centro de treinamento muito bom, um estádio fantástico, mas está aparecendo na Europa agora. Na Ucrânia ele tem força e tradição, mas o nível técnico no país é baixo. Os clubes daqui jogam muito fechados, marcando bastante. Jogo bom é quando enfrentamos o Dínamo de Kiev, o Metalist e o Dnipro", disse.
CORINTHIANS
| Giuliano Gomes-01.ago.2007/Folhapress |
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| Pelo Corinthians, Willian comemora gol sobre o Atlético-PR pelo Campeonato Brasileiro de 2007, em Curitiba |
Com 22 anos, o meia diz que a passagem pelo futebol ucraniano ajudou a evoluir seu futebol, embora tenha revelado que no início não desejava sair do Corinthians.
"Quando surgiu a proposta, eu não queria vir, mas o Corinthians disse que eu poderia conhecer o clube e a cidade. Se eu não gostasse, não precisava assinar. Eu vim para cá e gostei. Não me arrependo de ter acertado com o Shakhtar. Faria tudo de novo. Estou vivendo um grande momento e aconselharia outros jogadores a virem para cá. Aprendi muita coisa. Ganhei experiência. Coisas que eu não sabia fazer, como ajudar a marcar. Uni minha técnica e velocidade com o poder de marcação", disse.
Ainda sobre a mudança para a Ucrânia, Willian disse que ajudou o fato do Shakhtar Donetsk ter muitos brasileiros no elenco. Atualmente, com ele, são seis --Luiz Adriano, Douglas Costa, Fernandinho, Jadson e Alex Teixeira--, além de Eduardo Costa, que se naturalizou croata.
"Contar com outros brasileiros ajuda bastante. Não só dentro de campo, mas fora também. É uma união que facilita o entrosamento, os treinamentos e até mesmo a concentração. Também é bom para passar o tempo. A gente procura ficar mais em casa, com a família. De vez em quando sai vai ao shopping, ao restaurante. O assédio é grande, mas aqui não tem tanto fanatismo como no Brasil. O torcedor é tranquilo. Eles ficam chateados com as derrotas, mas não tem agressão", disse.
| Sergey Dolzhenko-08.mar.2011/Efe | ||
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| Willian comemora gol pelo Shakhtar em jogo da Copa dos Campeões, em Donetsk |
Com contrato até o meio do ano de 2014, Willian ainda falou sobre o futebol brasileiro e o Corinthians, mas descartou um retorno em breve.
"Tenho o pensamento de voltar um dia, mas não tão cedo. Quero realizar o sonho da época em que estava na base, que era chegar ao profissional do Corinthians e ganhar títulos. Hoje estou bem aqui. Vou fazer quatro anos na Ucrânia. Sou titular, o treinador passa muita confiança. Uma volta ao Brasil depende das circunstâncias, até porque tem a Copa-2014. Como outros jogadores, tenho o sonho de jogar em um lugar que tenha mais visibilidade, como a liga espanhola, italiana, inglesa", disse o meia, que esteve no Corinthians entre 2005 e 2007, disputou 41 jogos e marcou dois gols.
Willian não escondeu o desejo de defender a seleção brasileira, embora tenha dito que isso não altera sua forma de jogar. Questionado se o fato de jogar na Ucrânia poderia pesar em uma convocação, o meia não concordou.
"Procuro fazer meu trabalho, dar assistências e fazer gols. Aqui não estou escondido. O Mano Menezes [técnico da seleção brasileira] chamou recentemente o Jadson. O Douglas Costa também já foi convocado. Isso significa que ele está olhando para cá e estou preparando caso apareça uma oportunidade. Sou tranquilo quanto a isso. Se eu continuar fazendo meu trabalho bem feito as portas vão se abrir", finalizou.
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