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Crianças sofrem com derrota; especialistas dizem que passar pela tristeza pode ser bom

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"Papai, por favor, peça para os alemães pararem de fazer gol", disse, chorando, Valentina, 7, diante de um telão instalado na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.

Filha de pai alemão e mãe brasileira, ela estava dividida antes da partida. Mas, diante da tragédia em campo, caiu em prantos e ligou para a avó: "Não dá para jogar sem o Neymar, vó", falou.

Ao ver a reação da filha, o geógrafo Jürgen Langenwalter, 48, procurou conter o entusiasmo pelo resultado. A mãe, Taísa Rodrigues, 37, passou a partida tentando confortar a filha. "Não esperava essa reação dela."

Muitas crianças que tinham a expectativa de viver a Copa de suas vidas enfrentaram o mesmo sentimento.

"Os jogadores nem pareciam profissionais. Eram amadores em campo", contou João, 8, que acompanhou a derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha no vale do Anhangabaú, em São Paulo. Para ele, a Argentina será a campeã.

"Quando vamos ter outra Copa no Brasil? Nunca! Era a minha chance de ver o Brasil campeão", lamentou Lucas Braga, 11, após o jogo.

E nem a pizza que os pais de Marco Mascaro, 9, pediram depois da partida animou o garoto. "Esse jogo vai marcar minha vida. Comecei a acompanhar a Copa antes de ela começar, com o álbum de figurinhas", disse.

Depois do vexame da seleção, a mãe de Marco, Monique de Benedetto Mascaro, 40, organizou também uma caça ao tesouro. "Tentei arranjar uma distração."

Já Pedro Henrique Santoro, 10, parou de ver o jogo na metade e decidiu ler o livro "Diário de um Banana" para não assistir mais à goleada. Mas a mãe do menino acha que a derrota pode trazer ensinamento aos filhos. "É bom para que se aprenda a lidar com a tristeza", acredita.

APRENDIZADO

Essa também é a opinião de psicólogos e educadores. "É preciso lidar com naturalidade [com derrotas]. Não dá para substituir ou suprimir a frustração da criança. É na infância que se constrói a forma de lidar com os sentimentos. Não se pode privá-las de sentir coisas tristes", diz Andrea Jota, 35, pedagoga e professora do ensino infantil da rede particular.

A psicóloga Ana Cássia Maturano diz que a derrota histórica do Brasil pode ser importante. "A frustração ensina. Ela mostra que perder faz parte do jogo e que não podemos ter tudo o que queremos. Sentir-se triste e chorar é normal", afirma.

Por isso, ela diz que comprar um brinquedo novo ou sair para tomar sorvete para compensar nem sempre são as melhores saídas.

"Não é bom pular a fase da tristeza. O que não é extravasado como choro vai ser expressado de outra forma. Às vezes, até com doenças. É importante aprender a lidar com o desapontamento", diz.

Pedro sabe bem disso. Torcedor do Barcelona, o garoto teve um ano difícil acompanhando seu time nos campeonatos. "Fiquei bem mal quando ele foi eliminado na Liga dos Campeões. Mas passou rápido. Agora estou ansioso para a próxima temporada", conta o garoto. E o Brasil para tentar o hexa em 2018.

(FABIO BRISOLLA, BRUNO MOLINERO, CAMILA MARQUES, LAURA MATTOS)

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