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30/09/2011 - 21h08

Filme narra história do Bahia pela paixão de sua torcida

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NELSON BARROS NETO
DE SÃO PAULO

Um dia antes de enfrentar o Avaí, em casa, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Bahia chegou a oito cinemas de Salvador e mais dois no interior do Estado numa produção independente sobre o clube e a paixão de sua torcida.

Veja galeria de imagens do filme
Torcida do Bahia transforma cinemas em arquibancada; veja

Nesta sexta-feira, com todas as primeiras sessões esgotadas segundo a rede Orient, empresa responsável pela venda antecipada de ingressos, houve a estreia de "Bahêa Minha Vida", documentário com recursos diretos --inclusive sem lei de incentvo-- que ainda passará por São Paulo e Rio e também pode chegar a Brasília e Aracaju.

Divulgação
"Bahêa Minha Vida": promessa de recorde de público em Salvador
"Bahêa Minha Vida": promessa de recorde de público em Salvador; clique aqui e veja galeria do filme

A fita já vinha sendo preparada desde 2009 e foi lançada na esteira do retorno do time à elite do futebol nacional, após sete temporadas de tentativas frustradas, e aproveitando ainda o octogenário da equipe azul, vermelha e branca.

Nas arquibancadas, o Bahia era o segundo em média de público do Brasileiro-2011 até o fim de semana passado, com 21.060 pagantes por jogo, quando terminou ultrapassado pelo São Paulo --a liderança é do Corinthians.

Em 2007, mesmo na terceira divisão, emplacou 40.040 pessoas por confronto na hoje interditada Fonte Nova; melhor marca do país. A arena agora recebe obras da Copa-14.

E foi para "tentar explicar o porquê de tanto amor" que o diretor Marcio Cavalcante entrevistou 120 pessoas, percorreu sete cidades e transformou centenas de horas de gravação em 90 minutos em que, se não consegue alcançar uma resposta --ele afirma ser impossível--, ganha o espectador pela emoção.

Divulgação
Na melhor cena do longa, quatro campeões de 1959, em cima do Santos de Pelé, no Maracanã, voltam a se encontrar após anos e anos e chegam a não se reconhecer pelo decurso do tempo
Na melhor cena do longa, quatro campeões de 1959, em cima do Santos de Pelé, no Maracanã, voltam a se encontrar após anos e anos e chegam a não se reconhecer pelo decurso do tempo; clique e veja mais

O filme possui os últimos depoimentos de cinco personagens-chave: dois campeões brasileiros de 1959 (a primeira disputa da história), o torcedor-símbolo, o remanescente do primeiro time em 1931 e o único cartola ouvido, de breve passagem por uma das poucas diretorias sem ligação com o grupo que há décadas comanda a agremiação.

Desde janeiro, mês do aniversário de 80 anos do "Esquadrão de Aço", morreram o ex-lateral Leone e o ex-ponta Marito, o 'macumbeiro' Lourinho, o médico Rubem Bahia Ribeiro (aos 100 anos) e o professor Edmundo Pedreira Franco.

Também não faltam jornalistas esportivos como Juca Kfouri, colunista da Folha; ídolos como Bobô (herói do bicampeonato de 1988) e Daniel Alves (de onde saiu em 2003 para brilhar na Espanha), rivais vencidos como o ex-santista Pepe e um sem-número de artistas tricolores a exemplo de Claudia Leitte e Carlinhos Brown.

Não aparecem na tela, porém, torcedores ilustres como Gilberto Gil e Caetano Veloso --ambos alegaram dificuldades de agenda para conversar com a equipe.

Divulgação
Em 2007, mesmo na terceira divisão, emplacou 40.040 pessoas por confronto na hoje interditada Fonte Nova, a melhor marca do país: aí, a torcida lota Pituaçu, o novo palco dos jogos da equipe
Em 2007, mesmo na terceira divisão, Bahia emplacou 40.040 pessoas por confronto na hoje interditada Fonte Nova, a melhor marca do país: aí, a torcida lota Pituaçu, o novo palco dos jogos da equipe; clique e veja galeria

Especialista da relação entre futebol, identidade e cultura, o historiador paulista Flavio de Campos resume a certa altura que "público assiste, plateia aplaude e torcida interfere".

Pois as inúmeras figuras nas arquibancadas do estádio de Pituaçu, imersas no sincretismo religioso baiano (com símbolos da Igreja Católica e do candomblé) e que dizem por vezes até deixar de comer para acompanhar o "Bahêa", somada a uma montagem quase videoclíptica para não cansar a audiência, confirmam o discurso que ganha eco na quarta estrofe do carnavalesco e onipresente hino: "Ninguém nos vence em vibração".

"Peço até desculpas por chamar a torcida do Bahia de 'torcida', porque deveriam inventar outro nome para aquilo", declara o goleiro Renê, que defendeu o clube por menos de um semestre na última temporada, o suficiente para ficar empolgado.

A ironia é que, após 13 partidas disputadas no Brasileiro, o Bahia tem uma das piores campanhas como mandante, com apenas quatro triunfos diante da massa.

A distribuição é da Paris Filmes. Veja o trailer oficial:

Vídeo

HARRY POTTER

A venda antecipada de entradas superou, em Salvador, à do oitavo e último "Harry Potter", dono da maior bilheteria do ano no mundo. Foram cerca de mil ingresssos vendidos no maior shopping da cidade, contra em torno de 600 do filme estrangeiro.

"Só para ter ideia, colocamos o filme nas nossas duas maiores salas, a do shopping Iguatemi (323 lugares) e a do Paralela (313), inclusive com cópia digital, em 3D, e houve sucesso para todas as sessões ao longo do dia", diz Hilmara Oliveira, diretora de marketing da rede Orient Cinemas, responsável pelo serviço.

Além de afirmar que, "com certeza, será recorde de público no sábado e no domingo", ela conta já existir um movimento entre torcedores do Bahia para assistir várias vezes à produção. "Dizem eles que o objetivo é superar 'Tropa de Elite 2'", ri, sem duvidar.

O sonho da produção agora é quebrar a marca da torcida do Inter, que no final do ano passado entrou no Livro dos Recordes ao colocar mais de 27 mil pessoas no Beira-Rio para o lançamento de "Absoluto", sobre o bicampeonato na Libertadores, em 2010.

O estádio de Pituaçu tem capacidade para 32 mil.

Espera-se que, até o lançamento do DVD, já se consiga ajeitar a parte técnica para ambientar o local, sobretudo o áudio do telão, maior dificuldade apontada.

 

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