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05/10/2011 - 13h58

Orçamento para o Rio-2016 deve demorar, dizem autoridades

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RODRIGO RÖTZSCH
DO RIO

Representantes das três esferas de governo e o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de 2016 responderam com um unânime "não" à pergunta "Estamos atrasados", tema de painel de debates realizado na manhã desta quarta-feira pela revista "Exame" no centro do Rio.

"Eu tenho visto um sentido de urgência muito importante. A Olimpíada tem sido para nós o que o FMI foi para o Brasil em determinado momento, nos obrigou a fazer o dever de casa. Nós estamos, sim, adiantados em vários projetos. Todas as questões essenciais estão mapeadas, têm projeto e já estão em execução", afirmou Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Empresa Olímpica Municipal.

Henrique Meirelles, presidente do Conselho Público Olímpico, entidade que tem, entre outras funções, a de aprovar a divisão de responsabilidade nos Jogos entre União, governo do Estado e Prefeitura do Rio, admitiu uma demora para concluir a formação da Autoridade Pública Olímpica.

"É um processo laborioso de construção, porque é uma estrutura nova, com toda uma série de procedimentos que não existiam antes. Há o desafio de conciliar a aprovação dos projetos em três esferas. Mas da mesma forma esse consórcio estabelece um paradigma de governança no Brasil que, funcionando, poderá ser aplicado em outros projetos de infraestrutura", afirmou.

Meirelles disse que será cumprido o prazo acertado com o COI para a aprovação da matriz de responsabilidades, até o fim do ano, definindo que esfera governamental cuidará de qual projeto e quem será responsável pelo financiamento. Ele disse, porém, que não será precipitado em divulgar um novo Orçamento para os Jogos, reconhecendo que ele deve superar os R$ 28,8 bilhões previstos no dossiê de candidatura.

"É muito importante que o número divulgado seja realista e seja cumprido", disse.

O presidente do Comitê Organizador dos Jogos e do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, disse que o comitê está "absolutamente em dia" com suas obrigações para a realização dos jogos, mas manifestou preocupação com a dificuldade de encontrar profissionais qualificados para preencher as vagas abertas na organização.

Meirelles admitiu o problema, mas disse que ele se insere no contexto maior de um país em desenvolvimento acelerado, que deve trabalhar para equacioná-lo.

"Neste momento o país tem que mudar o patamar de qualificação de mão de obra. O Brasil está enfrentando esse desafio, que é uma oportunidade", disse.

Nuzman evitou comentar se haveria entre o governo brasileiro e o Comitê Olímpico Internacional tensões semelhantes às recentemente expostas com a Fifa para a organização da Copa-2014.

"Tenho certeza que o Brasil fará uma grande Copa. Não quero entrar em comparações".

 

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