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06/04/2011 - 06h46

Camisa 10, ex-corintiano comanda time ucraniano contra o Barça

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RAFAEL VALENTE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Shakhtar Donetsk, adversário do Barcelona nesta quarta-feira no primeiro jogo das quartas de final da Copa dos Campeões, é encarado como a grande surpresa na Europa. Pela primeira vez o clube, que conta com seis brasileiros, chegou a esta fase da competição. Entre os destaques está um ex-corintiano, camisa 10 do time.

Giampiero Sposito-16.fev.2011/Reuters
Willian passa por rival da Roma pela Copa dos Campeões
Willian passa por rival da Roma pela Copa dos Campeões

Revelado pelo Corinthians em 2005, Willian está no Shakhtar desde agosto de 2007. Em três anos e meio, foram 153 partidas e 23 gols marcados, com cinco conquistas: bicampeão do Campeonato Ucraniano, campeão da Copa da Ucrânia, da Supercopa Ucraniana e da Copa da Uefa (atual Liga Europa), mas o ápice está sendo a campanha na Copa dos Campeões. Foi o primeiro do grupo que tinha Arsenal, Braga e Partizan. Nas oitavas de final, eliminou a Roma com duas vitórias.

"A repercussão está sendo muito boa. Está sendo positiva não só para mim, mas para todos os brasileiros do elenco. É uma coisa inédita. Pela primeira vez o clube avançou para as quartas de final da competição e os jogos estão passando no Brasil. Amigos e familiares ligam falando que estão assistindo a gente", disse o meia.

Willian ainda participou de 34 dos 35 jogos da equipe na temporada, com sete gols e seis assistências. Na Copa dos Campeões, esteve em todos os jogos. Foram sete vitórias e uma derrota --para o Arsenal--, com dois gols e uma assistência. O primeiro jogo contra o Barcelona será disputado nesta quarta-feira, às 15h45, no Camp Nou, casa do adversário, que é considerado favorito pelo brasileiro.

Tony Gentile-16.fev.2011/Reuters
O brasileiro Willian tenta tirar a bola de Perrotta, da Roma
O brasileiro Willian tenta tirar a bola de Perrotta, da Roma

"Tem grandes clubes na disputa, mas o Barcelona é o favorito pelo que ele vem fazendo na competição. É um time entrosado e que joga diferente das outras equipes, mas a gente não tem de escolher adversário e se chegamos até aqui é porque temos qualidade", disse o brasileiro sobre o rival que venceu três vezes o torneio e tem três dos melhores jogadores do mundo segundo a Fifa (Messi, Xavi e Iniesta).

O meia disse que a campanha na Copa dos Campeões vai deixar o clube mais conhecido na Europa, além de familiarizar o nome dos atletas para os torcedores. Para ele, o futebol na Ucrânia ainda está se desenvolvendo.

"O Shakhtar é um clube grande, com boa estrutura, um centro de treinamento muito bom, um estádio fantástico, mas está aparecendo na Europa agora. Na Ucrânia ele tem força e tradição, mas o nível técnico no país é baixo. Os clubes daqui jogam muito fechados, marcando bastante. Jogo bom é quando enfrentamos o Dínamo de Kiev, o Metalist e o Dnipro", disse.

CORINTHIANS

Giuliano Gomes-01.ago.2007/Folhapress
Pelo Corinthians, Willian comemora gol sobre o Atlético-PR pelo Campeonato Brasileiro de 2007
Pelo Corinthians, Willian comemora gol sobre o Atlético-PR pelo Campeonato Brasileiro de 2007, em Curitiba

Com 22 anos, o meia diz que a passagem pelo futebol ucraniano ajudou a evoluir seu futebol, embora tenha revelado que no início não desejava sair do Corinthians.

"Quando surgiu a proposta, eu não queria vir, mas o Corinthians disse que eu poderia conhecer o clube e a cidade. Se eu não gostasse, não precisava assinar. Eu vim para cá e gostei. Não me arrependo de ter acertado com o Shakhtar. Faria tudo de novo. Estou vivendo um grande momento e aconselharia outros jogadores a virem para cá. Aprendi muita coisa. Ganhei experiência. Coisas que eu não sabia fazer, como ajudar a marcar. Uni minha técnica e velocidade com o poder de marcação", disse.

Ainda sobre a mudança para a Ucrânia, Willian disse que ajudou o fato do Shakhtar Donetsk ter muitos brasileiros no elenco. Atualmente, com ele, são seis --Luiz Adriano, Douglas Costa, Fernandinho, Jadson e Alex Teixeira--, além de Eduardo Costa, que se naturalizou croata.

"Contar com outros brasileiros ajuda bastante. Não só dentro de campo, mas fora também. É uma união que facilita o entrosamento, os treinamentos e até mesmo a concentração. Também é bom para passar o tempo. A gente procura ficar mais em casa, com a família. De vez em quando sai vai ao shopping, ao restaurante. O assédio é grande, mas aqui não tem tanto fanatismo como no Brasil. O torcedor é tranquilo. Eles ficam chateados com as derrotas, mas não tem agressão", disse.

Sergey Dolzhenko-08.mar.2011/Efe
Willian comemora gol pelo Shakhtar em jogo da Copa dos Campeões, em Donetsk
Willian comemora gol pelo Shakhtar em jogo da Copa dos Campeões, em Donetsk

Com contrato até o meio do ano de 2014, Willian ainda falou sobre o futebol brasileiro e o Corinthians, mas descartou um retorno em breve.

"Tenho o pensamento de voltar um dia, mas não tão cedo. Quero realizar o sonho da época em que estava na base, que era chegar ao profissional do Corinthians e ganhar títulos. Hoje estou bem aqui. Vou fazer quatro anos na Ucrânia. Sou titular, o treinador passa muita confiança. Uma volta ao Brasil depende das circunstâncias, até porque tem a Copa-2014. Como outros jogadores, tenho o sonho de jogar em um lugar que tenha mais visibilidade, como a liga espanhola, italiana, inglesa", disse o meia, que esteve no Corinthians entre 2005 e 2007, disputou 41 jogos e marcou dois gols.

Willian não escondeu o desejo de defender a seleção brasileira, embora tenha dito que isso não altera sua forma de jogar. Questionado se o fato de jogar na Ucrânia poderia pesar em uma convocação, o meia não concordou.

"Procuro fazer meu trabalho, dar assistências e fazer gols. Aqui não estou escondido. O Mano Menezes [técnico da seleção brasileira] chamou recentemente o Jadson. O Douglas Costa também já foi convocado. Isso significa que ele está olhando para cá e estou preparando caso apareça uma oportunidade. Sou tranquilo quanto a isso. Se eu continuar fazendo meu trabalho bem feito as portas vão se abrir", finalizou.

 

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